Bale

"O talento venceu a estratégia". Real 4 a 1

Por Cosme Rímoli

Um gol aos 48 minutos do segundo tempo.

E a história da final da Champion League estava mudada.

Um mero escanteio que Sergio Ramos cabeceou livre.

E começava a desmoronar o lindo sonho do Atletico de Madrid.

Com o empate em 1 a 1.

1ap O talento venceu a estratégia. Real 4 a 1 no Atlético. Décima conquista de Champions League do milionário time merengue. Mas a epopeia da heroica equipe de Simeone também entrará para a história...

Os golpes finais vieram no segundo tempo da prorrogação.

O primeiro quando Di Maria ganhou, invadiu a área.

Chutou forte, Courtois fez a defesa.

Mas Bale, cruel, cabeceou para as redes.

2 a 1.

Com todos do Atlético de cabeça baixa, veio a goleada.

Marcelo marcou o terceiro aos 12 minutos.

Cristiano Ronaldo ainda foi premiado.

Acabou derrubado por Gabi.

Pênalti.

Cobrado pelo português com firmeza.

Marcou o impressionante 4 a 1, de virada.

Recordista absoluto ao marcar seu 17º gol no torneio.

Pela décima vez, o Real Madrid é o dono da Europa.

Venceu em Lisboa, depois de 12 anos.

Ninguém ganhou tanto quanto o milionário time.

Os milhões de euros a mais do Real Madrid valeram.

O time sensação do mundo quase conseguiu seu maior feito.

Uma semana após ser campeão espanhol.

Ganhou, com todo o mérito, o respeito da Europa.

Mesmo sendo vice.

O duelo pura tensão.

Valia muito para os rivais de Madrid.

O maior desfalque do Real estava em campo.

Cristiano Ronaldo.

1efe6 O talento venceu a estratégia. Real 4 a 1 no Atlético. Décima conquista de Champions League do milionário time merengue. Mas a epopeia da heroica equipe de Simeone também entrará para a história...
O português estava visivelmente sem boas condições de jogo.

Há tempos vinha reclamando de dores musculares.

Mas tinha de estar em campo.

Até para preocupar o sistema defensivo de Simeone.

Assim como Diego Costa entrou para o teatro.

Todos sabiam de sua distensão na coxa direita.

E só suportou apenas oito minutos.

1reuters1 O talento venceu a estratégia. Real 4 a 1 no Atlético. Décima conquista de Champions League do milionário time merengue. Mas a epopeia da heroica equipe de Simeone também entrará para a história...

Na prática, Simeone desperdiçou uma substituição.

A partida começou como se esperava.

Com o Real Madrid tomando a iniciativa de jogo.

O milionário time de 570 milhões de euros tinha essa obrigação.

Foram 413 milhões de euros só em reforços.

O adversário gastou 44,4 milhões de euros, uma das diferenças gritantes.

Valia a décima conquista da Champions.

Ancelotti apostou desde o início na velocidade.

No toque de bola rápido pelas laterais do campo.

Com Bale, Di Maria e Benzema.

A ousada escalação era esperada por Simeone.

O argentino apostava na versatilidade do seu meio de campo.

Capaz de formar uma barreira de cinco homens.

Os quatro zagueiros estavam protegidos.

Era o duelo tático mais interessante.

O do ataque mais eficiente, e recordista, da Champions.

Capaz de marcar quem havia feito 37 gols.

Contra a defesa mais eficiente, que só sofreu seis gols.

E mantinha a invencibilidade do time nos 12 jogos do torneio.

Tiago, Koke, Sosa, Gabi e Ádrian travavam a volúpia do Real.

As bolas paradas eram as suas maiores armas no ataque.

A prioridade era travar o rival, reconhecidamente melhor.

Mas não foi por acaso que Atlético eliminou gigantes.

Deixou Milan, Barcelona e Chelsea jogando firme.

Sem deixar o adversário invadir a sua área.

Com efetividade impressionante.

Aproveitando as chances criadas.

Foi assim que encontrou seu gol.

Aos 36 minutos, Casillas teve uma falha incompreensível.

Um mero escanteio havia sido afastado.

Mas a bola foi levantada outra vez na sua área.

O goleiro se adiantou de forma infantil.

Resolveu disputar com Gódin.

O zagueiro do Atlético desviou, antes do goleiro.

A bola foi lentamente para as redes.

Casillas desesperado, não conseguiu corrigir seu erro.

Gol do Atlético de Madrid.

Era tudo o que não poderia acontecer para o Real.

O time de melhor defesa da Champions sair na frente na final.

Ancelloti ficou evidentemente desesperado.

Sabia que sua maior esperança de gols estava mal fisicamente.

Cristiano Ronaldo na primeira etapa nada conseguiu fazer.

Para irritar ainda mais o treinador italiano, havia Courtois.

O goleiro mostrava porque é um dos melhores do planeta.

Se não for o melhor.

Seguro, tranquilo.

Mostrava muita firmeza.

