Ginástica

Brasil é bronze por equipes na ginástica artística e alcança sete finais por aparelho

A seleção brasileira feminina de ginástica conquistou na noite deste sábado, 27 de julho, a medalha de bronze na disputa por equipes, com 158.550 pontos, atrás somente de Estados Unidos (171.000) e Canadá (160.600). De quebra, o Time Brasil ainda brigará por outras sete medalhas na segunda-feira, 29.

Sem Jade Barbosa, preservada para o Mundial de Stuttgart (Alemanha), que é classificatório olímpico, a equipe brasileira foi formada por Flávia Saraiva, Carolyne Pedro, Thais Fidelis e Lorrane Oliveira (competiu somente nas barras assimétricas).

O Brasil iniciou sua rotação no salto (41.500). Depois, nas barras assimétricas (40.100), a equipe brasileira teve como destaques Lorrane (14.000) e Carolyne (13.150), ambas classificadas para a final. Na trave (37.050), apesar de uma queda, Flavinha se colocou entre as oito melhores: 12.900. E, por fim, o solo (39.900) reservou belas apresentações de Flavinha e Thais, que asseguraram seus lugares na final do aparelho e do individual geral.

Neste domingo, 27, enquanto as meninas descansam, é a vez dos homens disputarem a final por equipes. O time brasileiro é formado por Arthur Zanetti, Arthur Nory, Francisco Barretto, Caio Souza e Luis Guilherme Porto.

Desempenho do Brasil por aparelhos:
Salto: 41.500
Barras assimétricas: 40.100
Trave: 37.050
Solo: 39.900

Barras assimétricas
Lorrane Oliveira – 4° lugar (14.000)
Carolyne Pedro – 6° lugar (13.150)

Trave
Flávia Saraiva – 6° lugar (12.900)

Solo
Flávia Saraiva – 3° lugar (13.800)
Thais Fidelis – 6° lugar (13.300)

Individual geral
Flávia Saraiva
Thais Fidelis

Fonte: COB

Após 4h30 de espera, Brasil é ouro por equipes na ginástica artística masculina

Foram necessárias quatro horas e meia para saber o resultado final, mas a espera valeu a pena. Após liderar a subdivisão 1, tendo somado 250.450 pontos, a equipe brasileira voltou à Vila Pan-americana e aguardou o término da sessão noturna, com os países da subdivisão 2, para enfim comemorar: medalha de ouro, repetindo Guadalajara 2011.

“Estávamos bastante apreensivos. No último aparelho, acompanhamos fazendo conta. Estamos muito felizes, com a sensação de dever cumprido”, disse Arthur Nory, referindo-se à disputa acirrada com os Estados Unidos, que terminou com a prata: 249.400.

“A competição por equipe é mais divertida, é mais gostosa. Nosso objetivo nos Jogos Pan-americanos era conquistar um bom resultado por equipes”, complementou Arthur Zanetti.

O Brasil iniciou sua rotação nas paralelas (43.150), comandado por Caio Souza (14.850), e depois chegou à barra fixa (42.300), onde um problema no aparelho obrigou Arthur Nory a se apresentar uma segunda vez. O medalhista olímpico manteve a concentração e fez a maior nota do dia: 14.400. No solo (40.850), Nory voltar a puxar a equipe brasileira e obteve a melhor nota: 13.750.

No cavalo com alças, o pior desempenho da equipe: 38.750, ainda que Francisco Barretto tenha somado 13.950. Porém, logo depois, as argolas colocaram o Brasil novamente no rumo: 42.050. Zanetti avançou à final com a melhor nota: 15.000. Por fim, o salto (40.850) ainda reservou uma bela apresentação do estreante Luis Guilherme Porto: 14.300.

Além da medalha de ouro, o Brasil ainda se classificou para 12 finais individuais. Nory está em quatro: solo, paralelas, barra fixa e individual geral; Caio Souza brigará por outras três medalhas: nas argolas, nas paralelas e no individual geral; Zanetti, além das argolas, briga por uma medalha no solo; Barretto também está em duas: cavalo com alças e barra fixa; e, finalmente, Luis Porto disputará a final do salto.

