Rio 2016

Daniel Dias é ouro e leva 16ª medalha: “Nunca senti uma emoção dessa”

Por Gabriele Lomba e Lydia Gismondi Rio de Janeiro

A 16ª medalha paralímpica de Daniel Dias e a primeira da natação brasileira nos Jogos Rio 2016 veio de um jeito especial. Depois de somar 15 pódios em Londres 2012 e Pequim 2008, o nadador de Campinas teve a chance de conquistar seu 11º ouro competindo em casa. O maior nome da natação paralímpica do país venceu com sobras – uma diferença de pouco mais de 11s – a final dos 200m livre (categoria S5), nesta quinta-feira, conquistando o tetracampeonato. O astro de 28 anos, que levantou a torcida no Estádio Aquático, ainda disputa outras oito provas ao longo da competição, com chance de chegar a incrível marca de 24 medalhas.

Voo para história! Ricardo Costa leva o ouro no salto em distância para cegos

Por Cahê Mota e Carol Fontes Rio de Janeiro

Pulo no escuro e para história. Ricardo Costa é o primeiro brasileiro a conquistar medalha de ouro nos Jogos Paralímpicos do Rio. Cego por conta da Doença de Stargardt, que causa perda da visão de forma degenerativa, o sul-mato-grossense de Três Lagoas se tornou campeão paralímpico do salto em distância T11 em prova cheia de emoção na manhã desta quinta-feira. Líder na maior parte do tempo, foi ultrapassado pelo americano Lex Gillete no penúltimo salto, mas manteve a frieza para fazer 6.52m na tentativa derradeira e liberar o barulho até então proibido para o torcedor presente no Estádio Olímpico. Ruslan Katyshev, da Ucrânia, ficou com o bronze.

Feliz com prata, Odair tem em recurso a esperança de ouro inédito: “Sonho”

Por Fabrício Marques e Matheus Tibúrcio Rio de Janeiro

Responsável pela primeira medalha do Brasil nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, Odair Santos saiu do Engenhão, na manhã desta quinta-feira, com a prata nos 5.000m na classe T11. Porém, um recurso contra o vencedor da prova, o queniano Samuel Kimani, conduzido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e por outros países, deu esperanças ao brasileiro de alcançar algo inédito na carreira. Agora dono de oito medalhas em Paralimpíadas, Odair pode vir a ser campeão paralímpico pela primeira vez caso o rival seja desclassificado. O protesto segue em análise, mas o fundista afirma ao menos estar contente com a prata já garantida.

Cerimônia de abertura das Paralimpíadas encanta o mundo

Por Larissa RodriguesLARISSA RODRIGUES

Exatamente 17 dias depois de dar adeus aos Jogos Olímpicos, o Rio de Janeiro deu início aos Jogos Paralímpicos nesta quarta-feira (7/9). A cerimônia de abertura começou exatamente às 18h15 e durou quase quatro horas. Cerca de 50 mil pessoas lotaram o Maracanã, em um evento recheado de samba, alegria e protesto.

O espetáculo foi dirigido pelo escritor e dramaturgo Marcelo Rubens Paiva, teve ainda as mãos do artista plástico Vik Muniz e do designer Fred Gelli. O destaque foi a capacidade de superação dos atletas que são portadores de deficiência visual, física, intelectual ou paralisia cerebral.

Os momentos mais comemorados pelos presentes foram a roda de samba montada no meio do estádio, o cadeirante que deu um “mortal” na abertura da cerimônia, o mascote Tom vestido de Gisele Bunchen, a passagem da delegação brasileira e o coração que “pulsou” no meio do palco.

Teve espaço ainda para vários protestos. O presidente Michel Temer foi vaiado ao declarar aberto os Jogos e até mesmo o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, ao citar o apoio dos governos federal, estadual e municipal na realização dos Jogos Paralímpicos.

Nesta quinta-feira (8/9), começam as provas da Paralimpíada. A competição seguirá até o dia 18 de setembro. Ao todo, serão 4.350 atletas de 176 países disputando 22 modalidades esportivas. O Brasil contará com 287 atletas, sendo 185 homens e 102 mulheres.  Nesta edição, a canoagem e o triatlo estreiam nos Jogos Paralímpicos.

