UFC

Holm choca o mundo, 'apaga' Ronda com chutaço no rosto e é a nova campeã do UFC

Por ESPN

Senhoras e senhores, Ronda Rousey não é invencível! Longe disso! E quem chocou o mundo para provar isso foi Holly Holm. Multicampeã de boxe, ela dominou a luta até conseguir o nocaute la com uma potente sequência com um soco e um chute no rosto que levaram Rowdy apagada para o chão. O cinturão peso galo feminino do UFC tem uma nova dona.

“Eu não sei o que dizer, estou tentando absorver isso, mas é muita loucura!”, disse Holm logo após ser anunciada a nova campeã da categoria. “Eu cheguei aqui e recebi tanto amor e carinho, que não poderia fazer nada além de retribuir”, completou, ainda sem conseguir as palavras para descrever o momento.

O mais incrível é que Holm foi superior o tempo inteiro. Ronda Rousey entrou com a mesma ‘fome’ de sempre e tentou ‘caçar’ a rival no octógono. Mas Holly soube muito bem manter a distância e castigou muito o rosto da campeã. Ela até esteve em apuros quando foi ao chão, mas se livrou brilhantemente da temida chave de braço.

No segundo round, com Ronda já claramente frustrada, Holm soube capitalizar. Achou um belo direto que balançou a campeã. Quando Rousey tentava se recuperar, tomou um chute no rosto e caiu já ‘apagada’ no chão. Holly só precisou esperar alguns segundos para ver o juiz paralisar a luta.

 Ronda conhece sua única derrota até aqui na carreira, em sua 13ª luta. Antes desta madrugada, ela parecia realmente ser invencível. Não por menos: nocauteava ou finalizava adversárias em menos de um minuto. Ou, no máximo, em um round – das 12 lutas que fizera, só uma havia passado do assalto inicial.

Mas Holm não quis saber de nada disse. Experiente e já sabendo lidar com a pressão de uma luta por título – ele tinha 18 títulos em três categorias diferentes no boxe -, ela chegou a sua 1oª vitória em 10 lutas de MMA.

Ela ainda faz história ao se tornar a primeira atleta de todos os tempos a ser campeã tanto no boxe quanto no UFC.

Ronda Rousey X Holly Holm_

VEJA TODOS OS RESULTADOS DO UFC 193:

CARD PRINCIPAL
Holly Holm (EUA) nocauteou Ronda Rousey (EUA) a 0’59 do 2º round – valendo cinturão dos galos feminino
Joanna Jedrzejczyk (POL) venceu Valérie Létourneau (CAN) na decisão unânime dos jurados (49-46, 49-46 e 50-45) – valendo cinturão dos palhas feminino
Mark Hunt (NZL) nocauteou Antônio Pezão (BRA) aos 3’51 do 1º round – pesados
Robert Whittaker (AUS) derrotou Uriah Hall (JAM) na decisão unânime dos jurados (30-27, 30-27 e 29-28) – médios
Jared Rosholt (EUA) venceu Stefan Struve (HOL) na decisão unânime dos jurados (29-28, 29-28 e 29-28) – pesados

CARD PRELIMINAR
Jake Matthews (AUS) venceu Akbarh Arreola (MEX) por interrupção médica ao fim do 2º round – leves
Kyle Noke (AUS) nocauteou Peter Sobotta (POL) aos 2’01 do 1º round – meio-médios
Gian Villante (EUA) nocauteou Anthony Perosh (AUS) aos 3’56 do 1º round – meio-pesados
Danny Martinez (EUA) venceu Richie Vaculik (AUS) na decisão unânime dos jurados (30-27, 30-27 e 30-27) – moscas
Dan Kelly (AUS) derrotou Steve Montgomery (EUA) na decisão unânime dos jurados (29-28, 29-28 e 29-28) – médios
Richard Walsh (AUS) venceu Steve Kennedy (ING) na decisão unânime dos jurados (30-27, 30-27 e 29-28) – médios
James Moontasri (ALE) nocauteou Anton Zafir (AUS) aos 4’36 do 1º round – meio-médios
Ben Nguyen (EUA) finalizou Ryan Benoit (EUA) com um mata-leão aos 2’35 do 1º round – moscas

Veja as "Fotos" como Ronda arrasou Bethe em 34s

Muitos poderiam esperar uma vitória de Ronda Rousey na madrugada deste domingo, mas poucos da maneira avassaladora que marcou o fechamento do UFC 190 no Rio de Janeiro. Mais precisamente, foram necessários 34 segundos para a maior estrela do MMA arrasar a brasileira Bethe Correia com um sequência de socos . Dê uma olhada nas fotos da luta e veja como foi o nocaute  que manteve Ronda como campeã do peso galo feminino do UFC.

Mas já? Veja como Ronda arrasou Bethe em 34s e "virou lenda"

Por Terra Esportes

Muitos poderiam esperar uma vitória de Ronda Rousey na madrugada deste domingo, mas poucos da maneira avassaladora que marcou o fechamento do UFC 190 no Rio de Janeiro. Mais precisamente, foram necessários 34 segundos para a maior estrela do MMA arrasar a brasileira Bethe Correia com um sequência de socos . Dê uma olhada nas fotos da luta e veja como foi o nocaute  que manteve Ronda como campeã do peso galo feminino do UFC.

A vitória foi comemorada pelos brasileiros, apesar de Bethe ser do País. Isso só mostra o poder que Ronda Rousey tem em suas mãos, sem exagero sendo hoje a maior celebridade ativa do UFC entre homens e mulheres. A ponto de já poder ser chamada de “lenda do esporte”.

O nocaute serviu também como uma resposta de Ronda à provocação da brasileira , que antes da luta fez uma referência ao suicídio do pai da rival. “Bethe me falou para não chorar ontem na pesagem. Hoje, após nocauteá-la, eu falei: ‘não chore'”, ironizou a campeã. Bethe disse que não vai abaixar a cabeça.

 Foto: Matthew Stockman / Getty Images
Bethe Correia não resistiu a Ronda

Foto: Matthew Stockman / Getty Images

O próximo passo para Ronda pode ser uma luta contra outra brasileira, a Cris Cyborg. Mas para isso a possível rival vai ter de entrar no peso.”Estou preparada para lidar com tudo, porque sou a campeã. Eu luto com 61 kg no UFC e ela quer lutar com 66 kg entupida de esteroides. Ela poderia bater o peso, como qualquer outra, sem os esteroides”, provocou Ronda.

O nocaute garantiu a Ronda o prêmio de melhor performance da noite e US$ 50 mil. Demian Maia também levou o mesmo prêmio por sua vitória sobre Neil Magny .