Nesta segunda-feira, 29 de julho, Nory e Caio já terão pela frente as disputas do individual geral, a partir das 20h (horário de Brasília). Mas antes disso, às 15h, tem Flávia Saraiva e Thais Fidelis na mesma prova.

Desempenho do Brasil por aparelhos

Barras paralelas: 43.150

Barra fixa: 42.300

Solo: 40.850

Cavalo com alças: 38.750

Argolas: 42.050

Salto: 43.350

Fonte: COB

Flávia Saraiva conquista bronze no individual geral na ginástica artística em Lima

Terceiro dia de competições, terceira medalha para o Brasil nos Jogos Pan-americanos Lima 2019. Na tarde desta segunda-feira, 29, Flávia Saraiva repetiu o resultado de Toronto 2015 e conquistou a medalha de bronze no individual geral (54.350). Mas dessa vez, diferentemente de quatro anos atrás, a emoção foi muito maior. A brasileira travou uma disputa apertada com a norte-americana Kara Eaker e conseguiu a virada no último aparelho, o solo. Thais Fidélis, que também disputou a final, terminou na sexta colocação.
“É muito gratificante receber esta medalha, especialmente por tudo o que eu treinei. Sei que não foi só eu, todas as atletas treinaram muito para estarem aqui disputando as finais. Este ano foi meio difícil para voltar à minha melhor forma, sou muito exigente comigo mesma. Estar recebendo esta medalha me deixa emocionada. Não foi só um trabalho meu, mas de toda a equipe”, disse Flávia.
A brasileira admitiu que estava mais tranquila na rotação da trave, aparelho em que sofreu uma queda na prova por equipe, no último sábado. “Consegui chegar mais calma na trave, estava bem tranquila. Competi um pouco melhor, mas tive uma falha e, na próxima quarta, não quero errar de novo. Vai ser bem melhor”, avisou a ginasta, que está em duas finais individuais (trave e solo).
Sexta colocada, com 52.700, Thais deixou o ginásio bastante satisfeita: “Acho que competi melhor do que no primeiro dia e isso me deixou muito feliz. Agora, é descansar e me preparar para a final do solo. Hoje fui melhor do que no sábado e minha expectativa é, no mínimo, repetir o que fiz no individual geral.
Nesta terça-feira (30), começam as finais por aparelho e duas brasileiras participarão da final das assimétricas, a partir das 17h10 (horário de Brasília), Carolyne Pedro e Lorrane Oliveira.
Programação da ginástica artística feminina
30/7 – Finais por aparelho: salto (15h40) e assimétricas (17h10)
31/7 – Finais por aparelho: trave (15h) e solo (16h20)

Dobradinha na ginástica: Caio Souza e Arthur Nory fazem história no individual geral

A segunda-feira terminou da melhor forma possível para o Time Brasil em Lima. Após conquistar 12 medalhas durante o dia, os ginastas brasileiros ainda encerraram a jornada com mais duas conquistas: ouro para Caio Souza (83.500) e prata para Arthur Nory (82.950). Pela primeira vez na história dos Jogos Pan-americanos, a ginástica brasileira conquistou medalhas no individual geral masculino.

Os brasileiros iniciaram a rotação no solo, e Nory deixou seu cartão de visitas: 14.050. Caio fez 13.600. No cavalo com alças, ambos anotaram 12.950, mas melhoraram consideravelmente em relação à fase classificatória. Nas argolas, foi a vez de Caio se destacar (14.250), enquanto Nory registrou 13.050. Já no salto, ambos deslancharam: 14.650 para Nory, 14.600 para Caio. Ao chegarem nas barras paralelas, já na liderança, a dupla mostrou que o dia era realmente deles: 13.850 para Nory e 13.700 para Caio. E, para coroar a apresentação, 14.400 na barra fixa tanto para Caio quanto para Nory.

