Ariano Suassuna

Sport vence o Nacional-URU e fatura a Taça Ariano Suassuna

Bastaram três minutos para Samuel marcar o primeiro gol com a camisa do Sport. Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem – Autor: Matheus Albino

O Sport derrotou o Nacional-URU neste sábado, na Arena PE, em jogo válido pela Taça Ariano Suassuna pelo placar de 2×1. Os gols foram marcados por Samuel e Danilo, Durval (contra) descontou para o time uruguaio, todos ainda na etapa inicial.

Foi o primeiro jogo oficial do time em 2015 e o futebol apresentado deixou uma boa impressão para a torcida, que compareceu em bom número, e o técnico Eduardo Baptista. Apesar do caráter amistoso o Leão entrou em campo com tudo e decidiu o jogo logo nos primeiros 45 minutos.

Aos poucos alguns jogadores foram cansando e sendo substituídos. O duelo contra uma equipe que está na Libertadores foi o teste de fogo para o Rubro-Negro que já terá um clássico contra o Santa Cruz na estreia do hexagonal do título do Campeonato Pernambucano.

O Sport não entrou em campo em clima de amistoso e dominou praticamente todo o primeiro tempo. Com um toque de bola envolvente desde a defesa, o Rubro-Negro criou as melhores oportunidades diante de um Nacional que só saiu da defesa quando tomou o segundo gol.

logo aos quatro minutos o Sport abriu o placar com o estreante Samuel. Escalado na vaga de Joelinton o camisa 19 recebeu um bom passe e tocou com calma no canto esquerdo de Munuá. Apesar do desentrosamento o trio ofensivo formado por Régis, Samuel e Elber deu muita velocidade ao ataque e trabalho à defesa uruguaia.

Danilo anotou o segundo gol a favor do Leão. Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem

Danilo anotou o segundo gol a favor do Leão. Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem

Em uma delas, aos 19 minutos, Régis lançou Elber que entrou na área e chutou forte, a bola tocou na trave e sobrou nos pés de Danilo. Sem conseguir manter o ritmo forte dos primeiros minutos, muito por conta da falta de ritmo, o Sport foi recuando e dando espaço para o adversário.

O time de Montevidéu buscou uma reação e evitar uma goleada ainda nos primeiros 45 minutos. A maioria das jogadas saíram pela esquerda com Manuel Díaz. Aos 37 ele cruzou rasteiro buscando o perigoso Alonso, mas a bola acabou desviando em Durval e entrando nas redes de Magrão.

Segundo tempo

O técnico Eduardo Baptista promoveu duas mudanças no intervalo. Ronaldo e Mike entraram nas vagas de Neto e Régis. Com isso o esquema de jogo também mudou, o Sport ficou sem um meia centralizado e ganhou mais um jogador para atuar pelos lados.

Assim como na etapa inicial a marcação esteve mais à frente para anular as investidas do time uruguaio. A primeira grande chance foi do Nacional, aos 13 minutos Alonso foi derrubado na risca da grande área. Ele mesmo cobrou e acertou a barreira.

Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem

Foto: Alexandre Gondim / JC Imagem

Eduardo Baptista percebeu que alguns jogadores cansaram e fez outras cinco substituições. Magrão, Samuel, Alex Silva, Elber e Danilo saíram para as entradas de Danilo Fernandes, Joelinton, Vítor, James Dean e Wendel. O Nacional também fez as suas trocas. Barcia e Gonzalo Bueno assumiram os lugares de González e Fernandez.

Apesar de várias mexidas o segundo tempo foi de poucas emoções. Mas as jogadas duras persistiam, assim como a catimba uruguaia. Em um dos vários lances ríspidos o Tricolor uruguaio teve um de seus principais jogadores expulso. Ivan Alonso fez falta dura em Wendel, tomou o segundo amarelo e foi expulso em seguida. Fim de jogo na Arena PE e o Sport levantou a sua primeira taça no ano.

Imagem da taça Ariano Suassuna. Foto: Matheus Albino / Blog do Torcedor

Imagem da taça Ariano Suassuna. Foto: Matheus Albino / Blog do Torcedor

Ficha de jogo

Sport: Magrão; Alex Silva (Vítor); Durval, Páscoa e Renê; Rithely, Neto (Ronaldo), Danilo (Wendel) e Régis (Mike); Elber (James Dean) e Samuel (Joelinton). Técnico Eduardo Baptista

Nacional-URU: Munua; Romero, Guillermo de los Santos, José Aja e Díaz; Arismendi, Gonzalo Porras, Carlos de Pena e Ignacio Gonzalez (Barcia); Ivan Alonso e Sebastian Fernandez(Gonzalo Bueno). Técnico: Alvaro Gutiérrez.

