Atividade Fisica

Sedentarismo e pouca adesão para atividade física geram preocupação

Por Nabil Ghorayeb São Paulo

Várias evidências científicas acumuladas provaram o papel do exercício físico na prevenção e tratamento de doenças crônicas nos últimos tempos. Recentemente uma revisão de tudo o que já foi publicado está “online” na Revista Europeia do Coração (Euro Heart Journal) prioritariamente antes da edição impressa, com o título “Role of Exercise in the prevention of cardiovascular diseases”. O exercício pode ser considerado um pré-requisito fundamental para o bem estar e integridade física humana. Com o grande aprofundamento da biologia molecular, os mecanismos como a biodisponibilidade e a mobilização de células progenitoras puderam ser identificados com detalhes, o que melhorou a nossa compreensão dessa ferramenta terapêutica.

Sedentário euatleta (Foto: Getty Images)
Sedentarismo e baixa adesão para a atividade física preocupam a saúde pública (Foto: Getty Images)

Infelizmente, ainda ocorre uma baixa taxa de adesão para atividade física, tanto de pacientes como de saudáveis. Isso trouxe um motivo de preocupação para a saúde pública, esse crescente sedentarismo no mundo, consequente da alta “tecnologia do conforto”. Nessa publicação são propostos incentivos vindos dos governos, dos seguros de saúde, das entidades esportivas e sem dúvida acrescento das várias mídias existentes. O EU ATLETA é um exemplo pronto de incentivo à atividade física e ao esporte.

Uma das ideias colocadas são desonerações de impostos de um simples tênis até dos equipamentos de exercícios. Afinal, o resultado será menos gastos no tratamento das doenças crônicas que mutilam ou matam. As companhias de seguros já estão dando descontos para seus usuários que praticam esportes regularmente e até deduções no imposto de renda são usadas em alguns países. Melhorar e proteger as vias exclusivas para ciclistas e corredores, de escolares até trabalhadores comuns.

Estimular a caminhada para o trabalho e para a escola com mapas das distancias entre os pontos de parada, em todas as estações do metro e de ônibus, foi uma ideia inicial da OMS (Organização Mundial da Saúde) há mais de 20 anos, agora incrementada .

Na verdade, todos nós que curtimos a atividade física, podemos convencer e trazer mais e mais praticantes, o que no fundo funciona como um programa de saúde para todos, sem demagogia, sem politicagem e de custos irrisórios.

PS: Nós médicos sempre fomos parceiros dos profissionais da saúde não médicos. A aprovação da Lei do Ato Médico depois de 11 anos de discussões foi encerrada elegantemente, com tudo acordado entre os vários Conselhos Federais, mas a demagogia e interesses excusos de políticos populistas, deturpou as conclusões impedindo o reconhecimento da profissão de médico, depois de mais de 120 anos de atuação a favor do bem estar da população.

Atividade física em demasia pode afetar o coração

Segundo o cardiologista Francisco Antonio Helfenstein Fonseca, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), embora o risco seja pequeno – tendo como exemplo as maratonas, quando o esforço físico é maior do que o habitual, é importante que seja realizada uma avaliação médica antes de realização de qualquer atividade que possa comprometer o funcionamento do corpo e principalmente do coração.

Com a chegada do final do ano e aproximação das férias, muitas pessoas planejam viagens e atividades físicas, seja com o intuito de se divertir, sair da rotina, melhorar a aparência física, se exercitar ou mesmo se desestressar.

Os programas são diversos e incluem desde uma simples caminhada, benéfica à saúde do coração e da mente, até performances mais elaboradas, como participar de maratonas, pular de bung jump, escalar montanhas e andar de kart em alta velocidade. Tais atividades elevam a frequência cardíaca, podendo causar complicações em pessoas que apresentem quadros de doenças cardiovasculares ou possuam histórico na família.

