Judô

Rafael Silva perde para fenômeno do judô e fica com a prata no Mundial

Por Felipe Mendes – LanceNet

Medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Londres-2012, o judoca Rafael Silva, da categoria pesado (acima de 100kg), ficou com a medalha de prata no Mundial de Judô, no Rio de Janeiro. Neste sábado, no Maracanãzinho, Baby foi derrotado na final pelo francês Teddy Riner de ippon por imobilização. Com o resultado o rival de Baby conquistou seu sexto ouro em Mundiais no pesado. Ele tem ainda uma prata no absoluto, além de um ouro e um bronze em Jogos Olímpicos.

Rafael Silva II

Líder do ranking aos 26 anos, Rafael conquistou sua primeira medalha em Mundiais. Antes, ele já havia perdido para Riner na semifinal da Copa do Mundo de Lisboa e nas quartas de final do Mundial de Tóquio, ambas em 2010, nas quartas de final do FIJ Masters de Baku e na final do Mundial Por Equipes, ambas em 2011, e na final do Grand Slam de Paris, em 2012. Aos 24 anos, o francês vice-líder do ranking tem apenas duas derrotas na carreira.

Antes da prata neste Mundial, Rafael tinha ficado em quinto em Tóquio-2010. Neste sábado, o brasileiro ficou de bye na primeira rodada. Com apenas 31 atletas na chave, ele estreou nas oitavas de final contra Iurii Krakovetskii, do Quirguistão. E a vitória veio a 2m05s do fim do combate com um belo ippon.

Nas quartas de final, o brasileiro teve pela frente o japonês Ryu Shichinohe. Até este sábado, os dois tinham se enfrentado três vezes em fases decisivas, com vitória para Rafael no Grand Slam de Tóquio, em 2011, e na semifinal da mesma competição, em 2012. Este ano, o japonês levara vantagem na disputa do bronze no Grand Slam de Paris. Baby, porém, deu o troco e, dessa vez, ganhou com um ippon a 2m03s do fim.

Na semifinal, Rafael encarou o alemão Andreas Toelzer, quarto no ranking mundial, bronze em Londres-2012 e prata no Mundial de Tóquio-2010 e Paris-2011. Em fases decisivas, o brasileiro venceu nas oitavas de final da Copa do Mundo de São Paulo, em 2010, e na semifinal do FIJ Masters, em 2012.

Neste sábado, a luta começou com punição para os dois judocas. Logo depois, Rafael conseguiu uma punição para o alemão. Com a vantagem, o brasileiro administrou o combate e garantiu a vitória.

Maria Suelen Altheman fica com a prata no Mundial de Judô

Líder do ranking mundial da categoria pesado (acima de 78kg), a judoca Maria Suelen Altheman ficou com a medalha de prata no Mundial de Judô, no Rio de Janeiro. Neste sábado, no ginásio do Maracanãzinho, a brasileira foi derrotada na final pela cubana número dois do ranking e campeã olímpica em Londres-2012, Idalys Ortiz. Aos 25 anos, a judoca do Brasil buscava sua primeira medalha em Mundiais.

Nos quatro confrontos antes do Mundial, Maria Suelen havia perdido todas: nas quartas de final do Grand Slam de Tóquio, em 2010, na semifinal dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara-2011, nas oitavas de final do Mundial de Paris-2011, e na semifinal do Pan-Americano de Montreal, em 2012. Neste sábado, o novo revés veio após um ippon por imobilização.

Em 2013, a brasileira faz uma excelente temporada, com 16 vitórias e apenas duas derrotas. Ela foi campeã do Grand Prix de Dusseldorf, em fevereiro, bronze no Europen Open de Praga, em março, ouro no Grand Slam de Baku e prata no World Masters, ambos em maio, prata no Mundial Militar e ouro no Grand Slam de Moscou, ambos em julho.

Quinta colocada na Olímpiada de Londres-2012 depois de perder a disputa do bronze para a japonesa Wen Tong, Maria Suelen começou este Mundial de bye na primeira rodada. Com apenas 21 atletas na chave, estreou nas oitavas de final contra Gulzhan Issanova, do Cazaquistão.

A brasileira havia perdido para a adversária na final da Copa do Mundo de Almaty, em 2011, mas dera o troco na repescagem da Olimpíada de Londres. Neste sábado, Maria Suelen forçou duas punições para a rival. Em seguida, o árbitro puniu a brasileira, mas deu a terceira para a cazaque. Com uma nova punição, Issanova acabou desclassificada.

Nas quartas de final, Maria Suelen encarou a sul-coreana Eunkyeong Kim. Logo em seu primeiro ataque, a brasileira obteve um yuko. No chão, na sequência do golpe, a líder do ranking imobilizou a rival e conseguiu o ippon com apenas 32 segundos.

Na semifinal, Maria Suelen encarou a francesa Emilie Andeol. Em três confrontos anteriores, a rival levou a melhor nas oitavas de final da Copa do Mundo de Varsóvia e na final do Grand Prix de Abu Dhabi, ambas em 2012. Este ano, no entanto, a brasileira ficou com a vitória na final do Grand Prix de Dusseldorf.

Neste sábado, após uma luta amarrada, dura, a brasileira conseguiu a vaga na final ao vencer a francesa por uma punição.

Fonte: LanceNet

Medalha para o Brasil! Mayra Aguiar joga Catherine Roberge (CAN) por ippon e fica com o bronze!

