Copa das Confederações

Seleção Brasileira domina a Espanha, dá show no Maracanã e é tetracampeã da Copa das Confederações

O Brasil passou com louvor pelo seu grande teste antes da Copa do Mundo de 2014. Na noite deste domingo, jogando um futebol vistoso, comandando por Neymar, agora forte candidato ao posto de melhor do mundo, a seleção brasileira passeou sobre a toda poderosa Espanha, venceu por 3 a 0 num Maracanã pulsante e conquistou diante da sua torcida o título da Copa das Confederações. Neymar marcou uma vez e participou dos dois gols de Fred.mar sobre a Espanha Gol do atacante Fred sobre a Espanha Imagens da decisão entre Brasil e Espanha Dilma parabeniza Seleção Brasileira pelo título Felipão dá volta por cima e recoloca a seleção no trilho Felipão diz que não imaginava uma campanha tão boa

Com a vitória, o título e o espetáculo, o Brasil cumpriu aquilo que o técnico Luiz Felipe Scolari promete desde que assumiu o cargo em novembro. Mandou uma mensagem clara aos rivais: está entre os favoritos para conquistar a Copa do Mundo do ano que vem, quando também jogará em casa. E, da forma com que a equipe tem se relacionado e recebido o apoio da torcida, irá entrar em campo fortalecida a cada partida que jogar no Mundial.

O título é o quarto da seleção brasileira, maior campeã da história da Copa das Confederações. O Brasil venceu também as edições de 1997, 2005 e 2009. Agora, a meta é acabar com uma escrita: sempre que faturou o torneio, decepcionou na Copa do Mundo do ano seguinte. Em compensação, na véspera do penta, em 2001, ficou fora até do pódio.

Com os dois gols que marcou neste domingo, Fred assumiu a artilharia do torneio, empatado com o espanhol Fernando Torres, ambos com cinco. E o atacante brasileiro ainda deu azar na Copa das Confederações: não teve o privilégio de enfrentar o saco de pancadas Taiti na primeira fase. Mas o grande nome da conquista do Brasil foi mesmo Neymar.

Pela parte da Espanha, a derrota encerra, ou pelo menos coloca em dúvida, um período de seis anos dominando o futebol mundial. Nesse período, venceu duas edições da Eurocopa e também a Copa do Mundo de 2010 – já eram 29 jogos de invencibilidade em competições oficiais. Se os espanhóis usaram a goleada por 4 a 0 sobre a Itália na decisão do último campeonato europeu como prova da sua superioridade, agora terão que conviver por pelo menos um ano com esses 3 a 0 do Brasil na cabeça.

O JOGO

Logo num dos primeiros lances da partida, o Brasil tentou dar show, mas lembrou que gol feio também vale. A jogada começou com Hulk, que arriscou um passe de chaleira e tocou totalmente torto. Só que a bola caiu em Oscar, que devolveu para o atacante. Da ponta direita, ele cruzou na área. Fred resvalou, a bola bateu no calcanhar de Neymar, na mão de Arbeloa e voltou para Fred. Mesmo caído, ele conseguiu o gol que abriu o placar com apenas um minuto.

 REUTERS/Paulo Whitaker
Primeiro gol do jogo aconteceu logo no início da partida. Mesmo deitado, Fred conseguiu chutar a bola para o fundo das redes

Era só o começo de um jogo emocionante. Empurrado pela torcida, que começou a cantar que “o campeão voltou”, o Brasil fechou as portas para as trocas de bola da Espanha e assustou quando chegou ao ataque. Aos 8 minutos, Neymar tentou o toque para Marcelo em profundidade, a bola desviou na zaga e sobrou para Fred. O centroavante, inteligente, tocou rápido de calcanhar, bem no estilo espanhol mesmo, e deixou Oscar na cara do gol. Mas o meia bateu mal, à direita da trave.

Foi também na base da escola espanhola que o Brasil criou outra chance aos 13 minutos. A equipe brasileira marcou pressão no campo de ataque, Paulinho e Oscar cercaram Iniesta, roubaram-lhe a bola e o volante, esperto, tentou bater de cobertura. Casillas conseguiu se recuperar, mas a bola ainda bateu na trave.

O jogo, que já era disputado, ficou nervoso mesmo aos 15 minutos. O Brasil roubou a bola no campo de defesa e Neymar foi lançado em velocidade. Ganharia de Arbeloa na corrida, para sair na cara de Casillas, mas foi derrubado. O árbitro holandês Kuipers deu só amarelo para o lateral. Os espanhóis reclamaram que Neymar se jogou – ele foi puxado, mas exagerou na queda. Os brasileiros também protestaram, dizendo que o cartão deveria ser vermelho.

Depois de mais um momento de tensão, com Busquets tentando agredir Fred no meio da confusão, a Espanha reagiu. Iniesta teve um lampejo, passou por Marcelo e arriscou de longe. Julio Cesar pegou no canto. Na cobrança de escanteio, Fernando Torres cabeceou livre, por cima. Juan Mata, novidade na escalação da Espanha no lugar do Fábregas, deveria deixar a equipe mais ofensiva, mas mal tocava na bola.

O Brasil mostrava que aprendeu com a Itália, que só perdeu nos pênaltis na semifinal com a Espanha, e se lançava rápido ao ataque sempre que tinha a posse da bola. Foi assim, que, aos 28 minutos, a bola chegou até Oscar, que invadiria a área sozinho se não fosse derrubado por Sérgio Ramos. Novamente os brasileiros não se contentaram com o cartão amarelo recebido pelo jogador do Real Madrid.

