Festa sem fim: Raja faz aos 47, explode torcida e pega Monterrey

Por Direto de Agadir, no Marrocos

No que depender do jogo de abertura, o Mundial de Clubes de 2013 terá a sua cota de emoção garantida. Com direito a um gol aos 47 minutos do segundo tempo, o Raja Casablanca fez valer da força de sua talvez inigualável torcida para derrotar o Auckland City, por 2 a 1, nesta quarta-feira, no Stade Adrar, em Agadir, e avançar às quartas de final do torneio no Marrocos, sua casa. Hafidi, que entrou na etapa final, foi o responsável pela explosão nas arquibancadas ao marcar o gol salvador. Iajour havia aberto o placar aos 38 do primeiro tempo. Krishna, num lance de trapalhada da defesa do Raja, chegou a dar esperanças aos neozelandeses.

Cabe ressaltar que independente do resultado de sábado, diante do Monterrey, às 17h30m (de Brasília), também em Agadir, a noite deste 11 de dezembro já está eternizada. De uma belíssima festa com mosaico antes do apito inicial até o fim da partida, o que se viu nas arquibancadas foi uma demonstração ímpar de paixão. A torcida do Raja conseguiu empurrar o seu limitado, porém guerreiro time, a um triunfo que só saiu nos instantes derradeiros. Com milhares de fãs na cidade, a tendência é que a noite se arraste em comemorações.

Se surpreender os mexicanos, o Raja será o rival do Atlético-MG pela semifinal do dia 18 de dezembro, já em Marrakesh. Do outro lado da chave, Guangzhou Evergrande, da China, e Al Ahly, do Egito, definirão também no sábado, mas às 14h (de Brasília), quem será o adversário do Bayern de Munique. Esta semifinal acontecerá na terça, dia 17, na despedida de Agadir da competição.

Daniel Koprivcic e Abdelilah Hafidi, Raja Casablanca x Auckland City (Foto: AP)
Abdelilah Hafidi (dir.) fez o gol da vitória do Raja Casablanca (Foto: AP)

Uma torcida que dá aula

Sete horas de carro ou, aos que têm poder aquisitivo, uma hora de avião, separam Casablanca, norte do Marrocos, de Agadir, cidade litorânea colada ao Atlântico. Mas não havia dúvidas desde cedo que o Raja jogaria em casa. Camisas verdes começaram a brotar já nos pontos mais turísticos da cidade e foram levadas ao Stade Adrar, palco da abertura do Mundial de Clubes. Como um ato religioso, lá estavam elas espalhadas pelas arquibancadas que levavam a mesma cor.

O Raja definitivamente jogava com 12. Sua torcida foi recentemente eleita pelo site francês “So Foot” a quarta mais vibrante de todo o planeta, atrás apenas de Boca Juniors (Argentina), Borussia Dortmund (Alemanha) e Celtic (Escócia). Do lado direito das cabines de imprensa, onde estavam localizados os ultras, não havia uma alma quieta. Dezenas sequer percebiam o frio do anoitecer e permaneceram sem camisa. Pulavam e impulsionavam o restante com qualquer roubada de bola.

Como o debate sobre o quão influente é a participação dos torcedores numa partida de futebol ainda persiste, vamos aos fatos. O Raja, atual campeão marroquino, faz campanha aquém das expectativas no campeonato que se iniciou em agosto: é o oitavo após 11 jogos. Na última semana, os maus resultados ocasionaram a troca de treinador (o tunisiano Faouzi Benzarti assumiu no lugar de Mohamed Fakhir).

Raja Casablanca x Auckland City (Foto: Victor Canedo)
Torcida do Raja Casablanca é considerada a mais vibrante do continente africano (Foto: Victor Canedo)

 Vitória parcial do Raja

Talvez tenha sido o empurrão motivacional que os marroquinos precisavam. Ou o que prevaleceu mesmo no primeiro tempo foi a fragilidade dos neozelandeses. Em campo, relativa superioridade dos donos da casa, que finalizaram em 11 oportunidades – contra duas de seus rivais. Numa delas saiu o único gol, marcado por Iajour, após belo passe de Karrouchy, aos 38 minutos. O chute cruzado no canto esquerdo venceu o goleiro Williams, que já havia impedido o próprio Iajour de abrir o placar momentos antes após ótimo passe de Moutaouali, o destaque do time.

Para não dizer que o Auckland nada fez, houve um lance que poderia ter sido capital aos 45 minutos. Dickinson e Cristobal foram derrubados no mesmo lance – o segundo já estava dentro da área. O árbitro Bakary Gassama, da Gâmbia, preferiu ignorar.

Vaga é de Marrocos

Parecia mais do mesmo a etapa final. Com a marcação adiantada, o Raja criou oportunidades que poderiam ter se transformado em vantagem. Aos três e seis minutos, Karrouchy e Moutaouali quase comemoraram. A bola do camisa 5, inclusive, explodiu na trave.

A partir de então, o Auckland mostrou uma faceta mais organizada. Não que isso signifique lá muita coisa. Apenas o suficiente para também conseguir assustar o gol adversário, quando uma jogada ensaiada aos 13 quase resultou em gol. Todo o mérito da defesa do Raja no lance foi por água abaixo quando um lance de trapalhões entre Oulhaj e Benlamalem deixou Krishna livre para empatar.

O gol esmoreceu o Raja, que por alguns instantes parecia estar abatido, mas não sua torcida, pulsante, vibrante ou qualquer adjetivo semelhante. Na base da raça, os marroquinos passaram o fim do jogo todo no campo de ataque. E chegaram à merecida vitória graças a seu melhor jogador: aos 47, Moutaouali ignorou falta duríssima e achou Karrouchy, que cruzou fechado. Erraki apareceu para cabecear, mas Williams fez grande defesa. Ele só não conseguiu impedir que o rebote de Hafidi estufasse as redes, para a explosão do Stade Adrar.

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