Mayra Aguiar comemora a medalha de bronze no Mundial do Rio de Janeiro (Foto: Agência Reuters)

Mayra Aguiar queria ir além, mas um acidente no meio do caminho a obrigou a refazer seus planos. Se o ouro já não era possível, a gaúcha não tinha outro destino a não ser o único lugar no pódio que restara. Depois de passar pela repescagem, diante da ucraniana Viktoriia Turks, a líder do ranking se impôs em sua última luga. Agressiva desde o início, venceu a canadense Catherine Roberge com um belo ippon e conquistou o bronze no Mundial do Rio de Janeiro, no Maracanãzinho.

Essa é a terceira medalha de Mayra em Mundiais. A judoca de Porto Alegre já havia conquistado a prata em Tóquio, em 2010, e o bronze em Paris, em 2011. No currículo, também carrega um ouro, uma prata e dois bronzes em mundiais da categoria júnior, além do terceiro lugar nos Jogos de Londres. Foi a quarta medalha do Brasil no Mundial, todas conquistadas por mulheres. Antes, Rafaela Silva (ouro), Érika Miranda (prata) e Sarah Menezes (bronze) já tinham subido ao pódio.

Maria Portela também lutou por um lugar na disputa pelo bronze, mas ficou pelo caminho. Na repescagem do peso médio (até 70kg), a gaúcha não conseguiu superar a francesa Lucie Decosse, campeã olímpica em Londres, e se despediu da competição.

O Mundial do Rio continua neste sábado com mais quatro brasileiros na disputa. No peso meio-pesado (100kg), Renan Nunes e o campeão mundial em 2007 Luciano Correa entram no tatame. Já no pesado, o país tem dois líderes do ranking internacional. Maria Suelen Altheman representa o Brasil no feminino (+78kg), e Rafael Silva, no masculino (+100kg).
O caminho até o pódio

Líder do ranking mundial, Mayra estreou apenas na segunda rodada, e teve pela frente a italiana Assunta Galeone. Como Maria Portela lutava no tatame ao lado, Rosicléia Campos, também técnica da seleção feminina, mas que estava afastada por licença-maternidade, esteve junto de uma atleta pela primeira vez no mundial. Mayra foi soberana, viu a rival levar duas punições e ainda conseguiu um wazari no fim.

Na segunda luta, contra a holandesa Marhinde Verkerk, Mayra começou bem, mas diminuiu o ritmo na reta final da luta, aparentando cansaço. Com duas punições, contra uma da holandesa, a brasileira vinha perdendo o duelo e acabou se abrindo demais, deixando uma brecha para ser finalizada pela rival, desistindo da luta.

Na repescagem, Mayra encontrou uma rival dura, que buscava surpreender logo no início. A brasileira, porém, acalmou a luta, e as adversárias passaram a se estudar. Mas, com pouco mais de três minutos, a líder do ranking levou Viktoriia Turks ao chão. Depois de imobilizar a ucraniana, Mayra selou sua vaga para a disputa do bronze (clique para assistir à íntegra da luta).

Na decisão do bronze, Mayra foi agressiva desde o início. Sem dar chances à rival canadense, a brasileira sempre procurou o ataque. Roubert logo somou três punições, contra uma da gaúcha. Caso a canadense fosse advertida mais uma vez, seria desclassificada, e a medalha estaria garantida. Mayra, porém, não quis contar com a sorte. Levou à rival ao chão e garantiu o pódio com um ippon.

Portela fica longe do pódio

Maria Portela estreou contra a dinamarquesa Emilie Sook. A brasileira demorou para se impor na luta. Na frente por um shido, Portela, enfim, conseguiu um wazari quando faltava pouco mais de um minuto para o fim do duelo. Depois de muito sofrimento, saiu com a vitória. Já contra a cazaque Dinara Kuzarova, Portela manteve a pegada, dominou a rival, que tomou duas punições, conseguiu um wazari e terminou o duelo com uma imobilização sobre a rival.

Com o apoio da torcida gaúcha no Maracanãzinho, Maria Portela encarou a sul-coreana Ye-Sul Hwang por uma vaga na semifinal. A brasileira teve dificuldades, já que a rival era bem mais alta. Portela levou uma punição e ainda sofreu um yuko, tendo que se contentar com a repescagem.

Em seu caminho na luta pelo bronze, ninguém menos que a francesa Lucie Decosse, judoca campeã olímpica e tricampeã mundial que se aposenta neste Mundial do Rio, aos 32 anos. O combate durou quase nove minutos. Depois dos cinco minutos regulares, as duas atletas somavam duas punições cada uma. No golden score, muito equilíbrio, mas o cansaço falou mais alto. Após mais quatro minutos de combate e mais uma punição para cada lado, a francesa aproveitou um momento de descuido da brasileira e conseguiu um belo ippon. Portela termina sua participação no Mundial com o 7° lugar.

judô maria portela mundial (Foto: Thierry Goozer)
Maria Portela saiu do tatame com um inchaço no olho (Foto: Thierry Goozer)

– Eu peguei a chave, e sabia que eu ia cruzar com ela. Isso aumentou ainda mais minha vontade de vencer. A gente convive com elas, treinamos fora, tenho muitas competições nas costas. Sabia que seria difícil, mas queria muito, muito, estava bem preparada fisicamente, com a cabeça focada, e tecnicamente e taticamente eu sabia como lutar com ela. Tanto que lutamos nove minutos. Não vou abaixar a cabeça, fiz uma boa competição. Claro que ganhar uma medalha aqui, em um mundial, quem não quer? Ainda mais os brasileiros. Mas só quatro ficam ali. Eu errei, ela aproveitou

Eduardo Santos cai na estreia

Inicialmente, Eduardo Santos foi convocado apenas para disputar a competição por equipes. Mas o corte de Tiago Camilo deu a chance ao paulistano de lutar o tornio individual. Mas a participação do brasileiro durou apenas uma luta. Logo na estreia, diante do sueco Joakim Dvarby, ele acabou imobilizado e acabou eliminado. Eduardo até começou bem a luta, tentou uma finalização, mas não teve sucesso. Apesar de estar na frente do placar, já que o rival tinha duas punições, ela cansou na reta final e foi derrotado.