Foi também na base do contra-ataque que a seleção brasileira criou sua melhor chance dentre as perdidas. Neymar recebeu pela esquerda, avançou carregando a bola e acertou um passe entre dois defensores espanhóis. A bola chegou no meio da área até Fred, que dominou com perfeição, mas chutou mal, em cima de Casillas.

Quando a Espanha passava a dominar o jogo, o Brasil viveu seu único momento de preocupação. Hulk perdeu bola no ataque, Thiago Silva foi tentar matar a jogada no meio e deixou David Luiz sozinho com dois espanhóis. Pedro recebeu passe de Mata e, sozinho diante Julio Cesar, bateu rasteiro, mas David Luiz se recuperou e tirou de carrinho, a um metro da linha do gol. A bola subiu e passou raspando o travessão, evitando o gol.

REUTERS/Sergio Moraes
Craque da Copa das Confederações, Neymar infernizou os defensores da Espanha e provocou a expulsão de Gerard Piqué

A resposta veio na forma de gol. Aos 43 minutos, Neymar recebeu pela esquerda e fez jogada individual, mas ela não rendeu. O atacante, então, voltou para Oscar. Aí, o meia esperou Neymar sair da posição de impedimento e devolveu a bola. O craque recebeu e bateu forte, fuzilando Casillas: 2 a 0.

A Espanha voltou com Azpilicueta no lugar de Arbeloa, porque o lateral não só não conseguia parar Neymar como já tinha cartão amarelo. Mas o defensor do Chelsea nem tocou na bola e o placar já estava 3 a 0. Marcelo começou a jogada, mas foi Hulk quem lançou Neymar. O craque aproveitou que a bola foi um pouco atrás e fez o corta-luz, surpreendendo os espanhóis. Aí, chegou fácil até Fred, que bateu de primeira, com a chapa do pé, no canto esquerdo baixo de Casillas.

Mesmo precisando de pelo menos três gols, o técnico Vicente Del Bosque foi conservador. Para colocar novo gás com Jesus Navas, tirou Juan Mata. No papel, o time não mudou. Mas logo Jesus Navas conseguiu um pênalti, sendo tocado na área por Marcelo. Sergio Ramos colocou a bola embaixo do braço e foi para a cobrança, mas mandou à direita do gol de Julio Cesar, que estava nela. A batida ainda resvalou na trave antes de sair.

O lance acabou completamente com a chance de reação da Espanha, que trocou Fernando Torres por David Villa em seguida. O Brasil soube explorar, enquanto a torcida delirava. Aos 13 minutos, Hulk recebeu passe de Neymar e tentou encobrir Casillas, mas o goleiro saiu bem. Aos 18, Marcelo desceu pela esquerda, chegou à linha de fundo e poderia rolar para Fred se consagrar, mas tentou fazer o dele e mandou na rede.

O melhor em campo, Neymar tentou uma jogada individual aos 22 minutos. Atravessou o campo de ataque na corrida, com a bola dominada, pelo meio, e depois de driblar Piqué, o último homem da defesa espanhola, levou um pontapé por trás. O zagueiro recebeu o cartão vermelho direto e nem teve muito ânimo para reclamar.

Dali em diante, o show ficou por conta da torcida, que, antes do apito inicial, já havia dado o tradicional espetáculo na hora do Hino Nacional. Enquanto eram dominados, os espanhóis tiveram que ouvir de tudo, inclusive o canto de “olé”, tradicional nas touradas da Espanha.

Único criticado entre os titulares quando o time começou a ser formado por Felipão, o atacante Hulk saiu de campo aplaudido para dar lugar ao meia Jadson, que debutou na competição. Fred, que ainda brigava pela artilharia, deu lugar a Jô e também foi ovacionado por um Maracanã em festa.

Mesmo com todo mundo sabendo que o Brasil seria campeão, os dois times ainda buscaram o gol. Pedro e David Villa deram trabalho com chutes cruzados só para Julio Cesar dizer que também trabalhou no jogo do título. Jô teve a oportunidade de fazer o quarto, mas arriscou enquanto outros pediam a bola e chutou fraco. A torcida, no entanto, já comemorava o título há muito tempo no Maracanã.

REUTERS/Jorge Silva
Fred fez dois gols na final e empatou com Torres na disputa pela chuteira de ouro (5 gols). Espanhol acabou ficando com prêmio

BRASIL 3 X 0 ESPANHA

BRASIL
Júlio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho (Hernanes) e Oscar; Hulk (Jadson), Fred (Jô) e Neymar
Técnico: Luiz Felipe Scolari

ESPANHA
Casillas; Arbeloa (Azpilicueta), Sérgio Ramos, Piqué e Jordi Alba; Busquets, Xavi, Iniesta e Mata (Jesús Navas); Pedro e Fernando Torres (David Villa)
Técnico: Vicente del Bosque

Motivo: final da Copa das Confederações
Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: domingo, 30 de junho de 2013

Gols: BRASIL: Fred, a 1′, e Neymar, aos 43′ do 1ºT; Fred, aos 2′ do 2ºT

Árbitro: Bjorn Kuipers (Holanda)
Assistentes: Sander van Roekel e Erwin Zeinstra (ambos da Holanda)
Cartões amarelos: Arbeloa, Sergio Ramos (Espanha)
Cartão vermelho: Piqué (Espanha)

Brasil acordou: Seleção Brasileira bate a Espanha e conquista a Copa das Confederações

Neymar fez um dos gols da partida. Fotos: AFP

Nas últimas semanas, milhares de brasileiros, para não dizer milhões, foram às ruas protestar por melhorias sociais durante a Copa das Confederações. Muitos disseram que o “gigante acordou”. Coincidência ou não, um outro Brasil resolver despertar no mesmo momento. Não foi para protestar ou cobrar dos nossos políticos. Ainda assim, nos trouxe orgulho do mesmo jeito que a nossa população. Meio que complementou o sentimento de paixão do brasileiro pelo seu País. Felipão, Fred, Neymar e companhia trouxeram de volta a alegria para o futebol nacional. Melhor jeito não poderia ter: bater a Espanha, dita melhor do mundo atualmente, por um sonoro 3×0 com direito a olé da torcida no Maracanã, palco da final da Copa das Confederações, neste domingo. Fred, duas vezes, e Neymar foram os carracos da Fúria, nem tão furiosa assim. Festa e título para o Brasil. em casa.