 Foto: Matthew Stockman / Getty Images
Ronda Rousey manteve o cinturão e teve a melhor performance da noute

Foto: Matthew Stockman / Getty Images

Shogun x Minotouro foi eleita a “Luta da Noite” e merece um capítulo à parte. Dez anos depois do primeiro encontro no Pride, Mauricio Shogun voltou a bater o rival do histórico combate. Em uma luta franca, o vencedor esteve perto de ser nocauteado, mas se segurou e ganhou na decisão dos juízes, o que irritou parte do público.

A família Nogueira teve mais uma derrota na noite com Minotauro, que não resistiu ao holandês Stefan Struve. A decisão unânime dos juízes pode ter significado o fim do brasileiro no MMA, como indicou Dana White após o evento. Por outro lado, o presidente do UFC anunciou atrilogia entre Vitor Belfort e Den Henderson para a edição de São Paulo, em novembro.

Veja todos os resultados do UFC 190

CARD PRINCIPAL

Ronda Rousey derrotou Bethe Correia por nocaute no R1;
Maurício Shogun derrotou Rogério Minotouro na decisão unânime dos juízes
Glaico França derrotou Fernando Açougueiro por finalização no R3;
Reginaldo Vieira derrotou Dileno Lopes na decisão unânime dos juízes;
Stefan Struve derrotou Rodrigo Minotauro na decisão unânime dos juízes;
Antônio Pezão derrotou Soa Palelei por nocaute técnico no R2;
Cláudia Gadelha derrotou Jessica Aguilar na decisão unânime dos juízes;

CARD PRELIMINAR

Demian Maia derrotou Neil Magny por finalização no R2;
Patrick Cummins derrotou Rafael Feijão por nocaute técnico no R3;
Warlley Alves derrotou Nordine Taleb por finalização no R2;
Iuri Marajó derrotou Leandro Brodinho na decisão unânime dos juízes;
Vitor Miranda derrotou Clint Hester por nocaute técnico no R2;
Guido Cannetti derrotou Hugo Wolverine na decisão unânime dos juízes

Deu ruim para o Spider de novo

Foto: Divulgação/UFC – Autor: Thiago Wagner

A vida do lutador Anderson Silva não está mesmo das fáceis ultimamente. Segundo o site MMA Junkie, um dos mais respeitados e tradicionais nos Estados Unidos sobre artes marciais mistas, o brasileiro testou positivo mais uma vez no antidoping. Antes, ele havia sido flagrado em exame feito no dia 9 de janeiro.

A notícia ainda não foi oficializada pela Comissão Atlética de Nevada, mas outras fontes ligadas ao UFC também já confirmam a informação, que deve trazer muitos problemas para o Spider. Realmente deu ruim para ele.

Briga entre irmão?

Ainda no ramo do MMA, o norte-americano Jon Jones recebeu um convite bem fraternal. Chandler Jones, irmão do lutador que joga futebol americano na NFL pelo New England Patriots, desafiou Jon Bones para uma luta. A intenção, porém, não é arrumar confusão, mas sim relembrar a infância. Muy amigo, não?

Reis do saibro na passarela

No Brasil para disputar o Rio Open, o espanhol Rafael Nadal vai conhecer o Carnaval carioca. Ele vai desfilar na ala da diretoria da Viradouro. De quebra, Nadal contará com a companhia do compatriota David Ferrer e do brasileiro Gustavo. Será a reunião dos melhores tenistas do saibro, do presente (Nadal e Ferrer) e do passado (Guga). Somando os títulos de Roland Garros de Nadal e Guga, dá 12 taças. Quer mais?

Massa confiante

Perto de voltar às pistas para mais uma temporada da Fórmula 1, o brasileira Felipe Massa demonstra empolgação com a Williams. Segundo ele, a confiança está muito acima dos tempos de Ferrari. Será que agora vai?

Se contraprova atestar positivo, confronto entre Spider e Diaz deve ficar sem resultado

Redação /Superesportes

Os exames antidoping de Anderson Silva e Nick Diaz podem alterar o resultado do confronto do UFC 183, vencido pelo brasileiro por decisão dos jurados. A Comissão Atlética de Nevada (NSAC) realizou os testes de Spider no dia 9 de janeiro, antes do embate diante do norte-americano. O exame do brasileiro atestou uso de metabólitos de drostanolona e androsterona. Esse tipo de substância tem efeito anabolizante, dessa forma, caso a contraprova dê positivo, há chance do duelo ficar sem resultado.

Decisões dessa espécie acontecem em caso de doping e também quando um golpe ilegal é utilizado durante o confronto. Spider fez três exames; dois de sangue, nos dias 9 e 19 de janeiro, e um de urina em 31 de janeiro, quando ocorreu o confronto. Apenas o primeiro desses testes acusou o uso de substâncias proibidas. Sendo assim, o brasileiro tem o direito de pedir a contraprova.

Já Nick Diaz, foi pego em exame realizado após o UFC 183. O teste do norte-americano acusou consumo de metabólitos de maconha pela terceira fez desde 2007.

A situação de Spider é mais grave, visto que teste acusou uso de anabolizantes. Dessa forma o brasileiro pode ser punido por terem sido encontradas substâncias que são proibidas tanto dentro quanto fora do período de competições. Por ser reincidente, Diaz também deve ser penalizado.

A lenda voltou! Spider joga Nick Diaz para escanteio, vence e cai no choro

Por Direto de Las Vegas, EUA

A agonia de ficar longe do que mais ama durou 398 dias. Dúvidas e questionamentos não deixaram Anderson Silva em paz desde a fratura na perna esquerda na revanche contra Chris Weidman, em 28 de dezembro de 2013. Mas tudo isso se transformou em energia e força para o esperado retorno ao octógono. Os fãs de MMA aguardaram um bom tempo e agora podem desfrutar: a lenda está de volta. O Spider teve pela frente o americano Nick Diaz na noite deste sábado em Las Vegas (madrugada no Brasil), na luta principal do UFC 183, e cumpriu seu papel com êxito. Precisou de cinco rounds, é verdade, mas saiu com a vitória.

O brasileiro, que costuma tentar desestabilizar os adversários emocionalmente, experimentou o outro lado da moeda com Diaz e jogou as provocações e palhaçadas exageradas do rival para escanteio. Não teve medo de chutar com a recuperada perna esquerda e se sagrou vencedor por decisão unânime dos jurados (49 a 46, 50 a 45 e 50 a 45) após cinco rounds, em sua primeira luta a terminar na buzina final desde que bateu Demian Maia em 10 de abril de 2010. Na comemoração, o alívio, e Anderson caiu no choro, aos prantos. Foi o fim de um capítulo emocionante na história do maior nome das artes marciais mistas na atualidade.