Eduardo Santos eliminado judô (Foto: Thierry Gozzer)
Eduardo Santos foi eliminado logo na estreia (Foto: Thierry Gozzer)

Com ippon na final, Rafaela Silva se torna a 1ª Campeã Mundial do Brasil

Rafaela levanta as mãos para o céu após ippon que lhe rendeu o ouro (Foto: Marcio Rodrigues / Fotocom)

Há dois anos, a medalha de ouro escapou das mãos de Rafaela Silva. Ela viu a japonesa Aiko Sato ocupar o lugar que ela queria estar e teve que se contentar com a prata no Mundial de Paris. No ano passado, chegou com grandes chances às Olimpíadas de Londres, mas viu seu mundo desabar com a eliminação por conta de um golpe proibido. Quis o destino que a carioca da Cidade de Deus entrasse para a história do judô brasileiro dentro de casa, no Maracanãzinho, diante de uma torcida barulhenta. Com menos de um minuto de luta ela aplicou um ippon na americana Marti Malloy e se tornou a primeiramulher  brasileira campeã mundial no judô.

– O último Mundial bateu na trave, entrei dessa vez para levar a medalha na minha casa, na minha cidade. Eu não podia deixar meu braço esticado e nem ir para o chão. No Pan-Americano por equipes, perdi para ela no chão. Pensei: “vou entrar, vou ficar bem justa”. Eu vi que ela caiu, mas, no momento, do jeito que ela caiu, tentei pegar o braço. Olhei para a mesa, e o árbitro resolveu dar o ippon – disse Rafaela ao SporTV, ainda sem acreditar no que tinha feito dentro do tatame.

Rafaela Silva

Dessa vez, o choro não foi de desespero nem de tristeza. A menina de 21 anos chorou de alegria. Antes dela, apenas João Derly, duas vezes (2005 e 2007), Tiago Camilo (2007) e Luciano Correa (2007) haviam subido no lugar mais alto do pódio em um Mundial de judô.

Foi a terceira medalha do Brasil em três dias de competição. Na segunda, a campeã olímpica Sarah Menezes conquistou o bronze entre os ligeiros. Na terça foi a vez de Érika Miranda levar a prata no meio-leve. E agora Rafaela Silva é ouro no peso leve. O SporTV transmite o Mundial do Rio ao vivo, e o GLOBOESPORTE.COM acompanha tudo em Tempo Real com vídeos.

O caminho até o ouro inédito

rafaela silva judo maracananzinho (Foto: Thierry Gozzer)
Rafaela ganha o carinho de Ney Wilson, gestor de 
alto rendimento da CBJ (Foto: Thierry Gozzer)

Rafaela Silva começou o dia justamente lutando contra uma americana. Hana Carmichael fez jogo duro, dificultou a vida da brasileira, mas não conseguiu evitar os dois yukos que deram a vitória para Rafaela. Em casa, ela ia ganhando confiança à medida que a torcida gritava seu nome no Maracanãzinho. No entanto, a luta mais dura ainda estava por vir. Contra a romena Loredana Ohai, muita emoção, de levantar o torcedor na arquibancada.

As duas chegaram no terceiro minuto de luta, dos cinco totais, sem pontuar, mas a romena tinha duas punições, contra apenas uma da brasileira. Faltando pouco mais de um minuto para o fim do combate, Loredana conseguiu um yuko, e Rafaela se viu em desvantagem. Abriu os braços, reclamou da pontuação contra e perdeu a concentração. Com isso, entrou nos segundos finais precisando encaixar um golpe perfeito ou quase perfeito para não ser eliminada em sua própria casa. Mas a 15 segundos de o cronômetro zerar veio o wazari salvador, que a colocou à frente do marcador novamente e a classificou para as quartas de final.

A vaga na semifinal veio em um reencontro Brasil x Kosovo. Se na terça-feira Érika Miranda perdeu o ouro para Majlinda Kelmendi, nesta quarta Rafaela Silva não deu chances para Nora Gjakova. A atleta do Kosovo bem que tentou, mas a carioca aplicou um ippon ainda no início do combate e avançou para enfrentar a número um do mundo da categoria na semi, a francesa Automne Pavia.

O histórico entre Pavia e Rafaela era equilibrado. Uma vitória para cada lado. E assim foi a luta. As duas disputavam pegada e não atacavam. O árbitro aplicou duas punições para cada uma. O duelo continuou truncado, mas a brasileira conseguia aplicar alguns golpes. Foi quando uma entrada encaixou, e a carioca conseguiu um wazari, imobilizou, deixou a francesa escapar, até pegou o braço para uma chave, mas o árbitro interrompeu a luta. Não dava mais tempo de nada. A brasileira estava mais uma vez na decisão de um mundial, dois anos depois de Paris.