O JOGO – Não deu nem tempo para a Espanha começar o seu famoso jogo de toque de bola. O “tic tac” do relógio ainda marcava dois minutos de jogo quando Hulk tentou o cruzamento na grande área para Fred, que tentou a finalização. Ele falhou no lance e caiu. A bola, contudo, ficou perto dele. Foi o suficiente para que, mesmo no chão, ele chutasse mais uma vez, desta vez para o fundo das redes. Festa brasileira nas arquibancadas e início do pesadelo espanhol.


Fred foi o pesadelo da Espanha

Depois do gol, o que se viu foi um Brasil com pegada no meio de campo, sem dar espaço para o adversário. A posse de bola continuou maior do lado da Espanha. As chances claras de marcar, porém, apareceram do lado da Canarinha. Aos sete minutos, Oscar ficou de frente para o gol na entrada da área e chutou forte. A bola foi para fora assustando Casillas, que cinco minutos depois ainda teve que impedir chute de Paulinho de longe.

Jogadores festejam quando o capitão Thiago Silva ergue a taça de campeão. Foto: AFP

Desacostumada a ser pressionada e a jogar atrás no placar, a Fúria tentou ir para o ataque ao seu estilo paciente. A falta de espaços, no entanto, não deixaou os espanhóis penetrarem na área. Coube aos europeus tentar arriscar de fora da área. Em um deles, Iniesta exigiu um pouco mais de Júlio César.

A leve melhoria espanhola não assutou os brasileiros, que seguiram marcando forte, em alguns momentos com faltas, e tocando a bola em velocidade. Aos 31 minutos, Fred quase amplicou o placar depois de contra-ataque rápido. Casillas defendeu.

A Espanha ainda tentou assustar mais uma vez aos 40 minutos com Pedro, mas David Luiz salvou em cima da linha. Era o anúncio do que estava por vir para a Fúria. Quatro minutos depois, Neymar recebeu passe preciso de Oscar e não perdoou estufando as redes de Casillas.


David Luiz salvou o Brasil em cima da linha

No segundo tempo, esperava-se uma reação dos adversários brasileiros. Ela logo foi freada por Fred, que outra vez aos dois minutos furou a meta espanhola. A taça da Copa das Confederações já falava português no Maracanã naquele momento.

O que se viu após isso foi uma Espanha louca para tentar vazar a meta de Júlio César contra um Brasil calmo e ciente da sua estratégia. Poucos irão lembrar do pênalti perdido por Sergio Ramos ou da expulsão de Piqué na segunda etapa. Porque de fato foram detalhes pequenos. Muitos irão lembrar das outras chances perdidas pelos atacantes brasileiros e da disposição dos atletas canarinhos. Resta agora comemorar o tetracampeonato da Copa das Confederações.

FICHA DA PARTIDA – BRASIL 3X0 ESPANHA

Brasil – Júlio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho (Hernanes) e Oscar; Hulk (Jadson), Fred (Jô) e Neymar. Técnico: Luiz Felipe Scolari.

Espanha – Casillas; Arbeloa (Azpilicueta), Piqué, Sérgio Ramos e Jordi Alba; Busquets, Xavi e Juan Mata (Navas); Iniesta, Pedro e Fernando Torres (David Villa). Técnico: Vicente Del Bosque

Copa das Confederações (final). Local: Maracanã (Rio de Janeiro). Árbitro: Bjorn Kuipers (Holanda). Assistentes: Sander Van Roekel e Erwin Zeinstra. Gols: Fred aos dois e Neymar aos 44 minutos do primeiro tempo; Fred aos dois minutos do segundo tempo. Amarelos: Albeloa (ESP) e Sergio Ramos (ESP). vermelho: Piqué (ESP).

Brasil e Espanha se enfrentam na final mais esperada do futebol mundial

Rômulo Alcoforado
NE10

O Brasil conquista o título no Macaranã. Ladeado por Neymar, Fred e Júlio César, Thiago Silva – o capitão- levanta o troféu sob milhares de olhares emocionados,  sentimentos incontidos e gritos imodestos de que conosco é diferente. Somos os maiores do mundo. Ou a Espanha vence a decisão e chega ao único triunfo que faltava a uma geração vitoriosa : a Copa das Confederações – justo em cima do país que acostumou-se a ser o do futebol. Ergue a taça, feliz, cercada por um silêncio triste e constrangedor vindo das arquibancadas já parcialmente vazias.

Só um dos dois desfechos acima é possível. É manutenção de hegemonia ou passagem de bastão. A maior seleção da história encara o melhor time atual. E não há quem fique indiferente a um confronto dessas proporções. Privilegiados, os que poderão acompanhá-lo às 19h deste domingo, no Rio de Janeiro.

A ESPANHA – Por mais que se contraponha o histórico recente da Espanha com o do Brasil, é difícil cravar um favorito. Os europeus têm um time mais pronto. Uma engrenagem que funciona mecanicamente quase à perfeição. A equipe comandada por Del Bosque exibe um jogo mais bem definido do que a de Felipão. Toca a bola, passa, vira, movimenta, envolve. E encontra – quase invariavelmente- uma brecha na defesa alheia.  A um só tempo, encurrala e não permite que o adversário faça o mesmo porque quase sempre tem mais posse de bola.