Segundo o cardiologista Francisco Antonio Helfenstein Fonseca, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), embora o risco seja pequeno – tendo como exemplo as maratonas, quando o esforço físico é maior do que o habitual, é importante que seja realizada uma avaliação médica antes de realização de qualquer atividade que possa comprometer o funcionamento do corpo e principalmente do coração.

Dr. Francisco argumenta que, se o indivíduo estiver habituado à realização de exercícios de grande impacto, a chance de ocorrer algum fator adverso é pequena. No entanto, ele aconselha que, antes de praticar qualquer atividade física, é importante a consulta a um médico especialista, de confiança do paciente, além da realização de uma avaliação prévia, pois, conforme alerta, a maioria dos casos de patologias e diagnósticos é desconhecida ao doente.

“Existem alguns casos raros de pessoas que nascem com alterações cardíacas, um músculo do coração de maior diâmetro, uma hipertrofia do músculo cardíaco, ou doença desconhecida do paciente em valva cardíaca, trajeto de coronária anômalo, ou doença estrutural cardíaca que pode se associar com arritmias, por exemplo, e essas pessoas podem, sob estímulos de esforço físico, deflagrar arritmias que talvez sejam letais”.

O médico também salienta que, ao definir o cronograma das férias e as atividades que serão realizadas nesse período, é importante que a pessoa leve em conta seu histórico, se seus pais ou familiares já tiveram problemas relacionados ao excesso de esforço físico, se existe alguma doença de origem cardiovascular ou comorbidade (doença associada), além de possuir aprovação médica que valide a prática de exercícios e atividades de forte impacto.

Outro ponto importante é saber se não existe nenhuma complicação que no passado tenha inviabilizado a prática relacionada ao esforço físico, além da checagem com os pais e familiares mais próximos que permita saber se houve um acompanhamento médico regular desde a infância com consultas periódicas com o pediatra e o hebiatra (médico para adolescentes), que comprovem a inexistência de nenhuma doença grave.

Conforme o cardiologista, a prática de esportes radicais deve-se ser acompanhada por profissionais da área médica, com avaliações e exames preventivos antecipatórios.

“Se você vai saltar de paraquedas, durante a queda ao solo, pode haver complicações cardíacas. Como exemplo, alterações de válvulas cardíacas em alguns pacientes com doença prévia podem propiciar alterações agudas de doença do coração. Então, sempre que for praticar um esporte radical, o interessante é fazer um exame para saber como está a sua saúde”.

O especialista ressalta que normalmente existe um pensamento equivocado de que os problemas cardiovasculares estão apenas restritos aos adultos, quando na verdade podem ocorrer em jovens.

“Existem doenças congênitas não diagnosticadas que podem expor ao risco. Convém lembrar que dados de autópsia comprovaram que 50% de pessoas que faleceram entre os 21 e 25 anos possuíam placas de gordura nas coronárias que não chegam a obstruir a coronária, mas representam lesões iniciais da aterosclerose na parede dos vasos, que é de maior magnitude entre os jovens fumantes, sedentários, hipertensos ou com história pessoal ou familiar de colesterol elevado.

Dessa forma, para aproveitar o recesso e as férias com qualidade e saúde, é importante exercitar-se, com prevenção e sem excessos, além de manter uma boa alimentação e evitar o uso abusivo de bebidas alcoólicas, cigarros e outras substâncias que possam prejudicar a saúde.

Matéria publicada no site Segs

Exames ajudam a identificar limites de atividade física para cada pessoa

O painel genômico, um exame que mapeia o DNA. Pela saliva, são analisados 140 marcadores genéticos. Custa cerca de R$ 2,4 mil, mostra, por exemplo, como o corpo processa os alimentos, como o metabolismo funciona ou se existe pré-disposição para alguma doença. A partir do levantamento, é possível formular dietas e atividade físicas que trarão um melhor resultado.

Não são raros os casos de pessoas que se exercitam sem o acompanhamento de um profissional ou mesmo que não tenham feito qualquer avaliação prévia. Situações como estas, apontam especialistas, podem ser bastante prejudiciais, como o acarretamento de lesões ou o agravamento de algumas já existentes. Por isso, todo cuidado é pouco.

