Érika Miranda perde por imobilização, mas garante a medalha de prata. Ótimo resultado!

CHEGOU A HORA!! Érika Miranda começa a lutar com Majlinda Kelmendi, do Kosovo. Se vencer, a judoca de Belo Horizonte se tornará a primeira brasileira a conquistar um ouro em mundiais. A adversária tenta desestabilizar Érika, que recebe um shido e está em desvantagem.

DUELO EQUILIBRADO – Érika consegue agarrar o quimono da adversária e leva a torcida ao delírio no Maracanãzinho. Majlinda Kelmendi também recebe um shido, e o confronto está empatado neste momento. O placar está zerado, e cada lutadora tem um shido.

NÃO DEU!! Érika é jogada no chão por wazari e depois imobilizada por Kelmendi, que vence e conquista o ouro. Érika Miranda fica com a prata da categoria meio-leve!

Érika Miranda

Faltou pouco. Restava um minuto de combate. A medalha de ouro num mundial, que teima em não vir para o Brasil entre as mulheres, parecia possível, palpável para Érika Miranda. Depois de uma manhã perfeita, com três vitórias, duas por ippon, e de vencer a romena Andreea Chitu na semifinal, a brasileira sucumbiu diante da atleta do Kosovo Majlinda Kelmendi, a melhor do mundo. Ela ficou com a prata no Mundial de Judô do Rio de Janeiro na categoria meio-leve (até 52kg), a sua primeira medalha após algumas decepções na competição.

– Em dois Mundiais eu fui quinto lugar, perdi na disputa do bronze. Venho batendo na trave sempre. Então hoje foi uma vitória muito mais pessoal do que material, conseguir uma medalha num evento grande. Nem caiu a ficha ainda. Estou me sentindo como se tivesse ficado em segundo num Grand Slam, não num Mundial. A torcida foi nota mil. Na semifinal a torcida estava gritando tanto que eu não escutava nem o árbitro, nem o técnico. Era a hora de ter mais concentração e mais técnica para não errar – afirmou Érika.

Aos 26 anos, Érika deu fim ao “quase” em mundias. Em 2007, no próprio Rio de Janeiro, e em Tóquio, em 2010, a judoca perdeu a disputa pela medalha de bronze. Do outro lado, Majlinda Kelmendi, de 22 anos, conquistou pela primeira vez uma medalha em mundiais. Antes, na base, ela já havia conquistado o título mundial. Neste ano, além do título do Masters de Judô, foi prata no Grand Slam de Paris, na França.

Erika miranda e Kelmendi Mundial Judô final (Foto: Marcio Rodrigues / MPIX )
Erika Miranda é golpeada por Kelmendi  (Foto: Marcio Rodrigues / MPIX )

Érika perde por ippon

Érika e Kelmendi se enfrentaram pela quarta vez na carreira. Em 2010, a vitória foi brasileira. Mas daí em diante, Majlinda passou a dominar os duelos contra a brasileira. Venceu em 2011 e 2012, e fez a trinca agora, no Mundial do Rio. O combate, porém, começou equilibrado. Érika partiu para cima da rival, e ambas trocaram pegadas. Bastante ofensiva, a meio-leve do Brasil acabou se descuidando e foi punida. No segundo minuto de luta, Érika aplicou um golpe e pediu ao menos um yuko. A arbitragem negou e o técnico do Brasil acabou recebendo uma bronca do árbitro central.

No terceiro minuto de luta, Kelmendi também recebeu uma punição, deixando a luta igual. Bastante agressiva, Kelmendi tentava o golpe perfeito, mas Érika se defendia bem. No último minuto, porém, a brasileira acabou surpreendida ao ser lançada ao solo, o que rendeu um wazari para a rival. Na sequência do golpe, no solo, a atleta do Kosovo imobilizou a judoca e conseguiu o ippon.

Érika Miranda prata Mundial judô Rio (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX)
Brasileira (primeira à esquerda) exibe a sua medalha de prata (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX)

Assim que conquistou a vitória, Kelmendi não se conteve. Pulou, festejou demais, como se tivesse feito o gol de um título. Efusiva até demais, ela foi vaiada pelo público brasileiro, e ensaiou uma provocação. No ato, foi repreendida pelo árbitro, voltou em si, e ergueu a mão de Érika Miranda, em atitude de respeito.

Pódio meio-leve feminino (até 52kg):

1º – Majlinda Kelmendi (KOS)
2º – Érika Miranda (BRA)
3º – Yuji Hashimoto (JAP)
3º – Marren Kraeh (ALE)

Chibana sofre revés na disputa do bronze

Fora da final dos 66kg, após ser derrotado pelo japonês Masashi Ebinuma na semi, o brasileiro Charles Chibana perdeu a disputa do bronze para Masaaki Fukuoka, também do Japão. Chibana chegou a comemorar o que seria a sua vitória, mas o árbitro não entendeu como ippon um golpe aplicado pelo brasileiro a 3m57s do fim da luta.

O combate mal começou e o japonês já recebeu a primeira advertência. Instantes depois, Chibana aplicou o que seria um ippon, mas a arbitragem não entendeu assim, frustrando a torcida, que chegou a vibrar efusivamente com a vitória do brasileiro. Renovado, Fukuoka começou a se soltar mais na luta, tentando duas entradas em sequência no terceiro minuto.

Na sequência, o brasileiro, enfim, conseguiu pontuar aplicando um wazari. Quando a vitória parecia que se encaminharia para Chibana, veio o golpe de misericórdia. Com um ippon, dessa vez validado pela arbitragem, Fukuoka conquistou o terceiro lugar para a frustração do brasileiro, que foi da alegria à tristeza em menos de 5 minutos.

Nesta terça-feira, o Brasil teve mais dois judocas em ação. Também no peso até 52kg, Eleudis Valentim foi derrotada na segunda luta e chorou copiosamente o revés. A brasileira estreou em mundiais. Outro estreante foi Luiz Revite, do peso até 66kg, mesma categoria de Chibana. Ele, porém, foi derrotado logo no primeiro round, para o sul-coreano Jun-Ho Cho.

Chibana Desolado (Foto: Raphael Andriolo)
Chibana fica desolado após perder disputa do bronze (Foto: Raphael Andriolo)

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