Anderson Silva x Nick Diaz, UFC 183 (Foto: Getty Images)Spider cai no chão e chora após ser anunciado vencedor em sua primeira luta pós-lesão (Foto: Getty Images)

– Eu não sei o que dizer. Obrigado, Deus, por me dar mais uma chance. Obrigado aos meus amigos e à minha família. Esse momento é muito importante para mim, para toda a minha família e para todos os brasileiros. Queria agradecer a todos vocês que estiveram aqui, a todos os brasileiros. Esse momento, para mim, é muito importante por conta de tudo o que sofri neste um ano. Achei que não ia voltar a lutar no começo. Queria agradecer ao Dr. Márcio Tannure, ao médico que me operou aqui, ao Dana White, ao Lorenzo Fertitta e a todo mundo que me apoiou até aqui – disse Anderson, emocionado, ao fim do duelo.

O futuro de Anderson Silva é uma incógnita. Com mais 14 lutas no contrato com o UFC, ele está com 39 anos e vive recebendo pedidos da família para que se aposente. Se depender do público, ele ainda lutará por muitos anos.

– Vou voltar para a minha família agora. Meu filho Kalyl pediu para eu parar de lutar. Então eu vou voltar para a minha casa para ficar com meus filhos e, não sei, talvez eu volte.

Anderson Silva x Nick Diaz, UFC 183 (Foto: Getty Images)
Anderson Silva venceu Nick Diaz por decisão unânime no UFC 183 (Foto: Getty Images)

A LUTA: DOMÍNIO DO SPIDER

O frio na barriga na hora da entrada de Anderson foi geral na MGM Grand Garden Arena, mesmo palco de quando ele quebrou a perna, 13 meses atrás. O suspense até que as luzes fossem ligadas, após a escuridão momentânea, contribuiu para o cenário. E ele caminhou aparentando a maior tranquilidade do mundo. Cantou sua clássica música “Ain’t no sunshine” e cumprimentou todos da sua equipe. Subiu no octógono. Era chegado o momento, era para valer. Antes de começar, pediu proteção a Deus, apontando para o céu.

Bem ao seu estilo, Nick Diaz começou a falar e a fazer provocações a Anderson logo de cara. O americano tentou entrar na mente do Spider e até se jogou no chão. Foi para a grade e chamou o brasileiro, que ficou parado. Foi apenas uma prévia do que faria no decorrer da luta.

Anderson Silva x Nick Diaz, UFC 183 (Foto: Getty Images)
Nick Diaz deita e provoca Anderson Silva (Foto: Getty Images)

 O ex-campeão soltou bons cruzados e acertou Diaz, que não esboçou reação. Nick jogou bons golpes. Anderson respondeu com chute baixo com a perna esquerda, aquela fraturada. E a torcida inteira passou a apoiá-lo. O brasileiro também fez as suas provocações. Ele encurralou Diaz e conectou bons jabs. Nick tentou um chute alto que pegou de raspão. A essa altura, o campeão dos pesos-meio-pesados, Jon Jones, e o desafiante número 1 dos pesos-penas, Conor McGregor, já estavam de pé na primeira fila. Jones, por sinal, praticamente trabalhou como instrutor de Anderson no combate, gritando dicas para Spider o tempo todo.

As provocações continuaram no segundo round, e a torcida brasileira passou a xingar Diaz com palavrões. Focado, Anderson não deu brecha para o azar. Nick jogou chutes baixos, e Anderson respondeu com um direto e outro chute com a perna esquerda. Diaz jogou boa combinação e por pouco não levou uma cotovelada no contra-ataque. Anderson conectou um chutaço na barriga; na sequência, botou a mão na cabeça do americano e levou três diretos, mas não sentiu.

PROVOCAÇÕES DE DIAZ NÃO SURTEM EFEITO

No terceiro assalto, Anderson deu um pisão no joelho de Nick Diaz e emendou outro chute baixo com a esquerda. Foi para cima e conectou joelhadas, mais golpes de boxe. Nick, com o rosto parcialmente ensanguentado, cuspiu o protetor bucal e sem ele ficou até o fim do round, sem que o árbitro John McCarthy percebesse. Sem ter resultado nas provocações, o americano foi perdendo cada vez mais espaço na luta, enquanto Anderson ia soltando o jogo.

Anderson Silva x Nick Diaz, UFC 183 (Foto: Getty Images)
Nick Diaz vira de costas para o brasileiro durante o combate (Foto: Getty Images)

– Eu estava dizendo: “Vamos lá. Me bata, venha apanhar um pouco”. Eu vou falar o que falo, fazer o que faço. Esse foi um grande show. Esse é Anderson Silva – explicou Nick Diaz, que foi elogiado por Anderson, apesar das palhaçadas.

– Nick é o melhor. Eu já estou aqui há muito tempo. É a primeira vez na minha vida que eu luto contra um cara mentalmente forte, que tem golpes e chutes potentes. Esse é um grande show para as pessoas. Ele é um bom show, eu também. Ele não é um cara mau. É apenas Nick Diaz.

Os dois se movimentaram muito no começo do quarto round, e Diaz acertou bela combinação de boxe. Com a guarda baixa, Anderson saiu de vários golpes do americano. Nick foi no chute baixo e levou prejuízo no contra-ataque. O chute alto passou raspando o rosto dele. Diaz voltou a provocar e fez polichinelo no octógono. O ritmo do combate diminuiu, e o público ensaiou algumas vaias.

Diaz deu a cara para Anderson bater no início do quinto assalto, dançou e foi vaiado. Anderson foi para cima no boxe, mas ficou na defesa. O americano deu leve balançada em Anderson com um cruzado de esquerda e levou um chute alto na cabeça como resposta. Nick se animou, mas foi para trás com um jab potente. O Spider jogou joelhada voadora e chute alto rodado, ambos passando perto. Nos momentos finais do duelo, o brasileiro não deu brecha para uma surpresa de Nick e, ao soar do gongo, saiu comemorando. Ele sabia o que estava por vir: a vitória que consagrou seu retorno ao MMA após 13 meses longe de seu habitat natural.

MMA de Natal vive drama após dois assassinatos e clama por justiça

Por Natal

Manhã de segunda-feira, dia 10 de fevereiro. O lutador de MMA Luiz de França conversava tranquilamente com amigos na calçada da academia Alta Performance, onde dava aulas, no conjunto Cidade Satélite, zona Sul de Natal. Dois homens numa moto se aproximam do local. Um deles, que estava de capacete e vestia bermuda preta e moletom verde, dá um tiro em Luiz. Na sequência, desce da moto e efetua mais nove disparos.

Noite de terça-feira, dia 11 de fevereiro. O também lutador de MMA Guilherme “Kioto” Matos toma açaí sozinho e tranquilamente em uma lanchonete em Nova Parnamirim, na Grande Natal. Surge um homem com calça escura, camisa de mangas compridas escura e uma toca ninja. O homem se aproxima, dá de sete a nove tiros em Guilherme – a Polícia está no aguardo do laudo pericial para confirmar a quantidade de disparos – e foge com o apoio de um carro preto.