Tudo conspirava a favor da brasileira, judoca do Instituto Reação, projeto criado por Flávio Canto, medalhista olímpico na modalidade e hoje apresentador. No retrospecto entre Rafaela e Malloy, goleada. A carioca já havia lutado com a americana sete vezes e vencido seis – inclusive uma este ano, no Pan de San José. E a vantagem foi ampliada: 7 a 1. Rafaela precisou de menos de um minuto para jogar a rival. Mas teve que esperar para comemorar. O árbitro assinalou wazari. Mas, depois de ouvir os árbitros da mesa por um ponto eletrônico, corrigiu a marcação e deu ippon. Enfim, Rafaela podia gritar que era campeã mundial.

Rafaela Silva - Campeã Mundial de Judô_

Mais cedo, na mesma categoria que Rafaela, Ketleyn Quadros foi eliminada após vencer a húngara Hedvig Karakas na estreia. Ela caiu justamente diante da americana Marti Malloy, medalha de prata. Bruno Mendonça também perdeu e não foi ao pódio. Ele venceu as duas primeiras lutas contra Felipe Caceres, do Chile, e Terence Junior Kouamba Poutoukou, do Gabão, mas foi eliminado por Aliaksei Ramanchyk, de Belarus.

Nesta quinta-feira é a vez dos judocas da categoria meio-médio entrarem no tatame. Victor Penalber, líder da categoria até 81kg, e Katherine Campos, até 63kg, competem no Mundial.

Classificação categoria leve feminino (57kg)
1° Rafaela Silva (BRA)
2° Marti Malloy (EUA)
3° Vlora Bedeti (ESL)
3° Miryam Roper (ALE)

Classificação categoria leve masculino (73kg)
1° Shohei Ono (JPN)
2° Ugo Legrand (FRA)
3° Dex Elmont (HOL)
3° Dirk Van Tichelt (BEL)

Érika Miranda perde por imobilização, mas garante a medalha de prata. Ótimo resultado!

CHEGOU A HORA!! Érika Miranda começa a lutar com Majlinda Kelmendi, do Kosovo. Se vencer, a judoca de Belo Horizonte se tornará a primeira brasileira a conquistar um ouro em mundiais. A adversária tenta desestabilizar Érika, que recebe um shido e está em desvantagem.

DUELO EQUILIBRADO – Érika consegue agarrar o quimono da adversária e leva a torcida ao delírio no Maracanãzinho. Majlinda Kelmendi também recebe um shido, e o confronto está empatado neste momento. O placar está zerado, e cada lutadora tem um shido.

NÃO DEU!! Érika é jogada no chão por wazari e depois imobilizada por Kelmendi, que vence e conquista o ouro. Érika Miranda fica com a prata da categoria meio-leve!

Érika Miranda

Faltou pouco. Restava um minuto de combate. A medalha de ouro num mundial, que teima em não vir para o Brasil entre as mulheres, parecia possível, palpável para Érika Miranda. Depois de uma manhã perfeita, com três vitórias, duas por ippon, e de vencer a romena Andreea Chitu na semifinal, a brasileira sucumbiu diante da atleta do Kosovo Majlinda Kelmendi, a melhor do mundo. Ela ficou com a prata no Mundial de Judô do Rio de Janeiro na categoria meio-leve (até 52kg), a sua primeira medalha após algumas decepções na competição.

– Em dois Mundiais eu fui quinto lugar, perdi na disputa do bronze. Venho batendo na trave sempre. Então hoje foi uma vitória muito mais pessoal do que material, conseguir uma medalha num evento grande. Nem caiu a ficha ainda. Estou me sentindo como se tivesse ficado em segundo num Grand Slam, não num Mundial. A torcida foi nota mil. Na semifinal a torcida estava gritando tanto que eu não escutava nem o árbitro, nem o técnico. Era a hora de ter mais concentração e mais técnica para não errar – afirmou Érika.

Aos 26 anos, Érika deu fim ao “quase” em mundias. Em 2007, no próprio Rio de Janeiro, e em Tóquio, em 2010, a judoca perdeu a disputa pela medalha de bronze. Do outro lado, Majlinda Kelmendi, de 22 anos, conquistou pela primeira vez uma medalha em mundiais. Antes, na base, ela já havia conquistado o título mundial. Neste ano, além do título do Masters de Judô, foi prata no Grand Slam de Paris, na França.

Erika miranda e Kelmendi Mundial Judô final (Foto: Marcio Rodrigues / MPIX )
Erika Miranda é golpeada por Kelmendi  (Foto: Marcio Rodrigues / MPIX )

Érika perde por ippon

Érika e Kelmendi se enfrentaram pela quarta vez na carreira. Em 2010, a vitória foi brasileira. Mas daí em diante, Majlinda passou a dominar os duelos contra a brasileira. Venceu em 2011 e 2012, e fez a trinca agora, no Mundial do Rio. O combate, porém, começou equilibrado. Érika partiu para cima da rival, e ambas trocaram pegadas. Bastante ofensiva, a meio-leve do Brasil acabou se descuidando e foi punida. No segundo minuto de luta, Érika aplicou um golpe e pediu ao menos um yuko. A arbitragem negou e o técnico do Brasil acabou recebendo uma bronca do árbitro central.

No terceiro minuto de luta, Kelmendi também recebeu uma punição, deixando a luta igual. Bastante agressiva, Kelmendi tentava o golpe perfeito, mas Érika se defendia bem. No último minuto, porém, a brasileira acabou surpreendida ao ser lançada ao solo, o que rendeu um wazari para a rival. Na sequência do golpe, no solo, a atleta do Kosovo imobilizou a judoca e conseguiu o ippon.

