Abertura da Copa 2014

Com técnica, mas sem brilho

Braitner Moreira, Felipe Seffrin, Marcos Paulo Lima e Mayko Silva
Enviados especiais a São Paulo

A primeira surpresa da Copa do Mundo no Brasil surgiu antes mesmo de a bola rolar: não demorou para We are one, tema oficial da competição, se tornar o momento mais aguardado da cerimônia de abertura. Tão criticada quando foi lançada, a música com Pitbull, Jennifer Lopez e Claudia Leitte surgiu para salvar do torpor a torcida que já enchia ao menos 80% das cadeiras do Itaquerão. Mesmo que não tenha empolgado tanto, pode-se afirmar que foi um evento quase sem erros e que agradou pela organização. Bem ao padrão Fifa, a cerimônia começou às 15h15.

Dividida em quatro atos, a festa só engrenou quando os artistas saíram de um grande globo, revestido por uma tela com luzes LED. Nele, as boas-vindas iniciais nos 15 idiomas das seleções participantes do Mundial. Até esse momento, a torcida permanecia calada nas arquibancadas. Culpa de um início conceitual e, vá lá, da iluminação do estádio. Mesmo com todos os refletores acesos, o sistema do Itaquerão não conseguiu evitar as sombras causadas pelo forte sol na tarde paulistana.

Referência à natureza exuberante do país, exaltando as belezas naturais da flora e fauna nacionais, deram o tom do primeiro ato. Na segunda parte, a riqueza cultural foi exploradora. Instrumentos musicais como cabaça, berimbal, agogô e até mesmo um reco-reco de 6 metros de comprimento, deram o tom e o ritmo às danças típicas do país. A Bandeira Nacional entrou em campo, carregada por voluntários, no exato momento em que a Seleção Brasileira chegava de ônibus ao Itaquerão. No quarta e última parte, o globo se transformou na bola oficial da competição, a Brazuca. Ao se abrir, começou o ápice da apresentação. Claudia Leitte dublou uma versão pré-gravada de Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, e recebeu os primeiros aplausos. Neste momento, o Olodum entrou no gramado para acompanhá-la. Em seguida, Jennifer Lopez e Pitbull também surgiram na plataforma, onde apresentaram We are one, o tema da Copa do Mundo.

PARAPLÉGICO O chute de um brasileiro paraplégico deveria ter sido o pontapé inicial da abertura da Copa do Mundo, mas a ação acabou em segundo plano. Por causa do peso do equipamento, não foi permitido que Juliano Pinto, de 29 anos, entrasse no gramado. O chute, então, foi dado perto de um dos bancos de reservas, enquanto a atenção do público estava concentrada na cerimônia de abertura.

O rapaz, com paraplegia completa do tronco e dos membros inferiores, comandou um exoesqueleto metálico utilizando apenas o pensamento. Juliano é integrante do projeto Andar de Novo, coordenado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis.