Brasil x Argentina

Brasil x Argentina vale até taça, mas duelo em Pequim é por protagonismo

Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Do UOL

Há muitos motivos para o próximo Brasil x Argentina ser especial. As duas equipes se enfrentarão no estádio Ninho de Pássaro, em Pequim, às 9h05 (de Brasília) deste sábado (11). Será a primeira partida de Lionel Messi com a camisa da seleção alviceleste depois do vice-campeonato da Copa de 2014, e várias marcas pessoais e coletivas estarão em jogo. Antes de recordes ou mesmo da taça, contudo, a edição 2014 do Superclássico das Américas será sobre protagonismo.

O aspecto em que isso se manifesta de forma mais clara é o embate entre Lionel Messi e Neymar. Os dois são companheiros no Barcelona, mas lá o argentino é o protagonista. No sábado, ambos carregarão a camisa 10, a braçadeira de capitão e as principais esperanças ofensivas de suas equipes.

Neymar Jr , Dunga

“Neymar hoje é o fenômeno do Brasil. É o cara, indiscutivelmente o melhor. É até bom poder treinar com ele, que é um jogador qualificado, como é o Messi do outro lado”, disse o goleiro Jefferson. “A gente também tem jogadores de muita qualidade, mas tem de ter atenção redobrada com o Messi, sim. É um jogador que faz a diferença, que nasceu para isso”, completou o zagueiro David Luiz.

Nos dois últimos amistosos em que Brasil e Argentina usaram força máxima, Messi foi protagonista. O camisa 10 marcou o gol da vitória de sua seleção por 1 a 0 em 2010, em Doha, e balançou as redes três vezes num triunfo por 4 a 3 em 2012, em Nova Jersey.

Neymar, aliás, nunca venceu Messi (perdeu também a decisão do Mundial de clubes da Fifa, em 2011, quando o Barcelona do argentino bateu o Santos por 4 a 0). Mas o brasileiro, por mais que fosse badalado, não tinha em nenhum dos três confrontos o status que desfruta atualmente.

Brasil x Argentina também será sobre protagonismo num sentido coletivo. O time comandado por Dunga jogará contra um campeão mundial pela primeira vez desde o histórico revés por 7 a 1 para a Alemanha na Copa de 2014. E a equipe dirigida por Gerardo “Tata” Martino, que perdeu a decisão do Mundial para a mesma Alemanha, tenta ratificar o status de potência global: no único amistoso depois do torneio, eles já se vingaram dos germânicos e venceram por 4 a 2 em Dusseldorf.

“Normalmente, depois do Mundial se começam novas etapas. É muito difícil, sobretudo na América do Sul, que não haja mudanças. Quase todas as seleções estão mais ou menos na mesma situação, mas para nós é muito importante enfrentar jogadores de primeiro nível mundial. Foi assim contra a Alemanha, e é assim contra o Brasil. Esperamos aproveitar para crescer e mostrar nosso nível”, afirmou o volante Javier Mascherano.

Tata Martino espera que a Argentina tenha mais posse de bola e seja protagonista no jogo de sábado. Na avaliação do treinador, o Brasil deve atuar recuado e apostar nos contragolpes. “É certo que não podemos dar espaço a esses contra-ataques”, cobrou.

Brasileiros também esperam uma Argentina marcando pressão, com comportamento de protagonista. Durante a semana, a seleção comandada por Dunga treinou saída de marcação adiantada. “Pelos jogos que a gente viu, tanto na Copa quanto em amistosos, eles não deixam os rivais saírem jogando. Mas a gente está preparado para escapar disso”, avisou o lateral esquerdo Filipe Luís.

Aí entra o fator Dunga. Foi jogando assim, dando à Argentina a condição de protagonista, que o técnico conseguiu duas das vitórias mais expressivas de sua passagem anterior pelo comando da seleção brasileira: 3 a 0 na decisão da Copa América de 2007, na Venezuela, e 3 a 1 nas Eliminatórias para a Copa, em 2009, em Rosário.

“Acho que cada jogo tem uma peculiaridade que você tem de analisar e observar. Você programa seu time para fazer determinadas jogadas, e às vezes dá certo, mas às vezes não. O adversário também estuda sua equipe e tenta neutralizar”, ponderou o treinador brasileiro. Dunga enfrentou a Argentina quatro vezes como técnico da seleção principal, com três vitórias e um empate. O único revés dele foi um 3 a 0 nas semifinais dos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, com grande atuação de Lionel Messi.

O jogo deste sábado ainda tem será uma demonstração de um novo status do próprio Superclássico das Américas. O duelo que reedita a Copa Roca já teve duas edições com essa nomenclatura, em 2011 e 2012, com partidas no Brasil e na Argentina. Naquelas temporadas, porém, as seleções só puderam convocar jogadores de seus países.

O Superclássico deste sábado terá seleções com força máxima e será jogado num estádio lotado. A organização colocou 70 mil ingressos à venda para o duelo no Ninho de Pássaro, e as entradas estavam esgotadas na internet e nas bilheterias.