Érika Miranda prata Mundial judô Rio (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX)
Brasileira (primeira à esquerda) exibe a sua medalha de prata (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX)

Assim que conquistou a vitória, Kelmendi não se conteve. Pulou, festejou demais, como se tivesse feito o gol de um título. Efusiva até demais, ela foi vaiada pelo público brasileiro, e ensaiou uma provocação. No ato, foi repreendida pelo árbitro, voltou em si, e ergueu a mão de Érika Miranda, em atitude de respeito.

Pódio meio-leve feminino (até 52kg):

1º – Majlinda Kelmendi (KOS)
2º – Érika Miranda (BRA)
3º – Yuji Hashimoto (JAP)
3º – Marren Kraeh (ALE)

Chibana sofre revés na disputa do bronze

Fora da final dos 66kg, após ser derrotado pelo japonês Masashi Ebinuma na semi, o brasileiro Charles Chibana perdeu a disputa do bronze para Masaaki Fukuoka, também do Japão. Chibana chegou a comemorar o que seria a sua vitória, mas o árbitro não entendeu como ippon um golpe aplicado pelo brasileiro a 3m57s do fim da luta.

O combate mal começou e o japonês já recebeu a primeira advertência. Instantes depois, Chibana aplicou o que seria um ippon, mas a arbitragem não entendeu assim, frustrando a torcida, que chegou a vibrar efusivamente com a vitória do brasileiro. Renovado, Fukuoka começou a se soltar mais na luta, tentando duas entradas em sequência no terceiro minuto.

Na sequência, o brasileiro, enfim, conseguiu pontuar aplicando um wazari. Quando a vitória parecia que se encaminharia para Chibana, veio o golpe de misericórdia. Com um ippon, dessa vez validado pela arbitragem, Fukuoka conquistou o terceiro lugar para a frustração do brasileiro, que foi da alegria à tristeza em menos de 5 minutos.

Nesta terça-feira, o Brasil teve mais dois judocas em ação. Também no peso até 52kg, Eleudis Valentim foi derrotada na segunda luta e chorou copiosamente o revés. A brasileira estreou em mundiais. Outro estreante foi Luiz Revite, do peso até 66kg, mesma categoria de Chibana. Ele, porém, foi derrotado logo no primeiro round, para o sul-coreano Jun-Ho Cho.

Chibana Desolado (Foto: Raphael Andriolo)
Chibana fica desolado após perder disputa do bronze (Foto: Raphael Andriolo)

Em vitória dramática, Sarah Menezes é bronze no Mundial de Judô

Sarah Menezes, bronze nos 48kg, ao SporTV: “Como eu perdi, tive que levantar a cabeça, porque a competição não tinha acabado. Levantei a cabeça, esqueci e entrei na luta como se fosse a primeira do Mundial. Foi no último segundo da luta. Na outra, ela vinha muito na minha manga, se eu pego cruzado em cima, é falta para mim. Fui até punida na luta, era a única maneira que tinha de entrar. Mas graças a Deus, no fim, deu tudo certo”, relatou a judoca.

Por Felipe Mendes –  Rio de Janeiro (RJ)

Campeã olímpica em Londres-2012 na categoria ligeiro (até 48kg), a judoca Sarah Menezes conquistou a medalha de bronze no Mundial do Rio de Janeiro, no ginásio do Maracanãzinho. Na final, ela derrotou a norte-coreana Kim Sol Mi faltando um segundo para o fim do combate.

O combate foi duro. A norte-coreana provocou duas punições para a brasileira logo no início e assim se manteve por longo tempo. Aos poucos, Sarah foi buscando seu estilo de combate e conseguiu empatar com a rival em punições. E quando tudo indicava que a decisão iria para o golden score, a piauiense tirou um ippon da cartola e ficou com a vitória.

Em sua primeira luta, Sarah havia derrotado Aigul Baikuleva, do Cazaquistão. O combate foi amarrado, mas a brasileira conseguiu forçar duas punições para a adversária. Faltando 49 segundos para o término do confronto, a campeã olímpica obteve um wazari, garantindo a vitória.Sarah Menezes III

Nas oitavas de final, Sarah encarou a belga Amelie Rosseneu. Logo no início, forçou uma punição. Faltando 1m50s para o fim do combate, a brasileira conseguiu um wazari após ótimo golpe. Em seguida, Sarah, com mais um excelente golpe, finalizou a luta com um ippon.

Nas quartas de final, a piauiense demorou, mas fez a arbitragem punir a turca Ebru Sahin. Porém, faltando 1m12s para o encerramento do duelo, Sarah obteve um novo ippon.

Na semifinal, Sarah foi derrotada pela mongol Urantsetseg Munkhbat. A rival da brasileira recebeu uma punição com menos de um minuto. Mas, logo depois, a mongol conseguiu um yuko. Faltando 1m08s para o término da luta, a rival de Sarah obteve um segundo yuko. A brasileira ainda conseguiu provocar duas punições para a adversária, mas não foi o suficiente para vencer.

Sarah Menezes perde para mongol e fica fora da final no Mundial

Gazeta Press

Atual campeã olímpica e líder do ranking mundial na categoria até 48kg, Sarah Menezes está fora da luta por título no Campeonato Mundial de judô do Rio de Janeiro. Na primeira semifinal da tarde desta segunda-feira, a brasileira acabou superada por dois Yukos pela mongol Urantsetseg Munkhbat e terá que se contentar com a disputa pelo bronze no Ginásio Maracanãzinho.