Veja os melhores momentos da cerimônia de abertura:

1. Aaron Wheelz entrou no Maracanã descendo uma rampa sinistra
O atleta de esportes radicais Aaron Fotheringham usou a cadeira de rodas para fazer uma mistura de skate com BMX. Ele entrou no estádio dando uma pirueta que deu até frio na barriga.

2. Rolou uma roda de samba no meio do estádio

Os shows ficaram por conta de Diogo Nogueira, Maria Rita, Pretinho da Serrinha, Pedrinho da Serrinha, Monarco, Hamilton de Holanda, Xande de Pilares e Gabrielzinho do Irajá, que é deficiente visual. Os músicos fizeram uma roda de samba no meio do Maracanã.

Ver imagem no TwitterVer imagem no TwitterVer imagem no Twitter
3. Michel Temer foi vaiado pelo público presente na cerimônia de abertura

O presidente do Brasil prestigiou a cerimônia ao lado da mulher Marcela Temer. A imagem do político apareceu no telão e houve manifestação. Além dos gritos de “Fora Temer”, muitas vaias foram ouvidas. As manifestações foram ainda mais intensas quando ele desceu até o palco para declarar aberta os Jogos.

4. Deu praia 
O Maracanã virou uma verdadeira praia carioca. Apareceram barracas, banhistas e até surfistas. ”Aquele Abraço” foi o ritmo de fundo.

Ver imagem no Twitter

Ver imagem no Twitter

5 – O hino nacional foi tocado ao piano por João Carlos Martins
Grande símbolo de superação, o maestro que tem atrofia nos dedos tocou o hino e a bandeira foi hasteada.

Ver imagem no Twitter

Ver imagem no Twitter

6 – Desfile das delegações foi em ordem alfabética
A ordem da entrada das delegações foi em português e nada da Grécia primeiro. O nome de cada país foi levado em uma peça de quebra-cabeça que foi montado no centro do estádio.

Ver imagem no Twitter

Ver imagem no Twitter

7 – DJ João Brasil colocou todo o Maracanã para dançar
Ele misturou ritmos brasileiros com música eletrônica, animando os torcedores que estavam no estádio carioca.

Ver imagem no Twitter

Ver imagem no Twitter
8 – Animação marcou o desfile das delegações

Algumas delegações estavam bem animadinhas durante o desfile no Maracanã. A África do Sul, por exemplo, estava tão feliz que foi aplaudida pelos presentes. Já os espanhóis entraram cantando e levantaram o público.

Ver imagem no Twitter

Ver imagem no Twitter

9 – Brasil, sil, sil levantou a plateia com ajuda de Fernanda Lima
A delegação brasileira, anfitriã dos Jogos Paralímpicos, foi a última a entrar. Muito aplaudidos, os paratletas do Brasil deram um show! O público acompanhou animado enquanto eles passavam pela passarela montada no Maracanã. Shirlene Coelho, do lançamento de dardo, levou a bandeira do país. A apresentadora Fernanda Lima levou a placa com o nome do país.

Ver imagem no TwitterVer imagem no Twitter

10 – Um coração foi montado no meio da cerimônia
As peças do quebra-cabeça levadas pelos porta-bandeiras das delegações eram fotos dos paratletas dos Jogos. Elas formaram um coração no centro do palco.

Ver imagem no Twitter

Ver imagem no Twitter
11 – Clodoaldo Silva ascendeu a pira Paralímpica

No fim da noite, o nadador paralímpico Phelipe Rodrigues fez o juramento em nome de todos os atletas que participam dos Jogos. Já a atleta americana Amy Purdy fez uma apresentação de dança acompanhada de um robô industrial. Para encerrar, Antônio Delfino entrou com a tocha Paralímpica e a entregou a Márcia Malsar — durante o trajeto, ela, que é medalhista no atletismo, caiu e, ao se levantar, foi aplaudida de pé. Ádria Rocha dos Santos fez o terceiro trecho entregando a chama ao nadador Clodoaldo Silva, que, então, acendeu a Pira Paralímpica.

