Entrevista Ricardo Coelho, promotor do MPPE

A briga solitária do Ministério Público de Pernambucano (MPPE) em prol da extinção das torcidas organizadas no Estado é ecoada pela voz do promotor Ricardo Coelho. Com o grito engrossado pelo desejo da maior parte da sociedade, ele luta a contragosto da Federação Pernambucana de Futebol (FPF) e dos dirigentes do Náutico, Santa Cruz e Sport. E, também, da Justiça. Afinal, no fim do ano passado, o juiz Edvaldo Palmeira, da 5ª Vara da Fazenda Pública, responsável por analisar a ação cível pública, que pedia a extinção da Fanáutico, Inferno Coral e Torcida Jovem negou o pedido. O MPPE recorreu e, amparado pelos fatos recentes, além de dados e o pedido de socorro dos torcedores de bem, ganha ainda mais força contra as torcidas organizadas.

Na sua opinião, por que a liminar que pedia o fim das Organizadas foi negada?
A alegação do juiz foi que os clubes teriam prejuízos financeiros, porque essas torcidas levam grandes quantidades de pessoas aos estádios. Infelizmente foi interpretado por esse lado, afinal anexamos provas com fotografias, filmagens da PMPE e documentos que comprovam o vandalismo praticados por esses bandos.

O MPPE tem apoio de alguém nessa luta pela extinção das Organizadas?
Não. A FPF ficou a favor da Organizadas e contra o MPPE, assim como os representantes do Sport, Náutico e Santa Cruz. Temos tudo isso comprovado por escrito. Estamos lutando sozinhos. E sabe por quê? Isso tem um nome: “proselitismo eleitoral”. A situação está insustentável. Acabou o diálogo.

O que leva a crer que com o fim das Organizadas a violência irá diminuir?
Temos como forte exemplo a experiência vitoriosa das finais do último Campeonato Pernambucano quando conseguimos banir temporariamente as organizadas do Sport e Santa Cruz do campo. Nesse período, não tivemos um único caso no Juizado do Torcedor de Pernambuco. Quando cortamos a cabeça da serpente, ela deixa de fazer o mal. Além disso, temos exemplos positivos também em outros três estados como São Paulo, Paraná e Goiás.

O que torna as Organizadas tão fortes?
Essas torcidas hoje funcionam como empresas, praticam atos de comércio: vendem camisas, adereços e afins. Temos informações no processo de que, só a Inferno Coral arrecada mais de R$ 100 mil ao mês. É por esse lucro alto para dirigentes dessas torcidas, que eles lutam para mantê-las.

 

 

 

Redação Superesportes – Diario de Pernambuco

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