Na decisão, Munkhbat terá pela frente quem levar a melhor no confronto entre a japonesa Haruna Asami e a belga Van Snick. Já Sarah Menezes disputa o bronze contra a norte-coreana Sol Mi Kim, que despachou a cubana Dayaris Mestre Alvarez na repescagem.

Durante todos os cinco minutos de luta, Munkhbat conseguiu neutralizar bem as investidas de Sarah, baixando sua manga direita e a impedindo de realizar golpes. Em duas oportunidades, a mongol quase derrubou a campeã olímpica, que se defendeu bem.

Na terceira, porém, ela conseguiu Yuko a 2min15 do fim e obrigou Sarah a partir para o ataque. Nervosa, a brasileira voltou a ser derrubada a 1min11, ficando a dois Yukos de desvantagem. Tranquila, Munkhbat seguiu administrando a luta e pouco perigo sofreu no minuto final.

Caso de sucesso, judô brasileiro se consolida como referência para 2016

Auge da carreira de qualquer atleta, uma medalha olímpica é apenas a “ponta do iceberg” de um processo longo e contínuo, que depende de investimento e planejamento para obter um êxito duradouro. Com essa filosofia, a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) colocou o Brasil na briga por uma vaga permanente na elite da arte marcial surgida no Japão.

Dentro e fora do tatame, o judô se tornou um dos carros-chefes do esporte brasileiro em competições internacionais na última década, e já desponta como esperança de medalhas nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. A partir desta segunda feira, a cidade também se torna palco para o Campeonato Mundial de Judô, que será disputado no ginásio do Maracanãzinho até o próximo domingo.

Com uma ampla lista de patrocinadores e um orçamento anual de R$ 30 milhões, a CBJ conseguiu ampliar sua estrutura física, reforçar o quadro de funcionários e membros da comissão técnica, e também aumentar a assiduidade de atletas brasileiros em eventos internacionais. No ano passado, os judocas da seleção principal fizeram 52 viagens, contra apenas quatro em 2001. Os brasileiros marcaram presença em 17 torneios (quatro internacionais), contra seis no início da década passada. A oportunidade de competir com mais frequência também se refletiu na quantidade de títulos e vitórias.

O Brasil conquistou nove medalhas olímpicas entre Atenas 2004 e Londres 2012 – uma de ouro e oito de bronze. Em três ciclos olímpicos, o país quase repetiu a quantidade de pódios acumulados de Munique 1972 a Sydney 2000 – no período de 28 anos, o judô brasileiro somou 10 medalhas: dois ouros, três pratas e cinco bronzes. Nos Mundiais adultos, a evolução é ainda mais expressiva: são 18 medalhas (quatro ouros, cinco pratas e nove bronzes) vencidas entre 2003 e 2011, contra 10 (duas pratas e oito bronzes) no intervalo de 1971 a 1999.

INFO números judô 3 (Foto: arte esporte)
Fonte: CBJ

O salto considerável no desempenho do judô brasileiro foi possível graças à reorganização na gestão do esporte. Paulo Wanderley Teixeira, presidente da CBJ, ressalta que os títulos mundiais e a preparação para as Olimpíadas continuaram sendo tratados com prioridade, mas houve também a valorização da base e o investimento em estrutura, para que a modalidade não se tornasse dependente apenas de talento individual ou mesmo “sorte” para alcançar essas conquistas.

– O principal foco permanece nos Jogos Olímpicos, e todo o trabalho que realizamos a cada ciclo tem como objetivo a conquista de medalhas. Mas este é um processo circular: as medalhas trazem resultados, que atraem patrocinadores. Se estes recursos forem bem aplicados, conseguimos melhorar nossa estrutura, e então desenvolver atletas mais competitivos, que consequentemente terão mais chances de chegar ao pódio olímpico. É tudo questão de planejar no longo prazo, sem se esquecer do momento atual – explicou o presidente da CBJ.

Mosaico RECONHECIMENTO MUNDIAL Judô brasileiro (Foto: Editoria de Arte)

Com o judô brasileiro se sobressaindo no cenário internacional, a modalidade já se firmou como peça-chave no ambicioso plano do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para 2016. Em casa, a entidade almeja alcançar o tão sonhado top 10 do quadro geral de medalhas, com um salto considerável em relação a Londres 2012, quando o Brasil ficou com a 22ª colocação do ranking.

– O judô se encaixa num grupo de modalidades que consideramos “vitais” para alcançarmos nossas metas. Ações de suporte para atletas e treinadores, como pagamento de viagens, intercâmbios, contratação e capacitação de treinadores, suporte na área de Ciências do Esporte, entre outras, estão sendo colocadas em prática no dia a dia para desenvolver ainda mais a modalidade. É um dos nossos carros-chefes para 2016. Os resultados demonstram isso – destacou o diretor executivo de Esportes do COB, Marcus Vinicius Freire.

Os expressivos resultados obtidos pelos judocas brasileiros na última década, especialmente na campanha recordista dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, com um ouro e três bronzes, são decorrentes de uma “reforma política” que fez da CBJ um modelo de referência para outras confederações desportivas do Brasil. A maioria das entidades que administram o esporte brasileiro ainda enfrenta dificuldade para consolidar uma base forte e investir em estrutura de treinamento.

INFO números judô 1 (Foto: arte esporte)
Fonte: CBJ

– A Confederação Brasileira de Judô é atualmente uma das mais estruturadas confederações olímpicas do país e serve de modelo para as demais. Além dos resultados esportivos, a CBJ tem vários patrocinadores e boa administração. Para o COB, uma gestão profissional é essencial para o sucesso esportivo de uma modalidade – reconheceu o diretor executivo Marcus Vinicius Freire.