Ver imagem no Twitter

Ver imagem no Twitter

12 – Seu Jorge fez o show de encerramento
O sambista entrou no palco com a música “E vamos à luta”, de Gonzaguinha. Na sequência, cantou o sucesso “É preciso saber viver”, dos Titãs.

Ver imagem no Twitter

Ver imagem no Twitter

Martine Grael e Kahena Kunze vencem e conquistam a medalha de ouro na vela

Redação /Superesportes , Agência Estado

Martine Grael e Kahena Kunze conquistaram, nesta quinta-feira, a medalha de ouro na vela dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Elas disputaram na classe 49er FX com um barco leve e veloz. A dupla venceu a Nova Zelândia representada por Alexandra Maloney Molly Meech, que ficaram com a prata, e as dinamarquesas Katja Salskov-Iversen Jena Mai Hansen, bronze no torneio.

A regata foi disputada pela primeira vez nesta campanha, na raia Pão de Açúcar, conhecida por ventos mais instáveis por causa da proximidade da montanha.

O local foi escolhido pela organização por causa das dificuldades técnicas, mas também pela proximidade do público, que pode acompanhar os barcos da praia do Flamengo. Nos últimos dias, regatas de medalha foram adiadas por falta de vento.

Essa foi a quarta medalha do Brasil na Olimpíada do Rio. As outras foram conquistadas pelos atletas Thiago Braz, no salto com vara, Rafaela Silva, no judô, e Robson Conceição, no boxe.

Redenção: Diego Hypolito conquista prata, e Arthur Nory é bronze no solo

Por Amanda Kestelman, Heitor Esmeriz e Marcos Guerra – Rio de Janeiro

“Diego, Diego, Diego!” O bicampeão mundial do solo entrou em êxtase ao ouvir os gritos da torcida na Arena Olímpica do Rio de Janeiro. Era o sinal que a tão sonhada medalha enfim chegou, e foi prateada. Já era a hora de parar de roer unhas e cair em lágrimas. Em sua terceira Olimpíada, Diego Hypolito lavou a alma, colocou no passado as quedas de Pequim 2008 e Londres 2012. Só completar a prova sem quedas já seria uma redenção para o brasileiro em casa, mas quis o destino fazer justiça com Diego e o premiou com uma tão sonhada medalha olímpica. A prata arrancou muitas lágrimas do bicampeão mundial, que ainda teve um companheiro de equipe ao lado. Arthur Nory entrou como franco-atirador, foi a grande surpresa da final e conquistou um bronze para uma dobradinha histórica.

Os brasileiros só não conseguiram ficar à frente de Max Whitlock. O hino tocado no sistema de som foi britânico, mas a festa foi dos donos da casa, com direito a Diego ajoelhado no pódio e torcida cantando o hino do Brasil à capela. No Rio de Janeiro, o solo foi brasileiro.

“Já caí de bunda em Pequim, caí de cara em Londres, agora vou cair de pé para o pódio no Rio”. A frase de Diego depois de ganhar o bronze no Mundial de 2014 parecia prever o enredo da Olimpíada. O discurso do bicampeão mundial até mudou neste ano. O pódio nunca deixou de ser um objetivo, mas completar a série sem quedas, sem falhas graves, era a grande meta. Mais uma queda não seria justo com a trajetória de Diego, de cinco medalhas em Mundiais e dezenas em Copas do Mundo. A redenção foi completa com uma prata  de arrancar lágrimas, de acabar comas unhas das mãos, todas roídas.

– Não sei explicar o quanto estou feliz. Torcida brasileira, povo brasileiro, se meu sonho foi possível, acreditem sempre no que se proporem na sua vida (…) Eu esperei esse dia por 12 anos. Na minha primeira Olimpíada eu me achava campeão, não fui e não me achava merecedor. Caí de cara em Londres. Aqui que eu não era tão bom na ginástica, eu me dediquei, eu abri mão de muita coisa e consegui essa medalha. E essa não é minha última Olimpíada, ainda vou para Tóquio, na graça de Deus – vibrou Diego, muito emocionado.

