Espanha vence batalha contra Itália nos pênaltis e chega à final com Brasil

Rômulo Alcoforado NE10

A opinião era generalizada – e o tom, quase de desdém: a Espanha venceria a Itália com facilidade, previam torcedores e imprensa. Não sem alguma indiferença. O fim da narrativa, ressalte-se, de fato aconteceu. A campeã mundial e europeia realmente ganhou, mas, antes disso, teve lutar muito para derrubar um enorme adversário. Nos pênaltis, por 7 x 6, na Arena Castelão, passou pelos italianos e pelo peso planetário de suas camisas. A tradição é azul, mas o momento é vermelho. O time de Del Bosque joga a final, domingo, no Maracanã, contra o Brasil – em um duelo que o mundo espera há muito tempo. A equipe de Prandelli participa da insípida disputa de terceiro e quarto lugares no mesmo dia, mas em Salvador.

JOGO – O primeiro tempo foi diferente do habitual. A Espanha, em geral, costuma oprimir seus adversário. Toca a bola, mexe para um lado, para outro. Busca uma brecha que fatalmente aparece para, só então, abandonar o “Tiki-Taka” e agredir. Isso não aconteceu. O primeiro passo foi conseguido: A Roja teve mais posse – mas não conseguiu transformá-la em efetividade.

A Itália fez com que a troca de passes da Campeã Mundial fosse estéril. Houve apenas duas oportunidades vermelhas: A primeira logo a um minuto, com o atacante Pedro. A segunda só aos 36, com Fernando Torres. Ambas diferentes do padrão. A do jogador do Barcelona após um lançamento longo de Piqué. A do atacante do Chelsea, em uma jogada puramente individual.

O time italiano contrapôs a horizontalidade do futebol espanhol com verticalidade. Deve ter se inspirado no Bayern de Munique campeão da Champion’s League. Outra estratégia era marcar forte e explorar as laterais do campo. Candreva, Maggio e Giaccherini – sobretudo esses dois últimos- destacaram-se na primeira etapa.. O lateral-direito perdeu duas grandes oportunidades. Aos 16, lançamento longo encontrou o jogador escapando pela direita. Ele tentou surpreender a saída de Casillas com um toque de cabeça, mas o goleiro evitou. Aos 35, Giaccherini recebeu na esquerda, cortou para dentro e cruzou. Maggio cabeceou sozinho e o goleiro pegou de novo. Ao fim da etapa, a impressão era clara: a Itália fora bem melhor na partida.

No segundo tempo, virou jogo de xadrez. Prandelli fez uma mudança. Tirou Barzagli, machucado, e colocou o meio-campista Montolivo. O sistema não mudou – já que o técnico recuou De Rossi para a defesa. Aos seis minutos, foi a vez de Del Bosque mexer. E ele usou uma carta que há muito guarda na manga: saiu David Silva e entrou Jesus Navas – para dar velocidade e profundidade a um ataque inócuo até então.

Deu certo. Relativamente certo. A Itália, conquanto continuasse melhor na partida, não mantinha o volume ofensivo. Iniesta começou a aparecer na partida. Aos 3 minutos, tabelou com Torres, mas chutou mal. Aos 11, Fernando Torres fez jogada pela direita e tocou para Navas, que bateu cruzado. A partir dos 20, a Tetracampeã mundial voltou a crescer. Mas se tornou mais previsível: Giaccherini caiu de produção. A maioria das jogadas foram criadas por Candreva, pela esquerda.

PRORROGAÇÃO – A Itália mudou. Saiu Gilardino, mau na partida, e entrou Giovinco. A Espanha chegou com perigo logo no primeiro minuto. Buffon saiu de soco em escanteio. Jesus Navas pegou o rebote de primeira e quase surpreendeu. A Itália respondeu com ainda mais perigo um minuto depois. Giaccherini aproveitou cruzamento e encheu o pé. Na trave de Casillas. Del Bosque mudou. Tirou Fernando Torres, centroavante, e colocou Javi Martinez, volante, para atuar como atacante (!). Queria explorar o 1,90m do atleta no jogo aéreo. E foi essa a principal aposta da campeã mundial e europeia.

O jogo foi tenso como só uma prorrogação pode ser. Além do nervosismo natural, some o cansaço de jogadores que enfrentaram 120 minutos de ritmo intenso. A Espanha chegava mais, mas a Itália também assustava eventualmente. A cinco minutos do fim, Xavi mandou a bomba de fora da área. Buffon falhou e apenas resvalou na bola – que, por pura sorte, tocou na trave. Ele deveria ter imitado seu antecessor Pagliuca e beijado a trave. No minuto seguinte, no entanto, ele se recuperou. Navas entrou pela direita e chutou rasteiro. O arqueiro salvou e colocou para escanteio.

PÊNALTI – Candreva bateu o primeiro. Que categoria. Cavadinha, trnquila, no meio – enquanto Casillas pendia demoradamente para o outro lado. Xavi, pela Espanha, bateu com firmeza. Buffon nada pôde fazer. Aqulani, por sua vez, bateu com mais força – o goleiro da Espanha foi no lado certo, mas não pegou. O mesmo aconteceu com o seguinte, Andrés Iniesta. De Rossi voltou ao começo: arqueiro de um lado, embaixo, bola do outro, em cima. Piqué quase o repetiu. No mesmo canto do volante da Roma, mas bateu rasteiro.

Giovinco bateu na direita. Casillas ficou parado no meio. Sérgio Ramos empatou de novo: 4 x 4. Chegava o momento derradeiro. Pirlo, um dos craques da Itália, bateu bem. Mata, em seguida, também. Às cobranças alternadas, portanto. Montolivo converteu, Busquets empatou. Aí veio Bonnuci. Foi para a bola e encheu o pé. Por cima. Navas bateu de novo e decidiu. Fim de jogo. Espanha na final.

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