Taça Ariano Suassuna. Local: Arena PE. Data: 24/01. Árbitro: Nielson Nogueira Dias. Gols: Samuel (aos 4min) e Danilo (aos 14min) do primeiro tempo. Nacional – Durval (contra). Público: 22.356. Renda: R$: 547. 250

Em dia de Ariano, Sport usa força da marcação para bater o Atlético-MG

Felipe Azevedo abriu o placar para o Leão. Fotos: Guga Matos/JC Imagem – Autor: Thiago Wagner

Estampados nas camisas dos jogadores do Sport, os personagens de Ariano Suassuna, que morreu na última quarta-feira, puderam protagonizar mais uma estória. Ela, porém, não veio da pena do escritor paraibano, mas sim das chuteiras de quatorze rubro-negros presentes no gramado da Ilha do Retiro, palco da narrativa deste domingo, pela 12º rodada da Série A. Chicó, Quaderna e companhia incorporaram em Neto Baiano, Páscoa e outros para produzir a melhor homenagem para Ariano: uma vitória. Mas o resultado de 2×1 não veio sem luta. O Leão teve que se aplicar defensivamente no gramado e tirar cada espaço do Atlético-MG. Mostrou que pode construir uma vitória com base na marcação. Os gols Felipe Azevedo e de Durval, da Paraíba como Suassuna, escreveram o resultado do jogo a favor do Rubro-negro. Tardelli diminuiu para o Galo, mas não estragou a festa.

Com o resultado positivo, o Leão sobe para a quinta posição provisória no Brasileirão com 21 pontos, ficando a um ponto do G4 da competição. Na próxima rodada, o Sport encara o Figueirense fora de casa, enquanto os mineiros, que estão em 11º com 15, recebem o Atlético-PR.

O JOGO – Ciente de que não poderia encarar uma equipe como o Atlético-MG de igual para a igual, mesmo em casa, o técnico Eduardo Baptista montou o Sport mais precavido dentro de campo. A proposta era clara: tirar espaços do adversário e tentar aproveitar os contra-ataques em velocidade. Para isso, o comandante leonino apostou em Danilo e Felipe Azevedo abertos pela esquerda e direita respectivamente, enquanto Zé Mário ficou com a criação pelo meio.

Partida foi pegada durante os 90 minutos

A ideia funcionou em partes no começo do jogo. O Leão fechou bem a defesa e dificultou a vida do Galo nas quatro linhas – o alvinegro mineiro teve mais posse de bola, mas pouco agrediu o goleiro Magrão. O problema é que os rubro-negro pecavam na saída para o contragolpe. Faltava velocidade e mais precisão nos passes. A partida ficou presa no meio de campo porque nenhum dos times conseguiu levar perigo.

Vendo que não iria ‘furar’ o bloqueio do Sport somente com o toque de bola, o Atlético-MG cedeu um pouco de espaço para os donos da casa. Queria jogar uma armadilha para os leoninos e explorar justamente a arma do adversário: os contra-ataques. De início de certo. O Leão tentou ir mais para cima e deixou buracos atrás, que foram aproveitados pelos visitantes na base dos lançamentos rápidos. O Galo ficou perto de abrir o placar, mas Magrão apareceu como último reduto e salvou os rubro-negros.

No final, festa foi rubro-negra

A estratégia dos mineiros de ‘dar corda’ ao Sport, porém, acabou sendo um erro no fim das contas. Isso porque o Leão cresceu na partida e dominou as ações a partir de então. Manteve marcação dura e aproveitou a posse de bola dada. Levou perigo e chegou aos gols com competência. No primeiro deles, Felipe Azevedo recebeu belo lançamento de Durval e não perdoou aos seis minutos do segundo tempo. Festa rubro-negra nas arquibancadas.

O bom momento foi mantido e foi transformado em novo gol aos 23. Desta vez o eleito foi justamente Durval, que aproveitou lançamento na área para ampliar o placar e aumentar a euforia leonina.

Os gols, porém, não mudaram a postura do Sport, que manteve a aplicação defensiva. O que se viu depois foi mais uma aula de como bloquear o adversário, tamanha a dificuldade do Atlético-MG para balançar as redes. A insistência do Galo, no entanto, foi recompensada com um pênalti. Tardelli cobrou, diminuiu, mas não impediu a alegria dos rubro-negros e de Ariano.

FICHA DA PARTIDA – SPORT 2X1 ATLÉTICO-MG

Sport: Magrão; Vitor, Páscoa (Oswaldo), Durval e Renê; Ronaldo (William), Wendel, Danilo e Zé Mário (Aílton); Felipe Azevedo e Neto Baiano. Técnico: Eduardo Baptista.

Atlético-MG: Victor; Marcos Rocha, Leonardo Silva, Réver e Emerson Conceição; Pirre (André), Leandro Donizete, Guilherme e Maicosuel (Dátolo); Jô (Luan) e Tardelli. Técnico: Levir Culpi.