Max Whitlock fica com o ouro, seguido de Diego e Nory (Foto: Reuters)
Max Whitlock fica com o ouro, seguido de Diego e Nory (Foto: Reuters)

Diego entrou no ginásio muito concentrado, provavelmente nem escutou a Arena Olímpica o ovacionar. O foco estava em acertar cada movimento. E assim o fez. A vibração o tomou ao receber a nota 15,533 e não diminuiu depois de Max Whitlock o ultrapassar com 15,633.

Arthur Nory, que era cotado para medalha na barra fixa e acabou entrando na final do solo, arriscou uma série mais difícil. Estava leve. Não tinha o que perder, só o que ganhar. E ganhou muito: um bronze com a nota 15,433.

– Olimpíada é para gente grande, e eu estou crescendo. Passa um filme na cabeça, tudo que passei, treinei, tanta coisa que tive de abrir mão. Aquela hora no chão, ajoelhado, estava agradecendo por tudo, por tudo mesmo, por todos os dias, por dar o meu máximo, crescer como pessoal e também profissionalmente – celebrou Nory.

Favoritos, os japoneses Kohei Uchimura e Kenzo Shirai e os americanos Sam Mikluak e Jake Dalton falharam, sucumbiram à pressão. Não os brasileiros. Esses já estão acostumados a colocar de lado qualquer problema. Seja a mudança de técnico às vésperas da Olimpíada, seja uma suspensão e uma acusação de injúria racial.

PROVA A PROVA

Quem é rei abre a prova. Dono de dois ouros no Rio, Kohei Uchimura foi o primeiro a se apresentar. Na sua única final por aparelhos, o “robô” falhou, pisou fora do tablado e acabou com 15,241. O King Kohei sabia que estava fora da briga pelo pódio.

Diego foi o segundo a se apresentar. Entrou no tablado ovacionado pela torcida, mas com um semblante sério, concentrado. A cada acrobacia certa, o olhar se focava no próximo movimento. Era preciso acabar sem erros. E foi isso que ele fez. A vibração foi enorme antes mesmo da nota 15,533, um pouco melhor que os 15,500 da classificatória. A redenção estava desenhada, mas era preciso esperar para ver se o pódio também viria.

Atual vice-campeão mundial do solo, o britânico Max Whitlock veio na sequência e praticamente cravou sua série. A nota 15,633 tirou Diego da liderança, mas a esperança de pódio ainda existia, e cresceu depois de outro britânico, Kristian Thomas ficar para trás, com 15,058.

Era a vez de outro brasileiro. Arthur Nory entrou na final como franco-atirador, arriscou uma série mais difícil e se deu bem. Cravou quase tudo. A comemoração efusiva quase o derrubou antes da nota 15,433. Ele estava na terceira posição. Sabia que manter o posto era improvável, mas já estava satisfeito com a nota.

Um dos favoritos, o americano Jake Dalton falhou e só conseguiu 15,133 pontos. O pódio estava perto de Diego. Atual campeão mundial e grande favorito, o japonês Kenzo Shirai precisava falhar muito para sair do pódio. E o improvável aconteceu. A nota 15,366 tirou o superfavorito do pódio e já garantiu Diego no pódio.

Ainda restava o americano Sam Mikulak, líder da classificatória. Arthur Nory, que estava em terceiro, se fechou e não quis ver mais nada. Perdeu o Sam errar e tirar 14,433. A festa brasileira estava completa com uma dobradinha na ginástica.