Esta foi a quarta medalha pan-americana na carreira de Caio, a segunda em dois dias. Em Toronto 2015, o ginasta do Pinheiros havia sido prata no salto e por equipe. Nory, por sua vez, obteve seu primeiro pódio pan-americano em provas individuais (ouro em Lima 2019 e prata em Toronto 2015, ambas por equipe).

Nesta terça-feira, os meninos do Brasil voltam ao ginásio Villa El Salvador para disputar outras cinco medalhas: Nory e Zanetti no solo; Francisco Barretto no cavalo com alças; e Caio e Zanetti nas argolas.

Veja as notas dos brasileiros por aparelho:

Caio Souza – 83.500

Solo: 13.600

Cavalo com alças: 12.950

Argolas: 14.250

Salto: 14.600

Barras paralelas: 13.700

Barra fixa: 14.400

Arthur Nory – 82.950

Solo: 14.050

Cavalo com alças: 12.950

Argolas: 13.050

Salto: 14.650

Barras paralelas: 13.850

Barra fixa: 14.400

Fonte: www.cob.org.br

Entenda qual a importância de saber seu V02 máximo antes de se exercitar

O VO2 máximo também chamado de consumo máximo de oxigênio representa a capacidade aeróbica máxima de um indivíduo. Na tradução, o VO2 seria a maior capacidade de oxigênio que uma pessoa consegue utilizar do ar inspirado enquanto faz um exercício físico aeróbico. Ele pode ser estimado por uma série de testes e fórmulas, mas seu valor exato só pode ser medido através do Teste Cardiopulmonar do Exercício (TCPE) também conhecido como Ergoespirometria. Esse exame feito pelo Cardiologista ou Médico do Esporte, acopla os dados obtidos no tradicional Teste Ergométrico, a análise dos gases expirados durante o exercício.

euatleta respiração (Foto: Getty Images)
Consumo máximo de oxigênio, ou VO2 máximo, representa a capacidade aeróbica de um indivíduo (Foto: Getty Images)

Além do consumo direto do oxigênio, o TCPE fornece variáveis que adicionam diversas informações sobre as respostas dos sistemas cardiovascular, respiratório, vascular pulmonar e muscular esquelético ao estresse físico, tendo especial valor na prescrição mais precisa de exercícios físicos aeróbicos e em pacientes com doenças cardiovasculares.

Qual o valor normal do VO2?
Para explicar melhor vamos considerar um indivíduo em repouso, lendo um livro, por exemplo. O VO2 desse indivíduo em repouso poderia ser estimado em aproximadamente 3,5 ml/(kg.min) o que é também chamado de 1 MET.

Esportes que mais gastam calorias: conheça o MET, seu aliado na dieta

O MET ou equivalente metabólico é uma unidade que representa o consumo de oxigênio no repouso, ou seja, 1 MET = 3,5 ml/(kg.min). No entanto, esse valor pode variar muito entre as pessoas devido a idade, sexo, hábitos, hereditariedade e condicionamento cardiovascular.

Espera-se de um homem saudável que ele alcance no esforço um VO2 máximo em torno de 35 a 40 ml/(kg.min), ou seja, 10 vezes o VO2 de “repouso“ (ou 10 METS).

Atletas de elite chegam a alcançar um VO2 máximo de 70 ml/(kg.min), ou seja, conseguem aumentar em até 20 vezes o VO2 de repouso. Já as mulheres possuem tipicamente um VO2 40-60% menor do que os homens, em torno de 27 a 30 ml/(kg.min). Vale lembrar que o VO2 máximo pode aumentar com o treinamento e diminuir com a idade.

 Quem precisa fazer um Teste Cardiopulmonar do Exercício para medir o VO2?
– Atletas amadores para prescrição adequada de exercícios
– Atletas profissionais para acompanhamento de treinamento
– Pessoas com queixas de cansaço ou falta de ar no exercício.
– Avaliação de resposta de medicamentos (em hipertensos, por exemplo)
– Para prescrição de exercícios para cardiopatas ou pneumopatas
– Seleção de pacientes para transplante cardíaco ou pulmonar
– Avaliação da gravidade e prognóstico da insuficiência cardíaca ou pneumopatias crônicas.
– Grandes obesos e aqueles que vão ser submetidos a cirurgia bariátrica
– Para risco cirúrgico ou pré-operatório

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Pessoas com falta de ar ou cansaço durante o exercício devem fazer o teste cardiopulmonar (Foto: Getty Images)

Pacientes com doenças arteriais dos membros inferiores com um VO2  baixo podem ter alguma doença no coração?