Discreto na Copa das Confederações, Xavi pode aparecer na decisão

As certezas deste time espanhol deixam pouco espaço para a dúvida. A escalação, por exemplo, ainda não foi confirmada. Mas não deve diferir muito do que foi visto na semifinal contra a Itália. Até as dúvidas são as mesmas daquela ocasião: o atacante Soldado e o meio-campista Fàbregas podem reassumir seus lugares no time titular (nas vagas de Fernando Torres e Davi Silva) desde que estejam em condições de atuar. Jesus Navas, após boa atuação na quinta-feira, também tem chances – remotas- de começar jogando.


Questionado, Casillas tem correspondido na Copa das Confederações

O BRASIL – Além do fato claro de que a Seleção encontrou uma maneira de jogar e resgatou, pelo menos  aparentemente, sua identidade, não se pode descartar dois fatores intangíveis que pesam a favor do Brasil. O primeiro é a torcida. O Brasil terá maioria absoluta no Maracanã. O apoio das arquibancadas tem incentivado e empurrado o time dentro de campo. Os próprios jogadores admitiram isso em entrevistas. Sobretudo a continuação do hino nacional – após os 90 segundos executados pela Fifa.

É sintomático, por exemplo, que a Seleção tenha sufocado os adversários em quase todos os jogos desta Copa das Confederações. São os 15, 20 minutos em que os mandantes abafam os visitantes.


Fred é o homem-gol do Brasil

O segundo é a tradição. Camisa não joga sozinha, é verdade. Mas, quando se combina ela com um bom futebol, é difícil demais derrotar. E, nesse quesito,não há quem ultrapasse o Brasil. O verde e amarelo é o manto mais pesado do mundo. E pode ter participação preponderante num enveual título brasileiro.

A não ser que haja um imprevisto de última hora, o time do Brasil está definido. Não há surpresas. A equipe é a mesma que derrotou o Uruguai na semifinal.


Paulinho vive grande momento na competição

Ficha do jogo

Brasil – Júlio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar; Hulk, Fred e Neymar. Técnico: Luiz Felipe Scolari.

Espanha – Casillas; Arbeloa, Piqué, Sérgio Ramos e Jordi Alba; Busquets, Xavi, Iniesta e David Silva (Fàbregas); Pedro e Fernando Torres (Soldado). Técnico: Vicente Del Bosque

Local: Maracanã (Rio de Janeiro)
Horário: 19h
Árbitro: Bjorn Kuipers (Holanda)
Assistentes: Sander Van Roekel e Erwin Zeinstra

Uruguai completo e Itália desfalcada brigam por 3º lugar na Copa das Confederações

O Uruguai escalará a força máxima contra uma Itália dizimada por lesões neste domingo em Salvador, na partida que decide o terceiro lugar da Copa das Confederações. Apesar do técnico da ‘Celeste’, Oscar Tabárez, não ter adiantado a equipe titular, praticamente todos os jogadores que perderam para o Brasil 2-1 na última quarta-feira devem entrar em campo na Arena Fonte Nova da capital baiana.
O Uruguai apostará mais uma vez no seu trio ofensivo, composto por Edinson Cavani, autor do gol contra o Brasil, Luis Suárez e o veterano Diego Forlán, que perdeu um pênalti contra os pentacampeões mundiais quando a partida ainda estava 0-0. “Sempre que vestimos a celeste entramos para vencer e para nós o terceiro lugar é muito importante”, disse Súarez.
O melhor resultado uruguaio numa Copa de Confederações foi em 1997, na Arábia Saudita, quando ficou com a quarta posição após perder para a República Tcheca na última partida. Suárez também lembrou que a Celeste perdeu por 3-2 para a Alemanha na decisão do terceiro lugar da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul.

O Uruguai, porém, sabe que não terá vida fácil já que a ‘Nazzionale’ “é uma das melhores equipes do mundo e mostrou isso quando quase derrotou a Espanha”, afirmou Suárez. A Itália fez grande partida nas semifinais da Copa das Confederações na última quinta-feira, quando conseguiu jogar de igual para igual com a poderosa Espanha, mas acabou perdendo nos pênaltis 7-6 após o empate de 0-0 no tempo regulamentar e prorrogação.
Porém, o duelo dramático contra os atuais campeões do mundo no estádio Castelão de Fortaleza fez vítimas no elenco do treinador Cesare Prandelli, que sofreu com a umidade e o calor da capital cearense. Prandelli, que já havia perdido o atacante estrela Mario Balotelli e o lateral Ignazio Abate por causa de lesões, também ficará sem sua maior referência em campo, o meia Andrea Pirlo, além do zagueiro Andrea Barzagli.
“Se fôssemos jogar a final da Copa do Mundo, faríamos de tudo para que pudessem jogar, mas neste momento preferimos não arriscar”, explicou o médico da Itália, Enrico Castellacci. O zagueiro Giorgio Chiellini e os volantes Daniele De Rossi e Claudio Marchisio sentiram dores após a partida contra a Espanha e também são dúvida para enfrentar o Uruguai.
As ausências de Barzagli e Chiellini e a presença do trio ofensivo celeste podem obrigar Prandelli a trocar a linha de três por uma de quatro na defesa, uma mudança ainda não confirmada pelo treinador. Uruguai-Espanha está marcado para às 13h00 locais, horário em que o calor de Salvador deverá incomodar muito os jogadores. O árbitro será o argelino Djamel Haimoudi.
Escalações prováveis:

Itália: Gianluigi Buffon – Davide Astoi, Leonardo Bonucci, Giorgio Chiellini – Christian Maggio, Riccardo Montolivo, Daniele De Rossi, Emanuele Giaccherini – Antonio Candreva, Alberto Aquilani – Alberto Gilardino. T: Cesare Prandelli.
Uruguai: Fernando Muslera – Maxi Pereira, Diego Lugano, Diego Godín, Martín Cáceres – Alvaro González o Diego Pérez, Egidio Arévalo Ríos, Cristian Rodríguez – Luis Suárez, Edinson Cavani e Diego Forlán. T: Oscar Tabárez.