A estratégia de Paulo Wanderley Teixeira, que preside a CBJ desde 2001, é desenvolver os talentos que despontam como promessas, mas sem colocar a preparação dos atletas que já conquistaram notoriedade em segundo plano. Os judocas brasileiros que disputam campeonatos profissionais de âmbito internacional conseguem trazer resultados mais imediatos, que atraem a iniciativa privada. As grandes empresas se interessam principalmente pelos lutadores consagrados, mas a CBJ destina os recursos de editais e leis de incentivo estatais para a base, como forma de compensar essa disparidade.

info eventos e viagens  - vertical - judô (Foto: arte esporte)Fonte: CBJ

– Antes, essa atenção às equipes de base, do sub-18 e do sub-21 definitivamente não existia. Voltamos a atenção para a base porque a evolução é incompleta sem ela. Tivemos vários exemplos de esportes que se mantiveram no topo por um tempo, mas depois entraram em declínio quando o astro daquela modalidade se aposentou. Hoje temos exemplos como o do Victor Penalber, que saiu do sub-21 e agora é o número 1 do ranking mundial da categoria meio-médio. A gente faz questão de colocar a base em contato com os adultos. Em Londres, a gente levou atletas mais novos para que eles pudessem acompanhar o processo e já irem se preparando para 2016. Isso é fundamental – disse Paulo Wanderley.

Para o ex-judoca João Derly, bicampeão mundial da categoria meio-leve, o investimento na base foi fundamental para perpetuar a boa fase do judô brasileiro. O gaúcho, que se tornou o primeiro brasileiro a conquistar um ouro no Mundial da categoria principal, no Cairo, em 2005, repetindo o feito dois anos depois, no Rio de Janeiro, ressaltou a importância de fomentar o esporte a partir de uma base sólida.

– Estamos num processo de evolução, principalmente na parte de investimento. Isso é uma conquista. Antes, tínhamos grandes dificuldades. Tínhamos que viajar fazendo pacote e procurar outras formas de pagar as viagens. Hoje você vê equipes de base viajando pela Confederação. Temos que ter um cuidado especial com a base – destacou o ex-judoca.

A notoriedade obtida pelos judocas brasileiros nos tatames internacionais desencadeou o surgimento de novos ídolos do esporte, que experimentaram uma popularidade semelhante à de Aurélio Miguel e Rogério Sampaio, donos de medalhas de ouro em Seul 1988 e Barcelona 1992, respectivamente. João Derly, Tiago Camilo, Mayra Aguiar, Leandro Guilheiro e Leandro Cunha, entre tantos outros lutadores de renome nacional e internacional, reacenderam o interesse pela arte marcial, que andava em baixa após os resultados irregulares que dominaram o cenário esportivo do final dos anos 1990.

INFO números judô 5 (Foto: arte esporte)
Fonte: CBJ

O auge veio com a piauiense Sarah Menezes, que conquistou o ouro da categoria ligeiro em Londres 2012 – o primeiro do judô brasileiro entre as mulheres. De posse da primeira medalha do Brasil na modalidade em 20 anos, Sarah se transformou no principal ícone da nova geração dos tatames, e provou que o país tem potencial para vislumbrar um lugar definitivo entre os gigantes. A próxima meta é garantir um ouro feminino no Mundial do Rio – único título que permanece inédito para o judô brasileiro.

– O Mundial desse ano vai ser um parâmetro para que possamos avaliar o nosso trabalho rumo a 2016. Os resultados vão nos dizer onde estamos acertando, e também os aspectos que precisamos mudar. A grande ambição é conquistar um ouro no feminino, para derrubar o último título que a gente ainda não tem. Nosso retrospecto recente nos dá uma perspectiva muito positiva. O Japão ainda é a grande estrela do judô mundial, mas estamos em busca de resultados excepcionas para cravar nossa marca entre as maiores potências – avaliou Paulo Wanderley Teixeira.

Paulo Wanderley Teixeira, presidente da Confederação Brasileira judô desembarque londres 2012 olimpiadas (Foto: Rodrigo Faber/ Globoesporte.com)
Paulo Wanderley preside a Confederação Brasileira de Judô desde 2001 (Rodrigo Faber/Globoesporte.com)

A ex-judoca Rosicleia Campos, atual técnica da seleção brasileira feminina, exalta o trabalho de reestruturação do judô na última década, e acredita no potencial do país para se destacar no quadro de medalhas do Mundial.

info comissões e núcleos  - vertical - judô (Foto: arte esporte)
Fonte: CBJ

– Sempre tivemos um celeiro de ótimos atletas, talentos, mas sem estrutura você não consegue nada. Hoje, o judô é completamente estruturado, tem uma equipe multidisciplinar, desde o psicólogo ao preparador físico, e não falta nada para os atletas. Isso é fundamental para o esporte crescer. O atleta vai lá e luta, mas ele não luta sozinho. Ele ganha muito com essa estrutura. Hoje, o Brasil entra numa competição e, se não voltar com resultados, aí sim é uma surpresa – afirmou a técnica da seleção feminina.

Para João Derly, o atual cenário do judô brasileiro também aponta para a “descentralização” do esporte, a partir da criação de mecanismos que permitem seu desenvolvimento em todas as regiões do país. Apesar disso, o bicampeão mundial alerta para a necessidade de destinar mais investimentos na preparação dos atletas. O Centro de Excelência e Treinamento Pan-Americano de Judô, que deve ser inaugurado até 2014 em Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador (BA), é o primeiro passo em direção a esse objetivo.