Durante o esforço é normal que o consumo de oxigênio suba progressivamente em qualquer indivíduo. Quando isso não acontece, o médico deve investigar, principalmente, doenças como a insuficiência cardíaca e as doenças pulmonares (pneumopatias crônicas). Segundo a classificação da American Heart Association (AHA) um VO2 pico <20 ml/(kg.min) já pode significar doença.

VO2 máximo é a mesma coisa que Limiar Anaeróbio?
Não, o Limiar Anaeróbio (LA) ou 1º Limiar Ventilatório é o ponto do exercício no qual inicia-se o acúmulo de lactato no sangue, com conseqüente tamponamento pelo sistema do bicarbonato, elevação da produção de gás carbônico (VCO2) e necessidade de aumento da ventilação para a sua excreção. Ao contrario do que se pensa, no exercício respiramos mais rápido não porque precisamos de mais oxigênio mas para retirar o CO2 produzido pelas células.

Há também o 2º Limiar Ventilatório, ou Ponto de Compensação Respiratória, que é o momento no qual se detecta a incapacidade do sistema metabólico em tamponar a acidose progressiva, resultando na necessidade de se excretar maior quantidade de CO2 através de maior hiperventilação.

euatleta personal (Foto: Getty Images)
Teste cardiopulmonar serve também para definir o treino de acordo com as necessidades de cada indivíduo (Foto: Getty Images)

 Porque o VO2 e o Limiar Anaeróbio (LA) são importantes para prescrever o exercício?
Os limiares 1º e 2º são importantes para a prescrição do exercício pois realizá-lo muito abaixo do 1º Limiar não promove condicionamento, e muito próximo ou acima do 2º Limiar traz o risco de se trabalhar em acidose descompensada, o que não é saudável. O percentual do VO2 no LA está em torno de 50% do VO2 máximo em indivíduos normais, elevado a mais de 70% em atletas e rebaixado a cerca de menos de 30% em doentes graves.

O Teste Cardiopulmonar do Exercício só serve para medir o VO2?
Não, além da avaliação do VO2 máximo, do LA e do Ponto de Compensação respiratória, o exame avalia o comportamento da pressão arterial antes, durante e após o exercício. Avalia também a variação da frequência cardíaca no esforço e na recuperação, podendo ajudar no diagnóstico da asma induzida pelo exercício e as alterações patológicas cardiovasculares como o infra-desnivelamento do segmento ST e as arritmias cardíacas malignas. Além disso, diversas variáveis são avaliadas pelo médico no TCPE como o Pulso de Oxigênio, os equivalentes ventilatórios VE/VCO2 e VE/VO2, VE/CO2 Slope, a Reserva Ventilatória,  o T ½, entre outros…

Vou iniciar um treinamento ou quero emagrecer, vale a pena fazer um TCPE?
Sim, o mais importante é que o TCPE vai excluir possíveis contra-indicações que você possa ter para fazer exercício, principalmente os de alta intensidade. O Teste agregará segurança não somente para você, mas também para toda equipe de profissionais que lhe acompanham (médicos, nutricionistas, educadores físicos e o fisioterapeutas). Além disso, com a realização de exames seriados é possível que você avalie e quantifique a melhora da sua performance.