Luiz de França e Guilherme Kioto MMA (Foto: Reprodução)
Luiz de França (E) e Guilherme Kioto foram assassinados em Natal (Foto: Reprodução)

Os dois crimes ocorreram um dia após o outro, resultaram em morte do alvejado e abalaram a capital do Rio Grande do Norte, principalmente a comunidade das lutas. Mais de um mês depois, às vésperas da realização do UFC Fight Night no Combate: Shogun x Henderson 2, neste domingo em Natal, os casos ainda não foram solucionados e ninguém foi preso, mas as investigações vão evoluindo e dando esperança de justiça aos familiares e amigos dos mortos. O caso que está mais próximo de um desfecho é o de Luiz de França, que tinha 25 anos e era atleta da equipe Kimura / Nova União, a mesma de Renan Barão, campeão peso-galo do UFC.

Em breve teremos um desfecho favorável à sociedade. Iranildo, para mim, nunca foi suspeito. Ele sempre foi o acusado, mas eu estava juntando as provas. Suspeito é quando acham que foi. Eu tenho certeza”
Delegado Sílvio, do caso Luiz de França

– A investigação está bem adiantada, em sigilo, com investigações camufladas. Estamos esperando alguns laudos, mas estamos bem adiantados. Já identificamos o policial militar, o primeiro-tenente Iranildo Félix de Souza. Desde o começo, quando eu fui lá e vi o corpo, eu tive a certeza que tinha sido o Iranildo, porque o próprio capitão da corporação, o Juscelino, disse em alto e bom som, após saber que havia sido um tenente da Polícia Militar que havia feito os disparos: “Ave Maria, foi Iranildo, que está afastado, que matou Luiz de França!”. Nós começamos a coletar as provas, mas que foi ele eu não tenho dúvida nenhuma. Estão faltando alguns laudos e também imagens de câmeras de segurança da região que nós solicitamos, mas já juntamos a perícia e algumas contradições. O capitão Juscelino mentiu. Ele disse no dia que o Iranildo havia matado, mas depois, em depoimento, ele negou ter dito. Mas juntamos muita gente que participou da conversa que confirmou que ele havia dito realmente que ele havia matado o Luiz de França – disse o titular da 11ª DP, o delegado Sílvio Fernando, em entrevista ao Combate.com.

De acordo com o delegado, Iranildo foi expulso da academia por Luiz de França, o que teria motivado uma vingança. Ele conta que Luiz dava aulas técnicas, mais voltadas para mulheres que queriam perder peso, enquanto Iranildo queria mais violência. O acusado chegou a desafiar outro professor da academia, que comunicou o fato a Luiz de França. Este, por sua vez, devolveu o dinheiro da mensalidade a Iranildo e o expulsou como ato de disciplina.

MMA Caso de Polícia (Foto: Rodrigo Malinverni)
Delegado Sílvio Fernando, que está à frente do
caso Luiz de França (Foto: Rodrigo Malinverni)

– Em breve teremos um desfecho favorável à sociedade. Iranildo, para mim, nunca foi suspeito. Ele sempre foi o acusado, mas eu estava juntando as provas. Suspeito é quando acham que foi. Eu tenho certeza. O Iranildo é inteligente, formado em Direito, aprovado em biomedicina e medicina na Universidade Federal e pós-graduação em perícia criminal. Mas está usando a inteligência dele em outro sentido. Não tem antecedentes e é elogiado por todos os policiais. Mas ele mesmo disse em depoimento que tem problemas mentais. Recentemente estava afastado e agora pegou mais 300 dias por renovação da licença médica. Aparentemente é um cara tranquilo, mas ele é perigoso, porque todo psicopata é perigoso – afirmou Sílvio Fernando.

O acusado chegou a dizer que tinha um álibi para se livrar da situação, mas se enrolou na hora das explicações e se complicou com os fatos:

– O Iranildo disse que foi para a academia às 8h05m. A identificação biométrica, por impressão digital na entrada da academia, mostra que ele entrou 10h08m, 2h03m depois. Errar o horário em 10 ou 15 minutos é possível, mas mais de duas horas, não. Ele disse que treinou duas horas, mas está registrado que ele treinou 32 minutos. Fez uma série rápida depois do fato acontecido, que foi 9h45m. De onde ele estava, do local do crime, para a academia, a distância é de 2km. Em três minutos se chega lá. Se foi ele, deu tempo de sobra – disse Sílvio.

Sem dúvida a gente ficou muito triste. É uma ferida que não vai cicatrizar nunca”
Renan Barão, campeão do UFC

Amigos e parceiros de treino de Luiz de França mostraram muita tristeza ao falar do lutador e pediram justiça:

– Não gosto nem de falar nesse assunto, na realidade. Sem dúvida a gente ficou muito triste. É uma ferida que não vai cicatrizar nunca. O Luiz de França era um irmãozão da gente, estava sempre dando apoio e nos ajudando – disse Renan Barão.

– O Guilherme eu conhecia, fico muito triste. E o Luiz de França era meu irmãozão. O que tenho a pedir é justiça aos órgãos públicos. Que não fique impune assim como tantos outros crimes que acontecem no nosso país. Que a verdade venha à tona e que o cara que fez isso pague caro. Perdemos não só um grande atleta, mas uma grande pessoa. Os órgãos públicos têm que abrir o olho quanto a isso – complementou o peso-médio Ronny Markes.

A hipótese de os dois crimes estarem interligados é completamente descartada pelo delegado encarregado do caso Luiz de França. Mas o titular da 2ª DP de Parnamirim, o delegado Frank Albuquerque, ainda trabalha com essa possibilidade. O caso de Guilherme “Kioto”, que tinha 30 anos e treinava na Pitbull Brothers, equipe dos irmãos Patricio e Patricky Pitbull, está mais em aberto, segundo Albuquerque:

– Nós temos três linhas de investigação, três suspeitos. Um deles é o assassino. Sabe-se que o assassino era alto e forte, do estilo do lutador. Ele tinha um porte físico bom, forte. Parecia que malhava, no mínimo. Acreditamos ainda que possa ter sido um crime passional, pois todos os disparos atingiram a região da cintura para baixo, bem próximo da regiao genital. É possível que ele tenha se virado quando foi atingido e um tiro pegou nas costas. O normal quando um assassino quer matar a vítima é apontar para a o coração e para a cabeça. Parece que a intenção era impedí-lo de ter relações sexuais, ou deixá-lo aleijado, já que havia tiros na base da coluna cervical. O ITEP (Instituto Técnico-Científico de Polícia) está com problemas e está vindo para Natal uma equipe de peritos da Força Nacional de Segurança para ajudar a executar essses laudos. O pessoal do ITEP ficará fazendo trabalho interno e quem vem de fora vai fazer as perícias externas.

MMA Caso de Polícia (Foto: Rodrigo Malinverni)
Lanchonete onde Guilherme Kioto foi assassinado (Foto: Rodrigo Malinverni)

Uma das possibilidades no caso de Guilherme tem a ver com um episódio ocorrido em 2013. Na companhia do lutador Anistávio Gasparzinho, que participou do primeiro The Ultimate Fighter Brasil, Kioto se envolveu numa briga em uma casa noturna de Natal. Segundo o delegado, Gasparzinho iria ser agredido por um empresário com uma garrafa de whisky na cabeça, por trás, e Guilherme impediu que a agressão acontecesse.