Ancelotti tentou tudo no segundo tempo.

Colocou Marcelo, Isco e Morata.

Mas não teve jeito.

A postura firme do time colchonero não se alterou.

Continuou no seu 4-5-1.

Preenchendo as intermediárias.

Tirando o que restava de ar dos pulmões das estrelas do Real.

A coragem era absoluta de Ancelotti, 4-2-4, como nos anos 60.

Mesmo assim, o empate não vinha.

O desespero era nítido na fisionomia dos atletas.

Bale e Di Maria tentavam resolver tudo sozinhos.

Mas estavam barbaramente bem marcados.

O Atlético se mostrava uma equipe inexpugnável.

Irritantemente competente na marcação.

O Real Madrid logo trocava a tática pelo coração.

Nesse quesito, o time de Simeone era quase imbatível

Lutava por cada centímetro de campo.

Os jogadores se atiravam a cada chute do Real ao gol.

Mas aos 48 minutos do segundo tempo, veio o inesperado.

O castigo.

Sergio Ramos apareceu de surpresa na área.

E cabeceou firme, no canto direito.

Indefensável para Courtois.

1 a 1.

Casillas fez questão de dar um beijo em Ramos.

O jogador havia salvo o goleiro.

Vinha a prorrogação.

5reuters O talento venceu a estratégia. Real 4 a 1 no Atlético. Décima conquista de Champions League do milionário time merengue. Mas a epopeia da heroica equipe de Simeone também entrará para a história...

Emocionalmente, tudo estava invertido.

O Atlético abatido com o empate.

E o Real empolgadíssimo.

Jogou os 15 minutos do primeiro tempo todo no ataque.

Mas não conseguiu marcar.

Todo o desgaste do Atlético da temporada veio à tona.

O golpe emocional do empate no final pesou.

Bale, Marcelo e Cristiano Ronaldo se aproveitaram.

3efe1 O talento venceu a estratégia. Real 4 a 1 no Atlético. Décima conquista de Champions League do milionário time merengue. Mas a epopeia da heroica equipe de Simeone também entrará para a história...

O placar foi pesado demais.

4 a 1 para o Real Madrid.

Mas a campanha do time de Simeone também entrará para a história.

Foi fantástica.

Só que no final, as estrelas merengues prevaleceram.

Conseguiram a décima conquista do torneio mais importante entre clubes.

Com toda a autoridade.

Ficou a lição para a Copa do Mundo que começará em 19 dias.

O talento se impôs à estratégia.

Ao coração…
4efe O talento venceu a estratégia. Real 4 a 1 no Atlético. Décima conquista de Champions League do milionário time merengue. Mas a epopeia da heroica equipe de Simeone também entrará para a história...

Sem CR7, Bale brilha, Real vence o Barça e é campeão da Copa do Rei

Por Globo Esporte

Há vida sem Cristiano Ronaldo no Real Madrid. Desfalcado do melhor do mundo, lesionado na coxa, os merengues venceram o Barcelona por 2 a 1 no estádio Mestalla, em Valência, e conquistaram a Copa do Rei pela 19ª vez. Bale atuou na função do português, não decepcionou e foi o destaque da partida, fazendo o gol do título após uma longa arrancada de cerca de 50 metros, do meio de campo até a quina da pequena área, aos 39 minutos do segundo tempo. Assim como Messi, o brasileiro Neymar teve uma noite discreta. Foi punido com cartão amarelo por uma discussão com Fábio Coentrão e Pepe, logo aos 14 de jogo, e apareceu com destaque novamente só quase no fim, ao acertar a trave aos 44 da etapa final.

Bale Barcelona x Real Madrid - Copa do Rei (Foto: AP)
Bale comemora o gol que o coloca na galeria dos grandes personagens de ‘El Clássico’ (Foto: AP)

A perda da taça deixa o Barça em situação dramática na temporada. Eliminado da Liga dos Campeões, o time catalão tem apenas mais uma chance de título, o Campeonato Espanhol. Faltando cinco rodadas para o fim, o Atlético lidera com quatro pontos de vantagem sobre os culés, que também estão atrás do arquirrival madrilenho.

Tata Martino insistiu em colocar Neymar na ponta direita e Iniesta na esquerda, o que comprometeu a atuação da equipe na maior parte dos 90 minutos. O brasileiro pouco participava das ações, mas começou a aparecer quando foi deslocado para seu posicionamento de origem no início do segundo tempo. Assim como nas derrotas para o Atlético de Madrid, pelas quartas de final da Liga dos Campeões, e para o Granada, pelo Campeonato Espanhol,  Messi pouco fez. Os problemas na defesa também pesaram para a derrota. Mascherano jogou ao lado de Bartra, que se recuperou de lesão recentemente e teve o aval do departamento médico para entrar em campo somente nesta quarta, momentos antes do apito inicial.