Bibliografia:
AHA Scientific Statement – Exercise Standards for Testing and Training. Gerald F. Fletcher; Gary J. Balady, MD; Ezra A. Amsterdam. March 3, 2015.
Descomplicando a Ergoespirometria para o Cardiologista Clínico – DERCAD/RJ – SOCERJ – Fernando Cesar de Castro e Souza. Volume 7, 2010
Arena A, Myers J, Aslam SS, et al. Peak VO2 and VE/ VCO2 slope in patients with heart failure: A prognostic comparison. Am Heart J 2004;147:354–60.
Corrà U, Mezzani A, Bosimini E, et al. Ventilatory response to exercise improves risk stratification in patients with chronic heart failure and intermediate functional capacity. Am Heart J 2002;143:418-26.
Arena A, Myers J, Abella J, et al. Development of a ventilatory classification system in patients with heart failure. Circulation. 2007;115:2410-2417.
Arena A, Myers J, Abella J, et al. The Ventilatory classification system effectively predicts hospitalization in patients with heart failure. J Cardiopulm Rehabil 2008;28:195–198.
Arena A, Myers J, Abella J, et al. The partial pressure of resting end-tidal carbon dioxide predicts major cardiac events in patients with systolic heart failure. Am Heart J 2008;156:982-88.
Sun X-G, Hansen JE, Beshai JF, et al. Oscillatory Breathing and Exercise Gas Exchange Abnormalities Prognosticate Early Mortality and Morbidity in Heart Failure. J Am Coll Cardiol 2010;55:1814–23.
Klainman E, Fink G, Lebzelter J, et al. The relationship between left ventricular function assessed by multigated radionuclide test and cardiopulmonary exercise test in patients with ischemic heart disease. Chest 2002;121:841- 845. 8. Belardinelli

*As informações e opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do Globoesporte.com / EuAtleta.com

Redenção: Diego Hypolito conquista prata, e Arthur Nory é bronze no solo

Por Amanda Kestelman, Heitor Esmeriz e Marcos Guerra – Rio de Janeiro

“Diego, Diego, Diego!” O bicampeão mundial do solo entrou em êxtase ao ouvir os gritos da torcida na Arena Olímpica do Rio de Janeiro. Era o sinal que a tão sonhada medalha enfim chegou, e foi prateada. Já era a hora de parar de roer unhas e cair em lágrimas. Em sua terceira Olimpíada, Diego Hypolito lavou a alma, colocou no passado as quedas de Pequim 2008 e Londres 2012. Só completar a prova sem quedas já seria uma redenção para o brasileiro em casa, mas quis o destino fazer justiça com Diego e o premiou com uma tão sonhada medalha olímpica. A prata arrancou muitas lágrimas do bicampeão mundial, que ainda teve um companheiro de equipe ao lado. Arthur Nory entrou como franco-atirador, foi a grande surpresa da final e conquistou um bronze para uma dobradinha histórica.

Os brasileiros só não conseguiram ficar à frente de Max Whitlock. O hino tocado no sistema de som foi britânico, mas a festa foi dos donos da casa, com direito a Diego ajoelhado no pódio e torcida cantando o hino do Brasil à capela. No Rio de Janeiro, o solo foi brasileiro.

“Já caí de bunda em Pequim, caí de cara em Londres, agora vou cair de pé para o pódio no Rio”. A frase de Diego depois de ganhar o bronze no Mundial de 2014 parecia prever o enredo da Olimpíada. O discurso do bicampeão mundial até mudou neste ano. O pódio nunca deixou de ser um objetivo, mas completar a série sem quedas, sem falhas graves, era a grande meta. Mais uma queda não seria justo com a trajetória de Diego, de cinco medalhas em Mundiais e dezenas em Copas do Mundo. A redenção foi completa com uma prata  de arrancar lágrimas, de acabar comas unhas das mãos, todas roídas.

– Não sei explicar o quanto estou feliz. Torcida brasileira, povo brasileiro, se meu sonho foi possível, acreditem sempre no que se proporem na sua vida (…) Eu esperei esse dia por 12 anos. Na minha primeira Olimpíada eu me achava campeão, não fui e não me achava merecedor. Caí de cara em Londres. Aqui que eu não era tão bom na ginástica, eu me dediquei, eu abri mão de muita coisa e consegui essa medalha. E essa não é minha última Olimpíada, ainda vou para Tóquio, na graça de Deus – vibrou Diego, muito emocionado.