– Outra coisa importante foi a nacionalização do judô. A Sarah, que é do Piauí, é campeã olímpica. A CBJ descentralizou o judô nacional. Isso é uma grande vitória. Temos atletas surgindo em várias partes do país. Já temos uma condição melhor, mas ainda temos que evoluir. Não podemos nos contentar. Precisamos canalizar melhor o orçamento da equipe, ter o centro de treinamento, que já está saindo. Um local fixo. Estamos caminhando para isso – opinou o ex-judoca.

Além de conquistar o primeiro ouro feminino, a delegação brasileira tentará subir ao pódio do Mundial do Rio pelo menos seis vezes, para superar o resultado obtido na edição de 2011, disputada em Paris, quando ficou com duas pratas e três bronzes. O país estará representado por 18 judocas, incluindo os medalhistas olímpicos Felipe Kitadai, Rafael Silva, Ketleyn Quadros, Sarah Menezes e Mayra Aguiar. Veja a programação completa.

Mayra Aguiar no estúdio do SporTV em Londres (Foto: Thiago Lavinas/SporTV.com)
No Mundial do Rio, Mayra Aguiar é esperança de ouro na categoria meio-pesado (Thiago Lavinas/SporTV.com)

Brasil garante 22 classificados no World Masters de Judô

Com a última atualização do ranking mundial, o Brasil garantiu a classificação de 22 judocas para o World Masters, que acontecerá de 22 a 26 de maio, em Tyumen, na Rússia. Terceira competição mais importante no calendário internacional do judô, atrás apenas da Olimpíada e do Mundial, a disputa reúne apenas os 16 melhores de cada categoria.
A seleção brasileira terá representantes em todas as 14 categorias – sete no feminino e sete no masculino -, sendo que contará até com três judocas em uma delas: peso pesado entre os homens, com Rafael Silva, Walter Santos e David Moura. E, com seus 22 classificados, o Brasil fica atrás apenas do Japão, que garantiu 30 vagas no World Masters.
Entre os 22 classificados do Brasil, dois chegam para a disputa do World Masters como líderes do ranking mundial em suas categorias: Sarah Menezes e Victor Penalber. E outros três aparecem como segundo colocados de seus respectivos pesos na lista da Federação Internacional de Judô (FIJ): Mayra Aguiar, Maria Suelen Altheman e Rafael Silva.
“O número de atletas qualificados é fruto de um projeto de rotatividade de judocas em torneios internacionais, realizado tendo em vista não só o Masters, que é um de nossos dois objetivos da temporada, ao lado do Mundial, mas também de manter sempre nossos atletas como cabeças de chave nas grandes competições. Com atletas em todas as categorias, tanto no masculino quanto no feminino, hoje não corremos o risco de ter só uma estrela ou uma classe que seja o foco. Temos todo um time sem correr o risco de ficar à mercê de uma noite de inspiração. É mais uma prova de que esse trabalho entre direção, comissão técnica e atletas tem sido feito na direção mais correta possível”, afirmou o coordenador técnico da seleção brasileira, Ney Wilson.
Confira a lista de classificados do judô brasileiro:
Feminino:
Ligeiro – Sarah Menezes e Gabriela Chibana
Meio-leve – Érika Miranda e Eleudis Valemtim
Leve – Rafaela Silva e Ketleyn Quadros
Meio-médio – Katherine Campos
Médio – Maria Portela
Meio-pesado – Mayra Aguiar
Pesado – Maria Suelen Altheman e Rochele Nunes
Masculino:
Ligeiro – Felipe Kitadai e Diego Santos
Meio-leve – Luiz Revite
Leve – Bruno Mendonça e Marcelo Contini
Meio-médio – Victor Penalber
Médio – Tiago Camilo
Meio-pesado – Renan Nunes
Pesado – Rafael Silva, Walter Santos e David Moura

Fonte: Agência Estado

Pernambucana compõem seleção que disputa o Pan-Americano na Costa Rica

Do JC Online 

O rostinho bonito pode até enganar, mas, quando entra no tatame, a bela Katherine Campos, 21 anos, se transforma em fera. Depois de conquistar o ouro na etapa de Buenos Aires da Copa do Mundo de judô, a pernambucana também foi convocada para compor a seleção principal do Brasil que disputa, desta quinta-feira (18/04 até sábado (20/04), na Costa Rica, o Campeonato Pan-Americano da modalidade.

Integrante de todas as seleções brasileiras das categorias de base desde os 13 anos, Katherine é a líder do ranking nacional adulto entre as atletas até 63kg. Por esse motivo, tem grandes chances de representar o País nos Jogos do Rio-2016.

Assim que a judoca adentrar a área de competições do torneio continental nesta sexta-feira (19/04), às 7h30 (horário de Brasília), a meta será conquistar, nada menos, que a medalha de ouro. É que o título lhe garante mais 400 pontos no ranking mundial – atualmente ela ocupa o 16º posto – além de mantê-la, por mais algum tempo, como a número 1 do País.

“Hoje sou a melhor ranqueada no meu peso, mas tudo pode mudar. O Brasil tem atletas muito fortes. Por isso, é extremamente importante que eu me saia bem no Pan-Americano e em todas as competições para as quais eu for convocada. Será uma longa jornada até 2016. É um grande sonho e acredito ter plenas condições de realizá-lo”, afirmou a judoca.