– Não se pode dizer se essa briga não teve a ver com a morte, porque a vingança é um prato que se come frio. Não tem como afirmar que, por ter acontecido há algum tempo, essa briga não tenha nada a ver com o assassinato.

MMA Caso de Polícia (Foto: Rodrigo Malinverni)Delegado Frank Albuquerque está investigando o
caso Guilherme Kioto (Foto: Rodrigo Malinverni)

Outro detalhe importante é que na lanchonete, o local do crime, há câmeras de vídeo, e uma delas estava abaixada no momento dos tiros.

– Ela mostraria exatamente o local em que o Guilherme foi morto. Talvez isso também tenha sido premeditado na lanchonete, pelo assassino ou por algum funcionário. O dono da lanchonete disse que talvez tenha sido alguém que tenha tentado roubar. Mas quem quer roubar leva ou quebra, e não abaixa – disse Frank Albuquerque.

No caso de Guilherme, conta contra ele e abre uma outra vertente o fato de já ter se envolvido com coisas erradas. Segundo o delegado, o lutador foi preso por roubo de carros há cerca de sete anos, mas teria parado com essas atividades desde que saiu da cadeia. Guilherme ficou por lá durante cerca de um mês somente.

Um dos atletas que está no card do UFC em Natal, Fábio Maldonado chegou à cidade há um mês, pouco depois das mortes, e pôde sentir o ambiente:

Acho que isso é um reflexo da política mal governamentada”
Rony Jason, lutador do UFC

– Dá medo, né? A gente não pode fazer nada. Fiquei triste pelo que aconteceu. Um dos garotos era daqui (da Pitbull Brothers). Não só aqui, mas fico triste com a violência no mundo inteiro. É uma pena. Espero que os lutadores não se metam nessa. Mesmo que não ficar rico com o esporte vai conseguir ter uma academia, se dar bem, porque a faculdade nossa é essa. É poder passar para os alunos.

Já Rony Jason, que treinava com Guilherme, coloca a culpa nas autoridades e conta que amigos próximos e parentes ficaram preocupados com ele após os dois episódios:

– Acho que isso é um reflexo da política mal governamentada. Não sei a fundo os motivos que levaram a essas duas mortes. O Guilherme era um cara que estava crescendo. É complicado. Muita gente fala para eu ter cuidado, que estão matando lutadores no Rio Grande do Norte, mas sou um cara muito tranquilo e pacato. Mal saio de casa. Quando saio, vou a uma festinha e volto para casa tranquilo. Mas morrem pessoas toda hora. Foi coincidência terem sido dois lutadores. Foi fatalidade.

MMA Caso de Polícia (Foto: Rodrigo Malinverni)Câmera que estava abaixada na hora do crime:
investigaçãoem curso (Foto: Rodrigo Malinverni)

Para piorar a situação do principal suspeito de ter matado Luiz de França, houve outro assassinato seis dias depois. Iranildo disse ter sofrido um atentado, levou um tiro na barriga e que usava colete no momento. Mas a ex-mulher dele, que estava junto, levou quatro tiros na cabeça, sendo um na nuca, e morreu.

– Ele vai ter que contar essa história e a perícia vai dizer como foi, porque termina sobrando para ele novamente. É estranho ele ser o alvo de um atentado e sofrer só um tiro de raspão na barriga, e ela, que não tinha nada com isso, levar quatro tiros na cabeça. Ele contou que estava levando a ex-mulher para que ela soubesse onde ele estava se escondendo, por medo dos atentados e ameaças que vinha sofrendo, para que ela levasse a criança deles para ele ver. Não havia vestígio nenhum de sangue no carro, como se os tiros tivessem acontecido fora do carro. Essa é mais uma história que ele vai ter que esclarecer, e a perícia vai dar um laudo – afirmou o delegado Sílvio Fernando.

O treinador Jair Lourenço, que recebeu o Combate.com em sua academia, falou emocionado sobre Luiz de França e contou que haverá homenagem a ele no UFC deste domingo, no Ginásio Nélio Dias:

Nós temos três linhas de investigação, três suspeitos. Um deles é o assassino”
Delegado Frank, do caso Guilherme Kioto

– O assassinato do França foi um dos maiores baques que eu levei na minha vida. Natal é uma cidade ótima, mas tem muito isso de assassinato. Já perdi muitos atletas assim. Na minha academia e em outras aconteceu muito. Aqui se mata muito fácil. A lei deixa a desejar. Tiraram um dos nossos filhos. Ele tinha uma condição financeira muito boa, e a família não gostava muito do esporte, mas mesmo assim ele treinava enquanto fazia faculdade e dava aula para ganhar o dinheiro dele. Foi assassinado no local de trabalho, dando aula em uma filial nossa e foi morto brutalmente pelas costas, na covardia. Já existe um suspeito, e as investigações estão andando bem. Vamos aguardar e colocar tudo nas mãos de Deus e da Justiça. Faremos uma homenagem a ele no UFC, mas é uma surpresa. Eu dou aula de vez em quando com a camisa dele. O França mora no meu coração mesmo. O que me deixa mais triste é ele ter ido e eu não ter podido dizer a ele o que eu sentia por ele. Uma vez eu vi uma mãe dizendo para que nós sempre disséssemos aos nossos filhos o quanto nós os amamos, porque você não sabe o que vai acontecer amanhã. E acabou acontecendo comigo, ele morreu e eu não pude dizer a ele o quanto eu o amava.

Enquanto Natal aguarda os próximos capítulos e um final digno para ambas as mortes, o Ultimate vai ajustando os últimos detalhes para o “UFC: Shogun x Henderson 2”, que será realizado na cidade neste domingo, a partir das 17h (de Brasília). O canal Combate transmite o evento ao vivo, e o Combate.com acompanha tudo em Tempo Real.