Arthur Nory, bronze, e Diego Hypolito, prata (Foto: REUTERS/Marko Djurica)
Arthur Nory, bronze, e Diego Hypolito, prata (Foto: REUTERS/Marko Djurica)
Diego Hypolito executa salto que lhe rendeu a prata no solo (Foto: Reuters)
Diego Hypolito executa salto que lhe rendeu a prata no solo (Foto: Reuters)
Arthur Nory aplica pirueta na apresentação que lhe rendeu o bronze no solo (Foto: Reuters)
Arthur Nory aplica pirueta na apresentação que lhe rendeu o bronze no solo (Foto: Reuters)

Baby confirma aposta, esquece revés para astro e ganha 2º bronze olímpico

Por David Abramvezt e Richard Souza Rio de Janeiro

“O Baby vai chegar. Ele sempre chega. O problema é pegar o Riner nas quartas. Se isso acontecer, ao menos ele vai atrás do bronze”, diziam centenas de velhos e novos fãs do judô que já se sentiam órfãos, nesta sexta-feira à tarde, com o fim do último dia de disputa da modalidade no tatame da Arena Carioca 2. A previsão, baseada no histórico de medalhas do brasileiro nas principais competições, foi concretizada na tarde desta sexta-feira. Rafael Silva, o Baby, se reergueu horas após ser superado pelo astro francês Teddy Riner nas quartas de final, voltou com tudo para vencer na repescagem o holandês Roy Meyer. Pouco mais de 30 minutos depois, o peso-pesado conseguiu um yuko para derrotar, sem sustos, o uzbeque Abdullo Tangriev na disputa pelo bronze na categoria acima de 100kg. Como o mundo inteiro esperava, Riner conquistou com sobras o bicampeonato olímpico, ao bater na final o japonês Hisayoshi Harasawa. O israelense Or Sasson, vítima de Teddy na semi, dividiu o terceiro lugar do pódio com Rafael.

Rafael "Baby" Silva comemora vitória na disputa pelo bronze (Foto: Murad Sezer/REUTERS)
Rafael Silva comemora vitória na disputa pelo bronze (Foto: Murad Sezer/REUTERS)

É o segundo bronze seguido conquistado pelo sul-mato-grossense de 29 anos em Jogos Olímpicos. Ele também foi ao mesmo lugar do pódio em Londres 2012. Após um começo tardio na arte marcial, aos 15, Rafael, que ganhou o apelido de Baby porque era muito bonzinho e ficava calado no seu canto na academia de judô, se dá ao luxo de possuir além de dois bronzes olímpicos, duas medalhas em Mundial (prata e bronze).

Rafael Silva, Pódio Judô (Foto: Agência Reuters)
Rafael Silva com o bronze (Foto: Agência Reuters)

– Estou muito feliz! Foi muita luta depois da minha lesão. Quero agradecer a todos que me ajudaram. Em casa é bom demais. A torcida pressionou o adversário, me ajudou a todo momento. Muito diferente ganhar essa medalha com a torcida. Eles me empurraram. Riner é um ícone do esporte. Privilégio lutar com ele, espero encontrá-lo em Tóquio 2020 – comemorou Baby, lembrando da lesão no músculo do tórax que o afastou do tatame por seis meses, entre julho do ano passado e janeiro deste ano.

+ Luta por luta, playlist relembra trajetória do brasileiro até o pódio

A medalha do peso-pesado é a quarta do Time Brasil na Olimpíada do Rio e a terceira no judô, após o ouro de Rafaela Silva. e o bronze de Maria Aguiar. A primeira, de prata, veio no tiro esportivo, com Felipe Wu, na pistola de 10m. A láurea de Baby é a 22ª do judô nacional em Jogos Olímpicos, aumentando a vantagem da arte marcial de origem japonesa na disputa com a vela, que tem 17.

O grandalhão brasileiro de 2,03m e 170kg estreou na Rio 2016 com uma vitória extremamente fácil, por ippon, sobre o hondurenho Ramon Pileta. Também com um golpe perfeito, o mais pesado atleta da delegação brasileira nos Jogos despachou o perigoso russo Renat Saidov nas oitavas de final. Porém, o terceiro duelo dele na manhã desta sexta-feira foi o aguardado duelo contra o mito do judô mundial Teddy Riner, dono de oito títulos mundiais e atual campeão olímpico. O francês, que entrou no tatame da Arena Carioca 2 com uma invencibilidade de 109 lutas sentiu a força da pegada de Baby e o grande apoio da torcida, mas, com um wazari, acabou levando a melhor pela oitava vez em oito confrontos. A derrota mandou Rafael para a repescagem. Ele precisaria vencer duas lutas para ir ao terceiro lugar do pódio. Na primeira, o simpático atleta atuou muito bem taticamente e forçou duas punições do holandês Roy Meyer para sair vitorioso. Depois veio o triunfo sobre Tangriev, do Uzbequistão.