Espanha vence batalha contra Itália nos pênaltis e chega à final com Brasil

Rômulo Alcoforado NE10

A opinião era generalizada – e o tom, quase de desdém: a Espanha venceria a Itália com facilidade, previam torcedores e imprensa. Não sem alguma indiferença. O fim da narrativa, ressalte-se, de fato aconteceu. A campeã mundial e europeia realmente ganhou, mas, antes disso, teve lutar muito para derrubar um enorme adversário. Nos pênaltis, por 7 x 6, na Arena Castelão, passou pelos italianos e pelo peso planetário de suas camisas. A tradição é azul, mas o momento é vermelho. O time de Del Bosque joga a final, domingo, no Maracanã, contra o Brasil – em um duelo que o mundo espera há muito tempo. A equipe de Prandelli participa da insípida disputa de terceiro e quarto lugares no mesmo dia, mas em Salvador.

JOGO – O primeiro tempo foi diferente do habitual. A Espanha, em geral, costuma oprimir seus adversário. Toca a bola, mexe para um lado, para outro. Busca uma brecha que fatalmente aparece para, só então, abandonar o “Tiki-Taka” e agredir. Isso não aconteceu. O primeiro passo foi conseguido: A Roja teve mais posse – mas não conseguiu transformá-la em efetividade.

A Itália fez com que a troca de passes da Campeã Mundial fosse estéril. Houve apenas duas oportunidades vermelhas: A primeira logo a um minuto, com o atacante Pedro. A segunda só aos 36, com Fernando Torres. Ambas diferentes do padrão. A do jogador do Barcelona após um lançamento longo de Piqué. A do atacante do Chelsea, em uma jogada puramente individual.

O time italiano contrapôs a horizontalidade do futebol espanhol com verticalidade. Deve ter se inspirado no Bayern de Munique campeão da Champion’s League. Outra estratégia era marcar forte e explorar as laterais do campo. Candreva, Maggio e Giaccherini – sobretudo esses dois últimos- destacaram-se na primeira etapa.. O lateral-direito perdeu duas grandes oportunidades. Aos 16, lançamento longo encontrou o jogador escapando pela direita. Ele tentou surpreender a saída de Casillas com um toque de cabeça, mas o goleiro evitou. Aos 35, Giaccherini recebeu na esquerda, cortou para dentro e cruzou. Maggio cabeceou sozinho e o goleiro pegou de novo. Ao fim da etapa, a impressão era clara: a Itália fora bem melhor na partida.

No segundo tempo, virou jogo de xadrez. Prandelli fez uma mudança. Tirou Barzagli, machucado, e colocou o meio-campista Montolivo. O sistema não mudou – já que o técnico recuou De Rossi para a defesa. Aos seis minutos, foi a vez de Del Bosque mexer. E ele usou uma carta que há muito guarda na manga: saiu David Silva e entrou Jesus Navas – para dar velocidade e profundidade a um ataque inócuo até então.

Deu certo. Relativamente certo. A Itália, conquanto continuasse melhor na partida, não mantinha o volume ofensivo. Iniesta começou a aparecer na partida. Aos 3 minutos, tabelou com Torres, mas chutou mal. Aos 11, Fernando Torres fez jogada pela direita e tocou para Navas, que bateu cruzado. A partir dos 20, a Tetracampeã mundial voltou a crescer. Mas se tornou mais previsível: Giaccherini caiu de produção. A maioria das jogadas foram criadas por Candreva, pela esquerda.

PRORROGAÇÃO – A Itália mudou. Saiu Gilardino, mau na partida, e entrou Giovinco. A Espanha chegou com perigo logo no primeiro minuto. Buffon saiu de soco em escanteio. Jesus Navas pegou o rebote de primeira e quase surpreendeu. A Itália respondeu com ainda mais perigo um minuto depois. Giaccherini aproveitou cruzamento e encheu o pé. Na trave de Casillas. Del Bosque mudou. Tirou Fernando Torres, centroavante, e colocou Javi Martinez, volante, para atuar como atacante (!). Queria explorar o 1,90m do atleta no jogo aéreo. E foi essa a principal aposta da campeã mundial e europeia.

O jogo foi tenso como só uma prorrogação pode ser. Além do nervosismo natural, some o cansaço de jogadores que enfrentaram 120 minutos de ritmo intenso. A Espanha chegava mais, mas a Itália também assustava eventualmente. A cinco minutos do fim, Xavi mandou a bomba de fora da área. Buffon falhou e apenas resvalou na bola – que, por pura sorte, tocou na trave. Ele deveria ter imitado seu antecessor Pagliuca e beijado a trave. No minuto seguinte, no entanto, ele se recuperou. Navas entrou pela direita e chutou rasteiro. O arqueiro salvou e colocou para escanteio.