UFC Fight Night no Combate: Shogun x Henderson 2
23 de março de 2014, em Natal
CARD PRINCIPAL
Peso-meio-pesado: Maurício Shogun x Dan Henderson
Peso-médio: Cezar Mutante x CB Dollaway
Peso-leve: Léo Santos x Norman Parke
Peso-meio-pesado: Fábio Maldonado x Gian Villante
Peso-leve: Michel Trator x Mairbek Taisumov
Peso-pena: Rony Jason x Steven Siler
CARD PRELIMINAR
Peso-pena: Diego Brandão x Will Chope
Peso-médio: Ronny Markes x Thiago Marreta
Peso-mosca: Jussier Formiga x Scott Jorgensen
Peso-meio-médio: Thiago Bodão x Kenny Robertson
Peso-pena: Godofredo Pepey x Noad Lahat
Peso-meio-pesado: Francimar Bodão x Hans Stringer

Barão nocauteia Faber e se garante como melhor do mundo nos galos

Por Direto de Newark, EUA

Independentemente de já ter enfrentado ou não o ex-campeão Dominick Cruz, Renan Barão se firmou na madrugada deste domingo como o melhor peso-galo (até 61kg) do mundo. O brasileiro lutou de forma tranquila desde o início contra Urijah Faber, número 1 do ranking de desafiantes da categoria, e derrotou o americano por nocaute técnico aos 3m42s do primeiro round para manter o cinturão. A paralisação do árbitro Herb Dean, quando Faber mal se defendia dos socos de Barão no chão, gerou reclamações do “California Kid”. O duelo foi a atração principal do UFC 169, realizado no Prudential Center, em Newark, no estado de Nova Jersey (EUA).

– É muito frustrante. Eu sou um dos caras mais resistentes do mundo. Eu levantei o polegar antes de ele parar a luta dizendo que estava bem. Herb é um dos melhores árbitros do mundo, mas eu podia lutar mais tranquilamente. Parabéns ao Renan Barão, que é um grande campeão. Vou continuar. O que eu posso fazer quando estou segurando a perna dele? O que esperavam que eu fizesse? Pulasse e dissesse “Herb, eu estou bem?”. Eu estava cobrindo a minha cabeça com uma mão, e segurando a perna de Barão com a outra. Herb é um excelente juiz, e eu não quero tirar o mérito do campeão. Se alguém merece esse título, é ele – reclamou Faber.

UFC Renan Barão e Urijah Faber (Foto: Joe Camporeale / USA TODAY Sports / Reuters)
UFC Renan Barão festeja a vitória sobre Urijah Faber na luta principal do UFC 169 (Foto: Reuters)

Barão e Faber já haviam se enfrentado no UFC 149, em julho de 2012. Na ocasião, o potiguar também venceu, só que por decisão unânime dos jurados após dominar em pé. Foi a conquista do cinturão interino da divisão, que recentemente virou linear por conta das seguidas lesões do americano Dominick Cruz.

Na madrugada deste domingo, Faber tentou um ataque logo no começo do combate e fez Barão andar para trás. O americano catou a perna, mas não conseguiu botar para baixo. Barão lançou um chute no corpo, e os dois se embolaram. O brasleiro soltou alguns socos no meio da confusão, e os dois riram da situação. Barão acertou a mão direita no rosto de Faber e deu um chute baixo. Na sequência, ele encaixou um direto no queixo e conseguiu o primeiro knockdown. Foi para cima, mas Faber resistiu e se levantou. Barão acertou mais um golpe potente e teve o segundo knockdown. Completamente zonzo, O americano se ergueu de novo e tomou outra direita que o levou ao chão. O campeão sentiu o cheiro da vitória e aplicou uma série de golpes na lateral da cabeça do rival. Como o americano não estava se defendendo devidamente e apenas segurava uma das pernas do brasileiro, o árbitro Herb Dean optou por encerrar a luta.

– Eu acho que fiquei surpreso com a luta. Urijah é duro e resistente, já lutei com ele uma vez, mas confio muito na minha luta e no meu boxe. Estou treinando muito forte todos os dias, fico longe da minha cidade ficando longe do meu filho e da minha família para treinar forte. Meu objetivo é andar para frente e nocautear sempre. Eu vi que tinha acertado e ele cambaleou, e aí fui para definir a luta. Depois eu o vi estirado no chão e só precisei finalizar a luta. Um alô para o bairro das Quintas e para a galera do Rio de Janeiro e minha família. Eu avisei que se a mão pegasse no queixo ele ia descer. A mão tá ficando boa – disse o campeão.

Foi a vitória de número 32 em 34 lutas para Renan Barão, que tem apenas 26 anos. As outras duas foram uma derrota, no primeiro combate da carreira dele, e um “no contest” (luta sem resultado). Foi também a vitória consecutiva de número 22. Já Faber, de 34 anos, sofreu a sétima derrota em 37 combates e teve interrompida uma sequência de quatro triunfos. Ele perdeu a terceira chance de conquistar o cinturão dos galos do UFC.

José Aldo mantém o título dos penas com atuação cerebral contra Lamas

Por Direto de Newark, EUA

O reinado mais longo do UFC na atualidade permanece intacto. O brasileiro José Aldo usou um plano de jogo meticuloso para derrotar o americano Ricardo Lamas por decisão unânime (triplo 49 a 46) no coevento principal do UFC 169, neste sábado em Newark, EUA, e se manter como campeão mundial dos peso-pena. Foi a sexta defesa de cinturão bem-sucedida do manauara dentro do Ultimate, que já detém o título da organização há 1.170 dias, desde novembro de 2010.

Aldo derrubou mais um obstáculo de forma metódica, lembrando o ex-campeão com mais tempo de reinado, o canadense Georges St-Pierre, que recentemente abriu mão do cinturão após 2.064 dias como rei. O brasileiro andou para frente o tempo inteiro, castigou Lamas alternando chutes baixos e combinações perigosas de golpes no corpo e no rosto, e ainda deu uma amostra de seu jogo de chão, derrubando o adversário duas vezes e quase conseguindo uma finalização no quarto round. O americano ainda mostrou raça e determinação até o fim da luta, que terminou por cima, jogando golpes perigosos no ground and pound que não deixaram os brasileiros comemorarem antes do soar do gongo final.

– (Ele me surpreendeu) Bastante. Ele sentiu bem os golpes, mas ele é um grande lutador. Ele fez por merecer. (O que mais me impressionou foi) A garra dele. Eu sabia que ele iria aguentar os cinco rounds, mas eu estava bem – afirmou José Aldo ao final da luta.

UFC José Aldo e Ricardo lamas (Foto: Joe Camporeale / USA TODAY Sports / Reuters)
José Aldo acerta golpe em  Ricardo Lamas no UFC 169 (Foto: Reuters)

Filho de um cubano com uma mexicana, Ricardo Lamas honrou suas origens ao entrar na arena ao som da música “De México a La Habana”, da banda La Sonora Santanera. Com expressão séria, caminhou compenetrado em direção ao octógono, mas se soltou e balançou um pouco ao som da canção enquanto os inspetores da comissão atlética checavam se estava tudo certo com ele. José Aldo veio em seguida, com o habitual aviso: “We’re gonna run this town tonight” (“Vamos comandar esta cidade hoje à noite”), refrão de “Run This Town”, de Rihanna. Vestido com uma camisa em que tinha a foto da filha Joana, o brasileiro disparou em direção ao octógono e entrou pisando com o pé direito, direto ao córner vermelho, onde se concentrou na missão, sempre olhando para baixo. No momento do anúncio dos lutadores, ficou claro que a torcida no Prudential Center estava do lado de José Aldo.