Pódio da categoria acima de 100kg no judô (Foto: Murad Sezer/REUTERS)
Pódio da categoria acima de 100kg no judô (Foto: Murad Sezer/REUTERS)

Mayra Aguiar supera cubana e garante a medalha de bronze no judô

Por Gazeta Esportiva
Mayra Aguiar conquistou o bronze (Foto: Toshifumi Kitamura/AFP)
Mayra Aguiar conquistou o bronze (Foto: Toshifumi Kitamura/AFP)

A brasileira Mayra Aguiar conquistou a medalha de bronze, no judô feminino, na categoria até 78kg (meio-pesado). Ela superou a cubana Yalennis Castillo, com um yuko, e garantiu um lugar no pódio. Esta é a segunda vez que a judoca sobe ao pódio nas Olimpíadas. Em Londres 2012, ela também foi bronze.

Com 18 segundos, a gaúcha conseguiu o primeiro ponto e, por pouco, não conseguiu a imobilização, para acabar com a luta. Depois disso, ela administrou a vitória, viu sua oponente levar duas punições e, sem sofrer maiores sustos, levou a medalha.

Com o resultado, o Brasil alcançou sua segunda medalha no judô, depois do ouro de Rafaela Silva, na categoria até 57kg (peso leve). Esta foi também a terceira do País nos Jogos, contando com a prata de Felipe Wu, no tiro esportivo.

A medalha de ouro foi para a americana Kayla Harrison, uma das principais rivais da gaúcha, que superou a francesa Audrey Tcheumeo, algoz de Mayra na semifinal.

Somos todos Silva: Rafaela conquista 1º ouro do Brasil na Olimpíada do Rio

Por David Abramvezt, Helena Rebello, Renan Morais e Richard Souza

É Silva, é da favela, é uma das milhões de brasileiras que tiveram uma infância pobre. A diferença é que o esporte transformou a vida de Rafaela, e cerca de quinze anos depois de ser colocada pelo seu pai em um projeto social que ensinava judô para evitar que o crime organizado a seduzisse, a menina carioca de 24 anos é a mais nova campeã olímpica do esporte mundial. Nascida e criada na famosa favela Cidade de Deus, Rafa enfileirou cinco adversárias e levantou uma contagiante torcida nesta segunda-feira, na Arena Carioca 2, no Parque Olímpico da Barra, para realizar o maior sonho de qualquer atleta no planeta, não importa de onde ele veio. Na final do peso-leve (até 57kg), a atleta de 1,69m se agigantou e venceu por wazari a judoca da Mongólia Sumiya Dorjsuren, líder do ranking mundial. É o primeiro ouro do Time Brasil na Olimpíada do Rio, a segunda medalha do país, após a prata no tiro esportivo de Felipe Wu, na pistola de 10m. A láurea de Rafa é a 20ª do judô nacional em Jogos Olímpicos, aumentando a vantagem da arte marcial de origem japonesa na disputa com a vela (17).

– Acho que eu só tenho agradecer todo mundo que me deu forças. Treinei bastante para representar todo esse ginásio. Se eu pudesse servir de exemplo para crianças da comunidade, é o que eu tenho para passar para o judô. Treinei tudo que podia nesse ciclo, saía treinando, chorando, queria a medalha. Trabalhei o suficiente para conquistar. Para uma criança que cresceu numa comunidade, que não tem muito objetivo na vida, como eu, que sou da Cidade de Deus, e começou a fazer judô por brincadeira, agora sou campeã mundial e olímpica – vibrou Rafaela logo depois de sair do tatame.

