Jogadores de Pernambuco apoiam Bom Senso FC, mas falta maior presença


Volante Martinez, do Náutico, cobra mais respeito aos atletas. Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem

É muito mais do que simplesmente pedir um novo calendário do futebol brasileiro. Intitulado de Bom Senso F.C, o movimento encabeçado por atletas do futebol nacional (das séries A e B) traça objetivos que vão além da básica redução do número de jogos durante a temporada. Querem uma verdadeira alteração no modo de se pensar o esporte no Brasil – exigem até mais responsabilidade financeira por parte dos clubes. Uma pauta que deveria estar em discussão de maneira mais ampla – como em Pernambuco, por exemplo, onde os jogadores de Náutico, Santa Cruz e Sport parecem estar fora do projeto do movimento apesar do apoio claro às ideias do grupo.

“Estamos jogando quarta e domingo direto. Realmente é muito cansativo. Algumas vezes temos viagens longas também. Tem que haver mais respeito com o profissional. Tem que se sentar e analisar. O jogador é último a saber das situações. É uma falta de respeito com o profissional e com o torcedor, que sai perdendo”, disse o volante Martinez, do Náutico. O alvirrubro chegou a ficar de fora de alguns jogos do Timbu por conta da carga de jogos na temporada.

Se fomos pegar o número de partidas do trio de ferro do Recife neste ano, notamos que quem joga as Série A e B do Campeonato Brasileiro acaba sobrecarregado na temporada por causa das inúmeras competições disputadas. Náutico e Sport devem fechar o ano com mais jogos do fez o Bayern de Munique, da Alemanha, na temporada passada, quando conquistou todos os títulos possíveis. O Leão, por exemplo, se passar para a próxima fase da Sul-Americana, ultrapassará a marca de 70 partidas no ano. Uma média de pouco mais de seis partidas por mês (considerado que um dos meses é de férias).


Toby reclama do cansaço da carga de jogos. Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem

“Estamos muito cansados. É muito desgaste e ainda tem as viagens. Concordo com esse movimento. É pelo nosso bem. Pelo que sei não houve contato com ninguem do Sport senão a gente estava acompanhando de perto. Os jogadores estão querendo mudar e espero que consigam”, declarou o zagueiro Toby, do Leão.

Outro ponto levantado pelo Bom Senso F.C é a pré-temporada adequada para os clubes. Segundo estudos da Universidade do Futebol, o ideal seria um período de quatro a seis semanas – o que não deve ocorrer em 2014. O Náutico, por exemplo, jogará até o dia 7 de dezembro e já deverá entrar em campo no dia 12 de janeiro, pela Copa do Nordeste. Será um espaço de menos de 40 dias de intervalo entre o fim de uma temporada e o início de outra. Bem diferente dos padrões europeus, onde o espaço entre os anos ultrapassa dos 50 dias.

“Não digo nem por mim, mas pelos jogadores jovens. Muitos atletas não possuem condições de atuar até os 30 anos como eu tive. Não acho que chegam a mais do que isso. Não dá tempo de se recuperar. Se me procurassem eu assinaria o documento sim. É uma boa ideia. Temos que respeitar os limites. Temos muitos jogadores lesionados. Está na hora da gente se reunir e formar um grupo para discutir esse calendário que é humanamente impossível. Nos tornamos obrigamos a tomar relaxante muscular para recuperação. Não ha descanso”, explicou o atacante do Santa Cruz André Dias. Os corais recentemente jogaram no Acre na quinta-feira e já tiveram que atuar no domingo seguinte.


André Dias acredita que jovens podem ser prejudicados. Foto: Edmar Melo/JC Imagem

Por enquanto, apesar das opiniões positivas para o Bom Senso F.C não há sinais de que algum jogador que atue em Pernambuco tenha aderido ao movimento. O Bom Senso não revela a lista de atletas que assinaram o manifesto, mas já fala em mais de 800 jogadores que apoiam. Seria ideal a presença de representantes daqui para que o calendário e novas formas de se pensar o futebol local fossem discutidas. Resta aguardar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.