Ex-capitã do Brasil larga futebol e vira corretora: "estou até panfletando"

Vitor Pajaro
Do UOL, em São Paulo

Aline Pellegrino esteve presente no que pode ser considerado o melhor momento do futebol feminino no Brasil. Ao lado de Marta e companhia, ela conquistou os Jogos Pan-Americanos de 2007, foi finalista da Copa do Mundo do mesmo ano e esteve no grupo de prata das Olimpíadas de 2004. O retrocesso do esporte no Brasil, no entanto, fez com que a ex-capitã da seleção, aos 31 anos, abandonasse o futebol e passasse a investir no ramo imobiliário.

Após voltar do futebol russo e defender o Novo Mundo, do Paraná, Aline até tentou continuar no esporte como treinadora. Assumiu o comando do Vitória de Santo Antão (PE), mas viu que todo o seu esforço não valeria a pena para ajudar o renegado futebol feminino. Sem opções, decidiu trabalhar como corretora de imóveis.

“Eu coloquei meu corpo na guerra. Senti que era o momento de parar, hora de me preservar. É bem aquela história: tentar parar por cima”, disse a ex-zagueira em entrevista ao UOL Esporte.

“É bom poder estar em casa, preciso continuar a vida e achei que valia a pena investir. É um desafio novo, tem bastante gente trabalhando e agora estou em momento de adaptação. Fico ligando para as pessoas, busco clientes e estou até panfletando”, revelou a ex-atleta, natural de São Paulo.

Aline, que iniciou a carreira aos 15 anos de idade e por oito serviu a seleção do Brasil, conta que mantém contato com as ex-companheiras e que muitas ainda não acreditam que a decisão seja definitiva. Ela garante que sim.

“Todas acham que eu vou voltar, mas eu estou bem tranquila com a minha decisão. Não balancei em nenhum momento. Eu dei uma desanimada e nem estou acompanhando muito. Infelizmente estamos distantes do ideal e não vejo perspectivas de melhoras. A minha geração conquistou muita coisa bacana e nada mudou”, lamenta.

Além da passagem pela seleção brasileira, Aline também estava no elenco das Sereias da Vila, como ficou conhecido o time de futebol feminino do Santos. Lá ergueu as taças do bicampeonato da Copa Libertadores e da Copa do Brasil, entre outros títulos.

Apesar de não projetar uma vida no esporte, Aline, que é formada em educação física, mantém uma chama acesa. Pelo menos três vezes por semana, ela trabalha em uma escolinha de futebol apenas para meninas, de sete a 17 anos.

“Eu não consigo mais ver as coisas como via quando tinha 18 anos. Sempre acreditei que algo poderia mudar. As aulas na escolinha são três vezes por semana, mas eu quero focar no ramo imobiliário”, afirma para a tristeza, segundo ela, da ex-companheira de Santos e seleção, Cristiane.

“Ela é uma das que ainda não acreditou. Falou que eu ainda tenho lenha para queimar. Ela ficou triste e eu sei que isso tudo pode dar errado, mas preciso acreditar. Vou direcionar para uma coisa e me dedicar como sempre fiz”, concluiu.

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