PÊNALTI – Candreva bateu o primeiro. Que categoria. Cavadinha, trnquila, no meio – enquanto Casillas pendia demoradamente para o outro lado. Xavi, pela Espanha, bateu com firmeza. Buffon nada pôde fazer. Aqulani, por sua vez, bateu com mais força – o goleiro da Espanha foi no lado certo, mas não pegou. O mesmo aconteceu com o seguinte, Andrés Iniesta. De Rossi voltou ao começo: arqueiro de um lado, embaixo, bola do outro, em cima. Piqué quase o repetiu. No mesmo canto do volante da Roma, mas bateu rasteiro.

Giovinco bateu na direita. Casillas ficou parado no meio. Sérgio Ramos empatou de novo: 4 x 4. Chegava o momento derradeiro. Pirlo, um dos craques da Itália, bateu bem. Mata, em seguida, também. Às cobranças alternadas, portanto. Montolivo converteu, Busquets empatou. Aí veio Bonnuci. Foi para a bola e encheu o pé. Por cima. Navas bateu de novo e decidiu. Fim de jogo. Espanha na final.

Espanha 7×6 Itália – Arena Castelão-CE "Fotos"

A opinião era generalizada – e o tom, quase de desdém: a Espanha venceria a Itália com facilidade, previam torcedores e imprensa. Não sem alguma indiferença. O fim da narrativa, ressalte-se, de fato aconteceu. A campeã mundial e europeia realmente ganhou, mas, antes disso, teve lutar muito para derrubar um enorme adversário. Nos pênaltis, por 7 x 6, na Arena Castelão, passou pelos italianos e pelo peso planetário de suas camisas.

Espanha e Itália duelam por classificação à final da Copa das Confederações contra o Brasil

Espanha tenta confirmar favoritismo contra Itália e conquistar inédita classificação à final da Copa das Confederações.

O clima será de revanche nesta quinta-feira no Castelão, em Fortaleza, onde, a partir das 16 horas, Espanha e Itália duelarão por uma vaga na decisão da Copa das Confederações. O último encontro entre as duas seleções teve gostos diferentes: de frustração para os italianos e de glória para os espanhóis. Foi na final da última Eurocopa, em julho de 2012, vencida por convincentes 4 a 0 pela Fúria.Espanha Treinando

Diminuir os erros defensivos e não sofrer gols são as prioridades da seleção italiana. E a preocupação não se explica apenas goleada contra os espanhóis no último confronto, mas também pelos oito gols sofridos nas três partidas da primeira fase: um contra o México, três diante do Japão e quatro contra o Brasil.

“Precisamos sofrer menos gols. Nossos erros defensivos não condizem com uma equipe de nosso nível e com nosso talento”, declarou o goleiro e capitão da Itália, Gianluigi Buffon.

Apesar do favoritismo, o técnico da Seleção Espanhola, Vicente del Bosque, mantém a cautela. “Vamos enfrentar uma equipe complicada, mas queremos seguir adiante e nos classificar para a final”.

O desgaste físico pelo fim da temporada europeia causa reflexos nas duas seleções. A Itália já perdeu o lateral direito Abate e o atacante Mario Balotelli, que foram cortados e voltaram a Milão. No lado da Espanha, o volante Fábregas e o centroavante Soldado reclamam de um desconforto muscular, mas devem jogar.

A comissão técnica italiana ainda não dá como certa a volta de Pirlo, que foi poupado no jogo contra o Brasil. Após cumprir suspensão, De Rossi volta à equipe comandada por Cesare Prandelli para tentar desmentir o favoritismo espanhol. “A Espanha é melhor do que nós. Eles são os favoritos, mas podemos colocá-los em dificuldade”, disse Prandelli.Itália Treinando

Para o zagueiro Sergio Ramos os boatos sobre uma suposta festa após a vitória contra o Uruguai, na estreia da Copa das Confederações, são uma tentativa de desestabilizar a Espanha. “A seleção, a essa altura, não vai ficar desestabilizada por questões que não têm importância”, garante.
Jogadores da Seleção Italiana treinam na Arena Castelão, palco do jogo contra Espanha, pela semifinal do torneio
Na história, Itália e Espanha se enfrentaram 31 vezes, com 12 empates, nove vitórias espanholas e dez italianas. A última vez que a Azzurra derrotou a Espanha foi em agosto de 2011, por 2 a 1, em partida amistosa.

Em sua segunda participação na Copa das Confederações, as duas seleções brigarão pelo direito de disputar, pela primeira vez, a final da competição que serve como teste para a Copa do Mundo.

ESPANHA X ITÁLIA

ESPANHA: Casillas; Arbeloa, Sergio Ramos, Piqué e Jordi Alba; Busquets, Xavi, Iniesta e Fábregas (David Silva); Pedro e Soldado (Fernando Torres)
Técnico: Vicente del Bosque

ITÁLIA: Buffon; Maggio, Bonucci, Chiellini e De Sciglio; De Rossi, Pirlo, Montolivo Marchisio e Diamanti; Gilardino
Técnico: Cesare Prandelli

Local: Estádio Castelão, em Fortaleza (CE)
Data: 27 de junho de 2013, quinta-feira, às 16h

Árbitro: Howard Webb (Inglaterra)
Assistentes: Michael Mullarkey e Darren Cann (Inglaterra)

Brasil 2×1 Uruguai – Arena Mineirão-BH "Fotos"

Com a vitória, o Brasil se garantiu na decisão da Copa das Confederações. O jogo acontecerá no domingo, no Maracanã, às 19h. O adversário da Seleção será o vencedor da segunda semifinal. Itália ou Espanha. Pedreira de qualquer forma.