Max Whitlock fica com o ouro, seguido de Diego e Nory (Foto: Reuters)
Max Whitlock fica com o ouro, seguido de Diego e Nory (Foto: Reuters)

Diego entrou no ginásio muito concentrado, provavelmente nem escutou a Arena Olímpica o ovacionar. O foco estava em acertar cada movimento. E assim o fez. A vibração o tomou ao receber a nota 15,533 e não diminuiu depois de Max Whitlock o ultrapassar com 15,633.

Arthur Nory, que era cotado para medalha na barra fixa e acabou entrando na final do solo, arriscou uma série mais difícil. Estava leve. Não tinha o que perder, só o que ganhar. E ganhou muito: um bronze com a nota 15,433.

– Olimpíada é para gente grande, e eu estou crescendo. Passa um filme na cabeça, tudo que passei, treinei, tanta coisa que tive de abrir mão. Aquela hora no chão, ajoelhado, estava agradecendo por tudo, por tudo mesmo, por todos os dias, por dar o meu máximo, crescer como pessoal e também profissionalmente – celebrou Nory.

Favoritos, os japoneses Kohei Uchimura e Kenzo Shirai e os americanos Sam Mikluak e Jake Dalton falharam, sucumbiram à pressão. Não os brasileiros. Esses já estão acostumados a colocar de lado qualquer problema. Seja a mudança de técnico às vésperas da Olimpíada, seja uma suspensão e uma acusação de injúria racial.

PROVA A PROVA

Quem é rei abre a prova. Dono de dois ouros no Rio, Kohei Uchimura foi o primeiro a se apresentar. Na sua única final por aparelhos, o “robô” falhou, pisou fora do tablado e acabou com 15,241. O King Kohei sabia que estava fora da briga pelo pódio.

Diego foi o segundo a se apresentar. Entrou no tablado ovacionado pela torcida, mas com um semblante sério, concentrado. A cada acrobacia certa, o olhar se focava no próximo movimento. Era preciso acabar sem erros. E foi isso que ele fez. A vibração foi enorme antes mesmo da nota 15,533, um pouco melhor que os 15,500 da classificatória. A redenção estava desenhada, mas era preciso esperar para ver se o pódio também viria.

Atual vice-campeão mundial do solo, o britânico Max Whitlock veio na sequência e praticamente cravou sua série. A nota 15,633 tirou Diego da liderança, mas a esperança de pódio ainda existia, e cresceu depois de outro britânico, Kristian Thomas ficar para trás, com 15,058.

Era a vez de outro brasileiro. Arthur Nory entrou na final como franco-atirador, arriscou uma série mais difícil e se deu bem. Cravou quase tudo. A comemoração efusiva quase o derrubou antes da nota 15,433. Ele estava na terceira posição. Sabia que manter o posto era improvável, mas já estava satisfeito com a nota.

Um dos favoritos, o americano Jake Dalton falhou e só conseguiu 15,133 pontos. O pódio estava perto de Diego. Atual campeão mundial e grande favorito, o japonês Kenzo Shirai precisava falhar muito para sair do pódio. E o improvável aconteceu. A nota 15,366 tirou o superfavorito do pódio e já garantiu Diego no pódio.

Ainda restava o americano Sam Mikulak, líder da classificatória. Arthur Nory, que estava em terceiro, se fechou e não quis ver mais nada. Perdeu o Sam errar e tirar 14,433. A festa brasileira estava completa com uma dobradinha na ginástica.

Arthur Nory, bronze, e Diego Hypolito, prata (Foto: REUTERS/Marko Djurica)
Arthur Nory, bronze, e Diego Hypolito, prata (Foto: REUTERS/Marko Djurica)
Diego Hypolito executa salto que lhe rendeu a prata no solo (Foto: Reuters)
Diego Hypolito executa salto que lhe rendeu a prata no solo (Foto: Reuters)
Arthur Nory aplica pirueta na apresentação que lhe rendeu o bronze no solo (Foto: Reuters)
Arthur Nory aplica pirueta na apresentação que lhe rendeu o bronze no solo (Foto: Reuters)