Brasileirão (12°rodada). Local: Ilha do Retiro. Árbitro:  Thiago Duarte Peixoto – SP. Assistentes:  Vicente Romano Neto e  Fabio Rogerio Baesteiro (ambos de SP). Gols: Felipe Azevedo (S) aos 6 e Durval (S) aos 23 minutos e Diego Tardelli (A) aos 39 do segundo tempo. Amarelos: Leonardo Silva (A), Victor (A) e Leandro Donizete (A). Público: 17.575. Renda: R$ 304.320.

Ariano Suassuna deixa paixão pelo Sport como marca de sua trajetória

Ariano Suassuna tinha uma relação de amor com o Sport (Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press) Por 

Um dos maiores romances de Ariano Suassuna foi vivido, não escrito. A morte do escritor e dramaturgo, aos 87 anos, põe fim a uma relação de amor que brotou ainda na infância, no início dos anos 30, e o acompanhou pela vida inteira. O Sport Club do Recife foi parte importante da vida do paraibano.

Ariano deu entrada no Hospital Português às 20h desta segunda-feira e passou por uma cirurgia depois de sofrer uma hemorragia cerebral, mas não resistiu e faleceu nesta quarta-feira. A saúde estava debilitada desde agosto de 2013, quando foi vítima de infarto e, posteriormente, aneurisma cerebral.

Nascido em João Pessoa, mudou-se para o Recife dez anos depois, em 1937. Na capital pernambucana, incentivado pelo irmão Marcos, jogador de basquete do Sport, alimentou ainda mais o sentimento de torcedor nutrido desde menino, no sertão da Paraíba.  Nos últimos tempos, costumava aparecer vestido com o tradicional traje vermelho e preto, batizado pelo próprio de “Sport Fino”.

Ariano fazia questão de destacar a importância do clube em sua vida. E não aceitava que alguém colocasse o Sport em segundo plano.

– Discordo de quem disse que dentre as coisas menos importantes da vida, a mais importante é o futebol. O Sport, para mim, é – e sempre foi – uma das coisas mais importantes na minha vida – relatou o escritor, em conversa com o GloboEsporte.com, em 2012.

Frequentador assíduo da Ilha do Retiro, Suassuna guardava duas vitórias sobre o Corinthians como as mais marcantes na trajetória pessoal como torcedor. A primeira, no dia em que subiu o alambrado, na década de 50, para comemorar um triunfo por 2 a 1, em um amistoso contra o Timão. A segunda, e mais emblemática, foi final da Copa do Brasil, em 2008. Enquanto Corinthians e Sport se preparavam para a decisão da partida, cerca de 35 mil pessoas ovacionaram o escritor que, emocionado, chegou a comparar aquele dia ao do lançamento de uma de suas obras mais conhecidas, o Auto da Compadecida.

– Quando o primeiro tempo acabou em 2 a 0, foi aí que tive mais medo ainda, mas depois fomos tomados por uma alegria incrível. Fui direto para casa, mas confesso que demorei muito a dormir, tomado pela emoção, que foi semelhante ao lançamento do “Auto da compadecida”, em 25 de janeiro de 1957, no Rio de Janeiro. Na ocasião, todas as peças que nos antecederam foram vaiadas, mas nós fomos aplaudidos, aclamados pelo público. Senti o mesmo que uma vitória do meu Sport – disse o escritor, em entrevista ao GloboEsporte.com, em 2012.

Sempre bem-humorado, Ariano não perdia a oportunidade de provocar os rivais. O escritor gostava de brincar com os torcedores de Náutico e Santa Cruz.

– Sou rubro-negro dos pés à cabeça. Brancos só os cabelos, que já estão caindo – chegou a afirmar.

Tanta devoção fez o clube eternizar a ligação com o dono da cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, ao lançar, em 2013, uniforme inspirado no Movimento Armorial, criado por Ariano Suassuna com o objetivo de disseminar a arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste Brasileiro. Convidado para o evento de lançamento, o poeta foi tratado como um pop-star pelos torcedores e relembrou uma das suas célebres frases sobre a relação com o Sport: “Felicidade é torcer pelo Sport”.

Dias antes do evento, Ariano Suassuna, que ganhou notoriedade por seus romances, como “O Auto da Compadecida”, “Uma Mulher  Vestida de Sol” e “Fernando e Isaura”, deixou uma mensagem.

– Agora, estando ou não no estádio eu estarei presente em espírito, através da camisa do Sport.

Sport prepara homenagem

Abalado com a morte do escritor, o presidente do Sport, João Humberto Martorelli, decretou luto oficial de três dias e disse que o clube fará uma homenagem especial para aquele que, segundo mandatário rubro-negro, foi um dos mais representativos torcedores do Leão da Ilha.

– Lamentamos muito o falecimento de Ariano, que sempre levou o nome do Sport por onde andou. Está decretado luto oficial e estamos preparando algo para homenageá-lo. Logicamente faremos algo no próximo jogo (contra o Paysandu, quarta-feira), mas isso não basta. Pela representatividade que ele tinha, temos que fazer algo especial, que mostre a importância dele para o Sport.