Brasil vence Uruguai e está na final da Copa das Confederações

Publicado em por Rômulo Alcoforado

Perdoe o clichê, leitor. Mas, ainda que não fosse a decisão de um mundial, era impossível não associar este Brasil x Uruguai com o de  1950. A maior tragédia da história do futebol nacional teve o Uruguai como antagonista. E o ambiente lembrava, mesmo de longe, o daquela decisão. A Seleção vinha em bom momento, gozava de favoritismo. Jogava em casa, empurrado por milhares de vozes. Que provavelmente também se multiplicarão com o tempo. Mas o coração verde e amarelo não aguentaria outro revés nos mesmos termos. O placar do jogo foi igual àquele: 2 x 1. Mas, desta vez, sorriem os brasileiros, favorável á Canarinha.

Com a vitória, o Brasil se garantiu na decisão da Copa das Confederações. O jogo acontecerá no domingo, no Maracanã, às 19h. O adversário da Seleção será o vencedor da segunda semifinal. Itália ou Espanha. Pedreira de qualquer forma.

JOGO – O Mineirão cantou, em uníssono, a parte final do hino nacional. O clima ali era de emoção. O Brasil queria atropelar o Uruguai a partir do começo da partida. Sufocar o adversário desde que o primeiro apito soasse. Como fora contra Japão, México e – em menor medida- contra a Itália. Não conseguiu. Pelo contrário: a Celeste conseguiu segurar a Seleção e chegou mais perto de marcar no começo.

Aos 13, David Luiz puxou infantilmente Lugano dentro da área. Ele deve ter acreditado que o árbitro interpretaria o lance comoo empurra-empurra comum dentro da área. A marcação de pênalti explicitou o quanto ele estava errado. Forlán foi para a cobrança e bateu mal. Júlio Cesar, ao contrário, foi bem. Pulou no lado certo – o esquerdo – e salvou.

A defesa despertou a Seleção da letargia em que se encontrava. Não completamente, porém. O time melhorou um pouco na partida. O primeiro chute verde e amarelo do duelo foi aos 16 minutos, com Oscar, que experimentou de fora da área. Pelo alto.

A estatística engana. Ao fim do primeiro tempo, o Brasil tinha 68% de posse de bola. O domínio era falso. Embora tivesse o domínio da pelota, não conseguia ser efetivo. O gol que encontrou, aos 40, foi fortuito – e fruto do talento individual. Primeiro, do volante Paulinho. Seu lançamento para Neymar, dentro da área, foi milimétrico. O atacante do Barcelona matou uma bola no peito e tocou na saída de Muslera. O goleiro do Uruguai evitou o primeiro, mas, no rebote, estava totalmente vencido. Fred pegou o rebote e bateu de sem-pulo.

O retorno do segundo tempo não trouxe boas notícias para o Brasil. O time teve pouco tempo para valorizar a vantagem – porque ela não durou muito. Aos 2 minutos do segundo tempo, Cavani empatou o jogo. A bobeira desta vez foi de Thiago Silva. OUruguai trocou passes e chegou dentro da área brasileira. David Luiz rasgou,. a bola bateu no jogador uruguaio e voltou. Thiago Silva cortou sem força, no pé de Cavani. O chute foi no canto, sem chance para Júlio César.

O Brasil não se encontrava. Aos 18, Felipão fez a primeira substituição. Tirou o inócuo Hulk e colocou Bernard. O jogador do Atlético-MG entrou querendo. Fez uma boa jogada aos 21. Depois de receber pelo lado esquerdo, driblou o defensor, cortou para dentro e tocou para Fred. O centroavante bateu de primeira para fora. Um minuto antes, o Uruguai assustara com uma cabeça perigosíssima de Suárez.

Aos 27, Hernanes entrou no lugar do novamente apagado Oscar. Aos 33, o atacante Cavani recebeu em posição perigosa, driblou o mesmo Hernanes e chutou para gol. A bola desviou em Luiz Gustavo e não entrou por muito, muito pouco. O jogo era tenso demais. A ansiedade era quase palpável. Os segundos demoravam-se longamente.

Mas, aos 41, o volante Paulinho decidiu a partida. Depois de escanteio cobrado por Neymar, o volante subiu no segundo pau e colocou no gol. Fim de jogo, fim de sofrimento. O Brasil está na final.

Brasil encara Uruguai em palco de 'novidades' para o craque Neymar

Por globo.com

Três de novembro de 2012. O Santos goleou o Cruzeiro por 4 a 0, em Belo Horizonte, e Neymar foi aplaudido pela torcida rival. Vinte e quatro de abril de 2013. O Brasil empatou com o Chile em 2 a 2, também na capital mineira, e o atacante escutou a pior vaia de sua carreira. Vinte e seis de junho de 2013. Na semifinal da Copa das Confederações, às 16h (de Brasília), contra o Uruguai, no Mineirão, o agora craque do Barcelona tem a chance de, enfim, viver uma situação “normal” na cidade: ser ovacionado por quem torce por ele, como foi em Brasília, Fortaleza e Salvador.

– As coisas ruins a gente esquece, deixa para trás. Quero continuar fazendo gols e ajudando a Seleção – declarou recentemente Neymar, em relação às vaias.

Embalado pelas vitórias sobre Japão, México e Itália na primeira fase, o Brasil encontra uma Celeste que perdeu da Espanha, mas depois venceu a Nigéria por 2 a 1 e goleou o Taiti por 8 a 0. Em seu favor, o Uruguai tem um retrospecto interessante sob o comando de Óscar Tabárez: eliminou os anfitriões dos três torneios oficiais que disputou recentemente (a Venezuela, na Copa América de 2007, a África do Sul, na Copa do Mundo de 2010, e a Argentina, na Copa América de 2011).

– Da mesma maneira que nós teremos atenção com Forlán, Cavani e Suárez, se perguntarem ao Tabárez, ele também vai ter em relação a fulano, beltrano, cicrano… – declarou o técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari.