Rafaela Silva ouro no judô (Foto: REUTERS/Kai Pfaffenbach)

Enrolada na bandeira, Rafaela Silva comemora ouro chorando no meio da torcida (Foto: REUTERS/Kai Pfaffenbach)

Desde que entrou pela primeira vez no tatame nesta segunda, Rafaela decidiu que ela ia muito longe na Olimpíada do Rio. Dona de um enorme talento para o judô, mas nada fã dos exaustivos treinos, ela foi campeã mundial em 2013, porém passou os três últimos anos sem grandes resultados e passou a ralar muito mais nos treinamentos. Estava tudo guardado para a competição na casa dela. Com muita raça, sangue nos olhos e uma técnica apurada, ela contou com o apoio de uma ensandecida torcida que vibrou sem parar, pressionando as gringas. A Silva mais famosa do momento derrotou, pela manhã, em sequência, a alemã Myriam Roper (primeira fase), a sul-coreana Jandi Kim (oitavas) e húngara Hedvig Karakas. A vaga na decisão veio com uma emocionante vitória no golden score, a prorrogação do judô, sobre a forte romena Corina Caprioriu, prata em Londres 2012 e vice no Mundial de 2015.

+ Assista a todas as lutas de Rafaela Silva na Rio 2016

Depois da derrota em Londres 2012, a atleta sofreu com a reação negativa do público. Quando chegou ao hotel após a eliminação nas oitavas de final, centenas de notificações em suas redes sociais chamaram atenção. Rafaela abriu o Twitter e se revoltou. Pela internet, havia recebido todo tipo de crítica e insultos racistas, e não se segurou. Rebateu os internautas, reconheceu que errou e se afirmou com capacidade para os Jogos do Rio. Na época, um representante do Ministério do Esporte em Londres chegou a sugerir que os responsáveis fossem processados, mas nenhuma ação foi adiante. Após vencer a final do judô até 57 quilos e conquistar seu primeiro título olímpico, Rafaela Silva chorou muito e desabafou:

– O macaco que tinha que estar na jaula em Londres hoje é campeão olímpico aqui em casa – disse ao deixar o pódio.

Com 19º ouro, Michael Phelps passa a Argentina em toda a história olímpica e encosta no Brasil

Alexandre Botão /Correio Braziliense

Rio – Quem ficou no Estádio Olímpico de Esportes Aquáticos, no Rio, até o fim da noite de domingo (7/8), para assistir ao revezamento brasileiro no 4x100m livre conquistar um honroso 5º lugar, também viu um pouquinho de história sendo escrita. O norte-americano Michael Phelps, integrante do time dos Estados Unidos na mesma prova, foi determinante para a vitória da sua equipe e subiu ao pódio pela 23ª vez em uma Olimpíada.

A medalha de ouro no revezamento, a 19ª da carreira do nadador americano, faz ressurgir o clichê da brincadeira “se Phelps fosse um país”, que normalmente estabelece uma comparação injusta entre um fora de série de uma modalidade que normalmente dá muitas medalhas, a natação, contra nações que penam no desenvolvimento esportivo. Ainda assim, de forma lúdica apenas, se levássemos adiante a história de que Phelps pudesse ser um país, na noite de domingo, ele teria ultrapassado Argentina e Áustria na classificação histórica de medalhas em todos os tempos.phelps3

O atleta americano chegou a 19 ouros, duas pratas e dois bronzes, deixando as duas nações, com 18 ouros cada, para trás. Mais que isso, Phelps já estaria no encalço do Brasil. O país que sedia os Jogos do Rio ganhou, em todos os tempos, 23 medalhas de ouro. Como o nadador ainda disputa mais cinco provas, poderia chegar a 24 ouros – embora seja muito improvável – e ultrapassar todas as delegações brasileiras da história.

Hoje, o tal “país” Michael Phelps estaria na 40ª colocação do ranking geral de todas as edições olímpicas, o Brasil, ocupa a 37ª. O atleta dos EUA se encontra à frente de Áustria, Argentina, República Tcheca, México e Portugal.