Quando se começa a praticar uma atividade física, é normal que haja algum desconforto. Principalmente se é a primeira vez ou se a pessoa estava há muito tempo sedentária. “Se a dor, por exemplo, perdurar por 24, 48 horas ou mais, é sinal de alerta”, aponta o professor de educação física, Juliano Mora.

Por isso, aponta, sempre existe um limite, seja ele resultado de uma doença, da própria idade ou mesmo do condicionamento físico. Quem não presta atenção nisso acaba machucado. O advogado Bruno Nogueira Franco, que mora em Cascavel, no oeste do Paraná, descobriu isso tarde demais. Hoje sofre com dores na coluna.

“Os excessos na minha infância causaram essas dores, provocadas por um desgaste na minha coluna vertebral. Aos sete anos eu comecei a praticar luta, aos 11 anos eu comecei a fazer musculação. Iniciei sem acompanhamento. Colocava o peso, fazia como eu queria. Isso acabou gerando as limitações que eu tenho hoje”, conta.

As dores surgiram na faculdade e continuaram a atrapalhar na profissão. Como advogado, a rotina de Bruno é sempre a mesma: boa parte do dia sentado, trabalhando no escritório. “Eu sentia dores e nas pernas sentia uma certa dormência.”

Ele procurou um neurologista, que recomendou exercícios físicos, mas com acompanhamento. De segunda a sábado, três vezes por semana depois do expediente, ele vai para a academia. Em outros dois dias, Bruno faz pilates. “Há mais ou menos quatro anos eu comecei o acompanhamento com um personal trainer. As dores são menos frequentes. E, hoje tenho uma vida praticamente normal, mas sem deixar de lado o que eu gosto de fazer, que é me exercitar.”

O ortopedista Marcelo da Silva pratica cross training. Ele explica que as lesões com este tipo de atividade são mais frequentes nas articulações, como joelhos, tornozelos, ombros e coluna. “Isso é muito comum quando não se tem alguém habilitado orientando. No caso de pequenas lesões, se você não dá um intervalo para se recuperar, elas acabam não cicatrizando, o que leva a lesões maiores”, explica.

Preparação e cuidados

Até a escolha do tênis pode interferir no rendimento do treino e na saúde. Atividades de impacto pedem modelos com bom amortecimento. O primeiro passo é descobrir o estilo da pisada.

Mas, antes mesmo de se iniciar a atividade escolhida, é importante conversar com um médico, para quem se deve falar, inclusive, o histórico familiar de doenças. Outro importante teste é o cardiológico, feito na esteira, que vai mostrar o condicionamento físico e diversas informações sobre a saúde de quem está sendo examinado.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 16,6 milhões de pessoas morrem todos os anos de doenças cardiovasculares, o que equivale a um terço do total de óbitos no mundo registrados em 2001. O órgão aponta ainda que mais da metade desses casos poderia ser evitada com cuidados com a alimentação e a prática de exercícios.

Para quem busca um exame mais completo, a dica é o painel genômico. O equipeamento mapeia o DNA. Pela saliva, são analisados 140 marcadores genéticos. O exame, que custa cerca de R$ 2,4 mil, mostra, por exemplo, como o corpo processa os alimentos, como o metabolismo funciona ou se existe pré-disposição para alguma doença. A partir do levantamento, é possível formular dietas e atividade físicas que trarão um melhor resultado.

O importante, é deixar o sedentarismo e praticar uma atividade física, mas com consciência, conhecendo melhor o próprio corpo e respeitando os limites, lição que pode ser dura de aprender caso se deixe para mais tarde. “A coluna não regenera. O erro do passado não tem como corrigir mais. Mas dá pra estabilizar e tentar prosseguir daqui para frente sem as dores”, projeta Bruno.

Matéria publicada no site Globo.com