Treino Seleção Brasileira Belo Horizonte (Foto: Agência AFP)
Descontraídos, brasileiros brincam no gramado do Mineirão (Foto: Agência AFP)

É preciso mesmo ter atenção com Neymar, por exemplo. Principal jogador da Copa das Confederações até aqui, o atacante fez gol em todos os jogos, deu assistências e conquistou em todas as partidas o prêmio “man of the match” (o homem da partida). Aplaudido e ovacionado nos duelos anteriores, o jogador do Barcelona espera ter a mesma sorte jogando em Belo Horizonte.

– Espero sempre ajudar a Seleção fazendo isso nas partidas: gols, assistências, faltas… – disse o camisa 10, o jogador que mais apanhou e que mais bateu na primeira fase do torneio, com 18 faltas recebidas e 13 cometidas.

E foram as faltas o assunto do dia no Uruguai. Lugano juntou um fator ao outro para justificar um certo temor com a arbitragem do chileno Enrique Osses, e o protagonista foi Neymar. Para o zagueiro uruguaio, o camisa 10 brasileiro tem uma “habilidade” bem específica: atirar-se no chão para cavar faltas.

– Muito mais do que as que o Brasil pode fazer, me preocupam as faltas que o Neymar pode simular. Ele é muito habilidoso nisso, se joga sistematicamente. Por ser muito leve, consegue fazer o salto muito bem – garantiu Lugano, que acredita numa arbitragem justa. – Haverá uma pressão especial por tudo que se fala, mas todos os olhos do mundo estarão sobre ele (Enrique Osses). Tomara que tenha uma partida perfeita, não cometa erros. Dentro de campo, nós vamos colaborar para isso.

A partida desta quarta-feira, às 16h, em Belo Horizonte, será transmitida ao vivo pela Rede Globo, SporTV e GLOBESPORTE.COM. O site também acompanha o duelo em Tempo Real.

Brasil treina forte na véspera da semifinal

Em um trabalho puxado antes do confronto, Felipão comandou um treino tático, deixando bem claro o time que vai entrar em campo: Julio César, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar; Hulk, Neymar e Fred.

As boas notícias para o treinador ficaram por conta das recuperações de David Luiz, que havia sofrido uma pancada na coxa esquerda, e Paulinho, recuperado de uma entorse no tornozelo. Os dois treinaram normalmente e estão confirmados.

Treino Seleção Brasileira Belo Horizonte (Foto: Agência AFP)
Jogadores do Seleção fazem aquecimento durante treino de reconhecimento do Mineirão (Foto: Agência AFP)

Bernard, que tinha levado uma pancada durante o treino da última segunda-feira, em Belo Horizonte, também participou da atividade e ficará à disposição de Felipão. Na coletiva antes do jogo, o técnico elogiou o adversário.

– Conheço o Tabárez de muitos anos, sei a forma como ele trabalha e a vem apresentando na seleção. Sabemos que o Cavani foi o goleador máximo dos últimos anos na Itália, Forlán foi o melhor da Copa de 2010, Suárez foi o melhor da Liga da Inglaterra, todos os times brasileiros querem o Lugano… Tem muita qualidade. É isso que temos passado aos nossos jogadores.

No treino desta terça-feira, três sustos. No primeiro, Luiz Gustavo se chocou com Bernard e ficou caído no gramado. Minutos depois, o problema foi com Fernando. Por último, Neymar levou uma pancada e foi atendido fora de campo. Mas nada que preocupe a comissão técnica da seleção brasileira.

Três atacantes na Celeste?

Desacreditado no início da competição devido à fraca campanha nas eliminatórias para a Copa de 2014 (atualmente ocupa a quinta posição, o que o levaria à repescagem), o Uruguai chega ao Mineirão disposto a estragar mais uma vez a festa do dono da casa. Foi assim nas três últimas competições que a Celeste participou: em 2007 e 2011, eliminou Venezuela e Argentina, respectivamente, na Copa América. Em 2010, venceu a África do Sul por 3 a 0 na fase de grupos da Copa do Mundo e ajudou a eliminar o anfitrião.

Treino fechado do Uruguai  (Foto: Edgard Maciel)
Uruguaios realizaram treino fechado nesta terça-feira (Foto: Edgard Maciel)

Diante do Brasil, a tendência é que Óscar Tabárez repita a formação ofensiva que derrotou a Nigéria por 2 a 1, com Forlán, Suárez e Cavani no ataque. Pelo menos esta foi a dica dada pelo treinador durante o treino fechado no Independência na tarde de terça-feira. A única dúvida parece ser no meio, entre Diego Pérez e Arévalo Rios. No Mineirão, os jogadores fizeram apenas o reconhecimento do gramado. Na última entrevista coletiva antes do jogo, porém, o comandante preferiu não revelar a escalação.

– Não vou revelar a escalação. Tivemos apenas um treino antes do jogo, e o tempo de trabalho foi curto. O fato de termos trabalhado com portas fechadas, como outras seleções fazem, não é mistério. Estamos só obedecendo as regras da competição. Não somos obrigados a abrir o treino, e isso ainda nos é conveniente – resumiu Tabárez.

Brasil x uruguai
Julio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar; Hulk, Neymar e Fred. Muslera; Maxi Pereira, Lugano, Godín e Cáceres; Arévalo Rios, Álvaro González e Cristian Rodriguez; Forlán, Suárez e Cavani.
Técnico: Luiz Felipe Scolari. Técnico: Óscar Tabárez.
Data: 26/06/2013 (quarta-feira) / Horário: 16h
Local: Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte (MG) / Árbitro: Enrique Osses (Chile)