FICHA TÉCNICA
BRASIL X ARGENTINA

Local: Estádio Ninho de Pássaro, em Pequim (China)
Data: 11 de outubro de 2014 (sábado)
Horário: 9h05 (de Brasília)
Árbitro: Fan Qi (China)
Assistentes: Huo Weiming e Um Yuxin (ambos da China)

BRASIL: Jefferson; Danilo, Miranda, David Luiz e Filipe Luís; Luiz Gustavo, Elias, Willian e Oscar; Neymar e Diego Tardelli
Técnico: Dunga

ARGENTINA: Romero; Zabaleta, Martín Demichelis, Fernández e Rojo; Javier Mascherano e Roberto Pereyra; Lionel Messi, Javier Pastore e Ángel Di María; Sergio Agüero
Técnico: Gerardo “Tata” Martino

De novo a Argentina. Brasil revê algoz nas oitavas no Mundial de basquete

Do UOL, em São Paulo

Um adversário velho conhecido do Brasil virá pela frente nas oitavas de final do Mundial masculino de basquete da Espanha. A Argentina foi derrotada pela Grécia nesta quinta-feira e acabou como a terceira colocada do grupo B, desta forma cruzando mais uma vez o caminho da seleção de Rubén Magnano em uma grande competição.

Os brasileiros vêm de duas derrotas em confrontos eliminatórios contra a Argentina, no Mundial de 2010, na Turquia, e nos Jogos Olímpicos de 2012 em Londres. Agora, depois de conquistar a segunda colocação do grupo A na primeira fase, a seleção tem o reencontro com os vizinhos de continente marcado para domingo, às 17h (de Brasília), em Madri.

A Argentina ficaria com a primeira colocação de sua chave caso derrotasse os gregos. No entanto, o revés de 79 a 71 fez os campeões olímpicos de 2004 acabarem em 3º lugar, perdendo no desempate com a Croácia graças à derrota em confronto direto.

Desta forma, toda a memória de embates recentes virá à tona até o confronto de domingo. Magnano, técnico que levou a Argentina ao ouro olímpico em 2004, agora tem a missão de oferecer ao Brasil uma grande vitória sobre os vizinhos sul-americanos.

Em 2010 na Turquia, já nas mãos de Magnano, o Brasil caiu justamente nas oitavas de final diante da Argentina. Apesar da grande atuação de Marcelinho Huertas, com 32 pontos, a seleção acabou derrotada em um confronto dramático, pelo placar de 93 a 89.

Luis Scola foi o grande destaque daquela partida de Istambul, comandando a vitória de sua seleção com 37 pontos e nove rebotes. Magnano escalou de início Giovannoni ao lado de Anderson Varejão no garrafão, mas a estratégia de defesa não conteve o ala-pivô argentino.

Dois anos mais tarde, mais uma derrota por placar apertado, por 82 a 77, em confronto válido pelas quartas de final da Olimpíada de Londres. Huertas voltou a brilhar, com 22 pontos – cestinha ao lado de Leandrinho.

O Brasil chegou a liderar o placar em alguns momentos, mas Scola deu as cartas de novo nos instantes mais importantes. A Argentina também contou com uma atuação cerebral de Manu Ginóbili para ir a uma semifinal olímpica pela terceira vez seguida.

Com algumas mudanças, a Argentina é basicamente a mesma geração que vem conquistando posições de destaque em campeonatos de primeira linha desde 2002, com nomes como Nocioni, Herrmann e Prigioni. No entanto, desta vez Ginóbili desfalca a equipe.

São essas lições que a experiente geração de Huertas, Nenê e Varejão levará para a quadra de Madri no domingo. Nesta quinta-feira, a seleção encerrou sua participação na fase de grupos do Mundial com uma vitória expressiva sobre o Egito por 128 a 65, em Granada.

Assim, os brasileiros fecharam a fase de grupos com seu melhor desempenho desde o Mundial de 2002. Os comandados de Magnano romperam a casa de 100 pontos pela primeira vez no torneio e comemoraram a quarta vitória – antes já haviam batido França, Irã e Sérvia. A única derrota aconteceu no confronto com a anfitriã Espanha.

Jogador da seleção argentina, Andrés Nocioni ressaltou a força do Brasil. “Esse Brasil é o melhor Brasil em muitos anos. Nós vamos lutar, mas o Brasil tem vantagens. Contam com um grande jogo, assim será um jogo muito difícil”, disse em entrevista ao La Nacion.

ESPANHA SÓ NA SEMIFINAL

Nesta configuração de chave da fase eliminatória, o Brasil só cruzaria de novo com a Espanha, uma das favoritas ao título, em uma eventual semifinal. Já os Estados Unidos estão do outro lado da tabela. Durante a primeira fase a seleção de Magnano foi batida pelos espanhóis por 82 a 63.