Barcelona x Real Madrid - Copa do Rei (Foto: AFP)
Messi, Fábregas e Neymar desolados antes do reinício do jogo: argentino e brasileiros ofuscados por Bale (Foto: AFP)

Bale comprovou que não foge da raia quando é acionado para ser a referência do Real Madrid. Ao lado de CR7, o galês fez sete gols na temporada. Sem o craque luso, são oito feitos. Foram dele as melhores oportunidades da equipe de Carlo Ancelotti no clássico.

REAL BLOQUEIA ASTROS DO BARÇA E LEVA A MELHOR

Di Maria Barcelona x Real Madrid - Copa do Rei (Foto: AFP)
Di María põe o dedo na boca e comemora o primeiro gol do Real Madrid (Foto: AFP)

Bale foi o primeiro jogador a se candidatar ao estrelato na partida. Na ausência de CR7, todo o peso do sucesso do Real estava nas costas do galês, que se movimentou bem, alternando o lado esquerdo e o centro do ataque. O camisa 11 criou duas chances de gol nos seis minutos iniciais. Na primeira, avançou pela esquerda e chutou perto da trave. Na segunda, recebeu na área, driblou Mascherano, bateu colocado, mas a defesa travou a tentativa.

Por causa dos maus resultados nas últimas semanas, o Barcelona estava mais cauteloso do que de costume e jogava recuado. Até Neymar voltava para ajudar na marcação. Quando os catalães finalmente se soltaram, deram espaços generosos no meio de campo, e os merengues aproveitaram. Aos dez minutos, Daniel Alves perdeu a bola no ataque, o time da capital avançou com rapidez e encontrou Benzema posicionado na ponta esquerda. Com um ótimo passe, o francês encontrou Di María livre. O argentino avançou até a área, ficou no mano a mano com Alba, chutou cruzado sem muita força, mas José Pinto aceitou.

A vantagem fez os madrilenhos jogarem do jeito que Carlo Ancelotti gosta. As duas linhas de quatro do meio e da defesa deixavam Messi e Fàbregas inativos e isolados na faixa central do campo. Neymar e Iniesta recebiam as bolas com maior facilidade nas pontas, mas como não tinham com quem jogar, apelavam para os lançamentos para a área, o que, definitivamente, não é o estilo do Barça. O brasileiro chegou a se envolver numa confusão, ao cair na área diante da marcação de Fábio Coentrão por trás, discutir com o português, dar uma testada no rival e receber um empurrão de Pepe. No fim, o camisa 11 e o zagueiro naturalizado luso foram punidos com o cartão amarelo.

Barcelona x Real Madrid - Copa do Rei (Foto: AFP)
Neymar reclama após discussão com Pepe (Foto: AFP)

Mas não se pode subestimar um time com tantos craques quanto os culés. Aos 41 minutos, Messi finalmente resolveu dar o ar da graça. Iniesta fez grande jogada pela esquerda, driblando Pepe. Na sequência, a bola sobrou para o camisa 10 arriscar seu primeiro chute da entrada da área. A bola passou perto da trave.

BARCELONA EMPATA, MAS BALE DESEQUILIBRA

Bartra Barcelona x Real Madrid - Copa do Rei (Foto: AFP)
Bartra, de cabeça, deixa tudo igual (Foto: AFP)

A desorganização tática do Barcelona seguia evidente na segunda etapa. Assim como na primeira parte da partida, Bale levou perigo ao gol rival, aproveitando a fragilidade da defesa. O galês começou com uma bela jogada, passando por todos que via pela frente e chutando da entrada da área. A bola tirou tinta da trave. Do outro lado, Messi errava tudo. Cobrou falta jogando a bola na arquibancada, deu passes errados… Nada funcionava. Tata Martino demorou 15 minutos para perceber que, novamente, havia escalado mal o time. Pedro entrou no lugar do apagadíssimo Fàbregas. Neymar foi logo para seu lugar, a ponta esquerda, e Iniesta voltou para o meio de campo.

As mudanças tiveram efeito imediato. Os catalães passaram a jogar muito mais soltos, pressionaram e chegaram ao gol – ironicamente, de um modo pelo qual a equipe não está acostumada. Aos 23 minutos, após cobrança de escanteio, Bartra subiu sozinho e cabeceou para o fundo do gol, fazendo algo que apenas Piqué parecia ser capaz no elenco culé. Era um outro clássico. O Real Madrid se encolheu, o time azul e grená passou a ter o duelo nas mãos, mas não aproveitou.

Em dois contra-ataques, os merengues acertaram a trave e fizeram o da vitória. Modric, aos 35 minutos, chutou de longe e fez a bola parar no poste direito do goleiro. Quatro minutos depois, o Real roubou a bola na defesa, e Bale correu como uma flecha na ponta esquerda, deixando Bartra para trás, e chutou entre as pernas do arqueiro do Barça. No último minuto, Neymar acertou a trave, mas o dia era dos merengues.

Casillas Barcelona x Real Madrid - Copa do Rei (Foto: AFP)
Capitão do Real, o goleiro Casillas ergue o troféu da Copa do Rei: festa merengue em Valência (Foto: AFP)