– Uh, vai morrer! – gritou o público.

UFC José Aldo e Ricardo lamas (Foto: Joe Camporeale / USA TODAY Sports / Reuters)
Aldo, aclamado vencedor: cinturão mantido pela
sexta vez (Foto: Reuters)

Foi um primeiro round de estudo e tensão. Lamas deu o primeiro golpe: um chute na perna. Aldo, porém, manteve o centro do octógono e ganhou confiança aos poucos. Seus primeiros golpes foram um gancho de esquerda e um direto. O campeão estava ainda se soltando. Logo depois, conectou um jab no corpo. O brasileiro andava para frente, forçando Lamas a se mover lateralmente. O americano jogou chutes altos e pisões laterais, mas Aldo desviava todos. A primeira mostra de poder veio com uma sequência de jab, gancho e chute baixo. Um chute rodado de direita entrou no meio do tranco. Lamas tentou um chute baixo e Aldo marcou, o desequilibrou e partiu para cima, mas o desafiante se recuperou. O brasileiro conectou mais um direto de direita em resposta a um chute alto e apertou o ritmo no fim do round, com golpes no corpo e em cima. Lamas tentou dois chutes rodados que passaram no vazio, e Aldo terminou com uma joelhada voadora e bons socos por cima.

Lamas começou o segundo round tentando mover mais a cabeça e o corpo e acertou um chute alto na guarda de Aldo. O brasileiro continuava cercando-o. Um jab de Lamas entrou. Todavia, quando ele soltou um chute baixo, levou um direto e uma resposta ainda mais forte embaixo, o que se tornaria uma tendência durante a luta. Lamas tentava chutes altos e no meio, mas o brasileiro desviava mais rápido. O manauara soltou uma ótima combinação de três golpes no corpo. Um overhand de Lamas chegou perigosamente no rosto de Aldo, mas o brasileiro contragolpeou com ainda mais perigo. Outro chute de Aldo por fora quase derrubou Lamas. Ele seguiu apostando nos chutes e ia minando as pernas do adversário. Lamas tentava chutes altos e rodados, mas Aldo estava ligado na sua maldade. Nos minutos finais, Aldo acertou um gancho e um upper que Lamas sentiu. Um chute rodado passou no vazio. Ao final do segundo round, os treinadores de Lamas já usavam sacos de gelo na perna esquerda do americano.

Lamas começou o terceiro round com um pisão frontal no corpo. Ele parecia mais confiante e tentou chutes baixos. Aldo, porém, continuava em sua cara, dando jabs e chutes na perna da frente. Lamas tentou um chute alto e levou outro. Uma sequência de chute baixo e direto balançou o americano. Como um tubarão, o brasileiro sentiu “sangue na água”, mas Lamas se recuperou. Mais um chute baixo fez Lamas girar 360º. Lamas chutava e Aldo já tinha a resposta pronta: jab e chute baixo. Um overhand também entrou com perigo. O brasileiro conectou golpe no corpo e chute de direita forte contra a grade. Lamas não encontrava o brasileiro com seus chutes altos e diretos. O brasileiro acertava seus diretos de direita sempre que os jogava. Lamas tentou trocar e chutar de esquerda, mas o brasileiro também desviou.

UFC José Aldo e Ricardo lamas (Foto: Joe Camporeale / USA TODAY Sports / Reuters)
Ricardo Lamas deu trabalho, mas não foi páreo para José Aldo (Foto: Reuters)

No intervalo do terceiro para o quarto assalto, o córner de Lamas confiava que Aldo estava cansado. O brasileiro, porém, logo mostrou que ainda tinha poder em seu chute de direita. Lamas não perdeu tempo: foi para o single leg e empurrou Aldo contra a grade. O manauara, todavia, mostrou excelente defesa de queda: mesmo erguido por Lamas, fez peso sobre o adversário e permaneceu em pé.  Ele logo inverteu a posição na grade e ainda conseguiu quedar Lamas, fazendo um gancho com a perna direita. No chão, Aldo pressionou para passar à montada, enquanto o desafiante fugia o quadril para fazer guarda. Na meia-guarda, Aldo desferiu golpes curtos no corpo, sem muito impacto. Lamas tentou travá-lo e acabou cedendo as costas. O brasileiro fechou o triângulo na linha de cintura e fechou um mata-leão, mas não obteve o encaixe perfeito abaixo do queixo. Lamas conseguiu escapar e saiu preso à perna de Aldo, tentando um single leg. O americano pressionou Aldo contra a grade, mas não conseguiu derrubá-lo antes do fim do round.

Atrás nos cartões de pontuação, Lamas acertou dois bons chutes no corpo no início do último round. Quando tentou um overhand, Aldo clinchou e derrubou. Por cima, dentro da guarda, foi soltando golpes curtos no corpo. Ao lado de seu córner, Lamas ouvia as instruções e tentou escalar a guarda. Aldo, porém, mostrou seu pedigreé no jiu-jítsu, no qual é faixa-preta, e passou à montada, onde castigou Lamas com golpes curtos no rosto. O americano, todavia, usou a grade para raspar o brasileiro e caiu dentro de sua guarda. A torcida sentiu o momento virar e começou a fazer barulho. Aldo travava as mãos de Lamas e tentou explodir para sair de baixo, mas levou uma cotovelada perigosa. Lamas fez postura e tentou atacar de cima para baixo no ground and pound, mas o brasileiro se desviava bem. Uma cotovelada entrou com perigo com cerca de 50s restando. Aldo, porém, trouxe o corpo de Lamas para si, o abraçou e travou seu ímpeto. O americano se livrou e terminou a luta golpeando por cima, mas foi insuficiente. O cinturão continua no Brasil.

Barão e Aldo colocam cinturões do Brasil no UFC em jogo neste sábado

Por Direto de Newark, EU

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Desde que o Ultimate montou seu “circo” em Newark no início da semana para a realização doUFC 169, torcedores e jornalistas americanos não perdem a oportunidade de provocar os fãs brasileiros de MMA sempre que se encontram. “Estão preparados para voltar para o Brasil sem nenhum cinturão do UFC?”, eles dizem. É este cenário que Renan Barão e José Aldo enfrentam no Prudential Center neste sábado. Os dois companheiros de equipe na Nova União são os últimos representantes da pátria que ainda detêm cinturões da organização, e derrotas para os americanosUrijah Faber e Ricardo Lamas, respectivamente, deixariam o Brasil sem um campeão do Ultimate pela primeira vez desde 14 de outubro de 2006, data em que Anderson Silva conquistou o título dos pesos-médios.

MMA - UFC encaradas Media Day - José Aldo e Renan Barão camisas Futebol Americano (Foto: Evelyn Rodrigues)
José Aldo e Renan Barão: companheiros de equipe são esperanças do Brasil no UFC (Foto: Evelyn Rodrigues)

Os americanos, porém, terão uma missão monumental para deixar os brasileiros de mãos abanando. Entre José Aldo e Renan Barão, são apenas duas derrotas em 57 lutas, e ambos pretendem manter suas impressionantes sequências invictas intactas neste sábado.

