Em confronto intenso, França supera Catar e fatura Mundial pela quinta vez

Por Direto de Lusail, Catar

Mesmo com nove jogadores naturalizados e sob comando de Valero Rivera, campeão mundial em 2013 pela Espanha, a seleção do Catar não conseguiu superar a tradição do handebol francês na decisão do Mundial do Catar. À frente por praticamente todo o duelo disputado neste domingo, no Lusail Hall, a França, atual campeã europeia e bicampeã olímpica, segurou o ímpeto dos anfitriões, venceu por 25 a 22 e conquistou pela quinta vez o Mundial (1995, 2001, 2009, 2011 e agora 2015). Depois de um segundo tempo bastante pegado, com as duas defesas trabalhando muito forte, os atuais campeões asiáticos se contentaram com o vice-campeonato diante dos próprios torcedores – foi a primeira medalha de um país não europeu na história do torneio – e também festejaram ao fim do jogo.

A França tem dois motivos para comemorar. Além do pentacampeonato mundial, a equipe garantiu um lugar nos Jogos Olímpicos do Rio 2016 com a conquista do título neste domingo. Os franceses se juntam ao Brasil, que já tem a vaga por ser o país-sede das Olimpíadas. Resta definir as outras 10 seleções que vão participar do evento (uma das Américas, uma da Europa, uma da África, uma da Ásia e seis provenientes de três Pré-Olímpicos internacionais).

França é campeã do Mundial do Catar (Foto: EFE)
França celebra o quinto título mundial de handebol (Foto: EFE)

Pelo lado francês, Nikola Karabatic, eleito o melhor jogador do mundo em 2007, foi quem mais balançou a rede (5 vezes) na final. O maior goleador do jogo, porém, foi o sérvio naturalizado catari Zarko Markovic, com sete gols. Ele inclusive foi o vice-artilheiro do Mundial do Catar, anotando 67 gols – o esloveno Dragan Gajic marcou 71. O goleiro Thierry Omeyer e o capitão dos Bleus, Jérôme Fernandez, se tornaram os primeiros jogadores tetracampeões mundiais.

Mais cedo, também no Lusail Hall, a Polônia conquistou a medalha de bronze do Mundial do Catar. Na disputa do 3º lugar contra a Espanha, os poloneses forçaram a prorrogação com um gol nos últimos segundos do tempo regulamentar e então bateram os campeões mundiais de 2013, por 29 a 28.

O jogo

Desde o primeiro segundo de jogo, as torcidas do Catar e da França fizeram um barulho ensurdecedor no Lusail Hall. Os primeiros a comemorarem foram os torcedores da equipe da casa, no gol de Benali e no pênalti defendido por Stojanovic. Passados mais de três minutos de jogo, Nyokas empatou a partida, levantando os adeptos da França, que gritaram com a mesma intensidade que os cataris.

handebol nikola karabatic frança catar mundial (Foto: EFE)
Com cinco gols, Karabatic foi o artilheiro da França na final. Markovic fez sete para o Catar (Foto: EFE)

Dentro de quadra, a arbitragem tratou de impedir qualquer crítica em relação a estar ajudando o time da casa. Nas semifinais, os poloneses se revoltaram com os árbitros, que distribuíram cinco vezes a punição de dois minutos contra os europeus e apenas uma contra o Catar.

Agora na final contra a França, a seleção do Catar foi quem sofreu. Pelas sucessivas faltas, o catari Mabrouk levou duas vezes os dois minutos. Depois foi a vez de Capote. Com a vantagem numérica em quadra, os franceses pularam à frente por 9 a 5, com direito a três gols de Nikola Karabatic, o melhor jogador do mundo de 2007. E só não abriram mais gols de frente por conta das defesas de Saric, titular da meta catari. Apenas aos 25 minutos de jogo é que a França foi ter seu primeiro jogador suspenso por dois minutos. E justamente o camisa 13.

Se os franceses chegaram a estar à frente por seis gols (13 a 7), a vantagem diminuiu para 13 a 10 até o retorno de Nikola Karabatic à quadra. A estrela dos Bleus já voltou balançando pela quinta vez a rede de Saric e guiando os Bleus à vitória parcial de 14 a 11 no primeiro tempo. No último lance da etapa, Saric impediu o que seria um belo gol de Porte, numa ponte aérea com Mahe.

O segundo tempo começou quente, com o Catar encostando no placar após dois gols de Mallash. Os franceses ainda se mantinham à frente, apesar do melhor momento dos cataris. O jogo pegou fogo aos sete minutos, quando Nikola e Mabrouk se desentenderam em quadra por causa da marcação apertada do camisa 4. No lance seguinte, Capote tomou pela segunda vez dois minutos de suspensão. No banco, Vidal e Mallash aplaudiam ironicamente a arbitragem, sendo preciso que Valero Rivera interviesse dando uma bronca nos dois pela atitude (18 a 15).

handebol mallash luka karabatic catar frança mundial (Foto: EFE)
Partida no segundo tempo foi marcada pela forte marcação das duas seleções (Foto: EFE)

Os cataris ganharam força após a confusão e voltaram a estar a um gol do empate (18 a 17). A cada gol dos anfitriões e a cada defesa de Saric, a torcida local ia à loucura. Os fãs franceses buscavam responder da mesma maneira, comemorando também as defesas de Omeyer, enquanto os Bleus mantinham pelo menos um gol de vantagem no jogo.

Faltando cinco minutos minutos para o fim da partida, a França tinha três gols de frente (24 a 21). Arremessando de longe, como se destacou durante toda a partida, Capote marcou o sexto gol dele no jogo, diminuindo o placar para o Catar. Mas, por mais que os cataris tentassem, a França sempre tinha uma carta na manga.

Nesse final, assim como nas semifinais contra a Espanha, brilhou a estrela do goleiro Omeyer, pegando um tiro curto de Al-Karbi a um minuto e meio do apito final (25 a 22). Porte ainda fez a festa dos torcedores ao correr na defesa e impedir um último gol catari. A partir daí foi só esperar o cronômetro chegar ao final para os jogadores da França comemorarem o pentacampeonato mundial. Nikola Karabatic ainda resolveu provocar os adversários lhes entregando a bola nos últimos segundos.

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