O UFC 169 terá transmissão ao vivo com exclusividade do canal Combate, a partir de 21h30m (horário de Brasília). O Combate.com acompanha o evento inteiro em Tempo Real com imagens, vídeos e informações exclusivas direto de Newark, e exibe em vídeo ao vivo a primeira luta do card preliminar, entre os pesos-meio-médios Neil Magny x Gasan Umalatov.

Dono do pedaço

Após a queda do “Spider” diante de Chris Weidman e do hiato de Georges St-Pierre nos pesos-meio-médios, José Aldo se tornou o campeão com o reinado mais longo do UFC na atualidade: ele tem o cinturão dos pesos-penas desde 20 de novembro de 2010. A rigor, o manauara é campeão desde 18 de novembro de 2009, quando conquistou o título do WEC, evento que foi extinto e absorvido pelo UFC no ano seguinte. Somando suas lutas em ambas as organizações, “Scarface” defendeu seu título sete vezes, e ganhou uma aura de invencibilidade que lembra a que Anderson Silva tinha quando campeão dos pesos-médios.

José Aldo encarada UFC (Foto: Evelyn Rodrigues)
José Aldo é campeão do UFC há mais de três anos e não perde desde 2005 (Foto: Evelyn Rodrigues)

Do outro lado do cage, todavia, estará um homem com a mesma seriedade e força mental de Weidman: Ricardo Lamas, filho de um cubano que enfrentou o regime de Fidel Castro. Ele diz que deve a vida ao Brasil, já que seu pai escapou da ilha caribenha através da embaixada brasileira, e terá no córner os treinadores brasileiros César Carneiro e Daniel Valverde. Nada disso, porém, o fará aliviar para José Aldo. Lamas vem de quatro vitórias seguidas, três delas por nocaute ou finalização, e todas sobre lutadores de alto nível da categoria. Ele fez campanha por uma oportunidade de disputar o cinturão por meses, e não vai deixá-la escapar.

– Vou lutar como eu mesmo. Não vou deixá-lo implementar seu jogo, vou manter a pressão sobre ele, encurtar a distância e lutar no meu estilo – afirmou Lamas.

Sem conhecer uma derrota desde 2005, José Aldo está preparado para mais um desafio.

– Acho que o brasileiro pode confiar tanto em mim quanto no Renan pelo fato de a gente treinar todo dia duro na academia, procuramos sempre estar melhorando para chegar lá dentro e vencer a luta. Nisso que eles têm que acreditar, têm que estar na torcida, pois vai dar tudo certo – prometeu o campeão dos pesos-penas.

Validando o cinturão

Se Aldo é o campeão mais antigo do UFC, Barão é o mais novo. A luta deste sábado deveria ser para unificar os cinturões do peso-galo, mas uma lesão tirou de ação o ex-campeão linear, Dominick Cruz, e o brasileiro acabou promovido de campeão interino a campeão absoluto em 6 de janeiro deste ano. Ele já havia defendido o título “suplente” duas vezes, mas agora faz sua primeira defesa de cinturão oficial. Do outro lado, estará justamente o homem que Barão derrotou para conquistar a posição de campeão interino: Urijah Faber, que substituiu Cruz no evento.

Será um Faber diferente que Barão vai encontrar em Newark. O “Garoto da Califórnia” venceu quatro lutas consecutivas em 2013 e pareceu melhor do que nunca. Um dos lutadores mais populares dos EUA, o atleta da equipe Alpha Male também luta contra o estigma de vice-campeão: desde que perdeu o cinturão dos pesos-penas do WEC, em 2008, amargou quatro derrotas em combates valendo títulos.

– Apesar de eu considerar que ainda tenho as mesmas habilidades, acho que sou um lutador melhor. Tive um 2013 muito ativo, treinei continuamente e consegui desenvolver ainda mais o meu jogo em todas as áreas. A vinda do Duane Ludwig para o Alpha Male também ajudou muito no meu camp, consegui ampliar o meu desempenho e criar essa sinergia que me trouxe de volta à briga pelo título. Também estou mais empolgado com essa luta. Agora o momento é outro. Chegou a minha vez de ser campeão do UFC – declarou Faber nesta semana.

Renan Barão e Faber encarada UFC 169 (Foto: Evelyn Rodrigues)
Renan Barão quer dar a Urijah Faber seu quinto vice-campeonato consecutivo (Foto: Evelyn Rodrigues)

Se o americano vem de quatro vitórias seguidas, o brasileiro vem de 31, de acordo com o site especializado “Sherdog” (o UFC contabiliza 33 triunfos na carreira do potiguar). Renan Barão não sabe o que é uma derrota desde sua primeira luta profissional, em 2005. Sua simplicidade o ajuda a ignorar a pressão por uma vitória no dia seguinte ao seu aniversário de 27 anos de idade. Ele só pensa em calar a boca de Faber mais uma vez.

– Acho que quem tem boca fala o que quer. Ele está com muita força de vontade, mas lá em cima o cinturão é meu. Não tem outro pensamento. O cinturão é meu e ninguém vai tirar de mim – exclamou Barão.

Esperanças brasileiras nas preliminares

O UFC 169 tem ainda mais dois brasileiros em ação. Na última luta do card preliminar, o peso-leve manauara Alan Nuguette defende uma invencibilidade de 11 lutas como profissional e pode dar um grande salto na carreira contra o canadense John Makdessi, nocauteador que vem de três vitórias seguidas pelo Ultimate. O card principal tem o paranaense John Lineker em ação contra o russo Ali Bagautinov, numa luta que pode valer uma disputa de cinturão nos pesos-moscas. Outro destaque do evento é o duelo entre os pesos-pesados Frank Mir, ex-campeão do UFC, e Alistair Overeem, ex-campeão do K-1, Strikeforce e Dream. Ambos vêm de sequências negativas e precisam da vitória para garantirem seus empregos. Confira o card completo:

UFC 169
1º de fevereiro de 2014, em Newark (EUA)
CARD PRINCIPAL
Peso-galo: Renan Barão x Urijah Faber
Peso-pena: José Aldo x Ricardo Lamas
Peso-pesado: Frank Mir x Alistair Overeem
Peso-mosca: John Lineker x Ali Bagautinov
Peso-leve: Jamie Varner x  Abel Trujillo
CARD PRELIMINAR
Peso-leve: John Makdessi x Alan Nuguette
Peso-mosca: Chris Cariaso x Danny Martinez
Peso-médio: Nick Catone x Tom Watson
Peso-leve: Al Iaquinta x Kevin Lee
Peso-médio: Clint Hester x Andy Enz
Peso-leve: Tony Martin x Rashid Magomedov
Peso-meio-médio: Neil Magny x Gasan Umalatov