Central 1×1 Santa Cruz

Empate rende eliminação ao Central e mais dois Clássicos das Multidões

Autor: Wladmir Paulino

Um erro de arbitragem pode ter custado a classificação do Central para as semifinais do Campeonato Pernambucano. O jogo com o Santa Cruz terminou empatado por 1×1 e como o Salgueiro venceu o Porto, o Carcará terminou com a quarta colocação. Já o Santa ficou com 16 pontos e o terceiro lugar. Por isso terá nova maratona de jogos com o Sport, o segundo colocado. A primeira semifinal do Clássico das Multidões será no próximo domingo (6), no Arruda.

Como não dependia exclusivamente de suas forças para ser o primeiro colocado, o técnico Vica optou por poupar os jogadores pendurados com dois cartões amarelos: Oziel (lateral-direito), Éverton Sena (zagueiro) e Luciano Sorriso (volante). Entraram Nininho, Leandro Souza e Memo, respectivamente. Por sua vez, o Central não tinha opção. Ou vencia ou teria que esperar um favor do Porto. Por isso, a Patativa se impôs como poucas vezes uma equipe intermediária faz diante de uma grande, mesmo atuando em seus domínios.

A primeira linha de marcação centralina avançou e fez Sandro Manoel, Memo e os dois laterais tricolores sofrerem. Foram quase cinco minutos sem ultrapassar a linha divisória do gramado. O Santa jogou mais dentro da sua característica de tocar mais a bola e, por isso, demorou a encontrar o tempo certo de construir as jogadas. Quando o fez um pouco mais rápido teve uma boa oportunidade com Leo Gamalho chutando cruzado aos 12 minutos. Juninho defendeu em dois tempos.

No minuto seguinte, o Central respondeu de maneira contundente. Adriano cruzou e Danilo Lins subiu com Leandro Souza. O atacante levou a melhor e marcou o gol, mas o árbitro viu falta e anulou a jogada. Sem problema. Dois minutos depois, Luiz Fernando lançou Erivélton. Ele ficou cara a cara com Tiago Cardoso e teve calma para rolar no canto e fazer 1×0.

Quando o gol saiu, a partida já estava equilibrada. O grande problema dos dois times é que ambas tinham dificuldade em entrar na área do rival com a bola dominada. Numa oportunidade que conseguiu, o Central marcou. Já o Santa aparentava uma certa impaciência em marcar logo o gol de empate, com muitos chutes de fora da área. Num deles, o goleiro Juninho quase contribuiu para a causa tricolor. Jefferson Maranhão arriscou de longe e o camisa 1 centralino atrapalhou-se todo com suas pernas e braços, que tomaram proporção de tentáculos balançando para todos os lados e quase empurrou a bola contra o próprio patrimônio.

Nos dez minutos finais, o time da casa amontoou-se em seu campo defensivo e apenas assistiu os tricampeões jogarem. E por muito pouco o empate não veio. Na maiora das vezes, o Santa errou na hora crucial: a finalização. Caça Rato correu mais que a bola, Leandro Souza subiu sozinho mas cabeceou torto e, aos 36, o milagre de Juninho. Leo Gamalho recebeu cruzamento dentro da grande área e ainda teve o privilégio de dominar a bola antes de soltar uma bomba. Juninho esticou os braços e conseguiu defender.

O Santa voltou para o segundo tempo com Betinho no lugar de Flávio Caça Rato. Na teoria, uma mudança não indicada, já que ficariam dois jogadores de área. Mas na prática o próprio Betinho tratou de fazer diferente. Bem mais ‘móvel’ que seu cabeludo parceiro de ataque, o ex-alvirrubro mostrou-se uma boa opção de jogo. Só demorou a conseguir finalizar com qualidade.

Na primeira, recebeu um cruzamento da esquerda e a bola passou por baixo de seu pé. Na segunda, engatilhou o chute mas Luiz Fernando deu um leve toque na bola na hora fatal. E diga-se de passagem, terminou levando um pontapé, ainda que involuntário, no tornozelo. Finalmente a terceira tentativa de Betinho foi bem sucedida. Leo Gamalho ajeitou de cabeça e o camisa 18 chutou de canhota. Mas Juninho estava lá para defender.

A postura dos dois times foi a mesma da reta final do primeiro tempo. O Central acuado e com enorme dificuldade de conetctar três passes e executar o contra-ataque e o Santa com mais posse de bola no campo ofensivo e abusando dos cruzamentos. E num deles o gol finalmente saiu, mas quase a fórceps. Leo Gamalho foi empurrado por Allyson dentro da área aos 19 minutos. Luiz Cláudio Sobral acertou ao marcar o pênalti.

O próprio Gamalho foi bater e Juninho tocou na bola o suficiente para ela explodir na trave direita. No rebote, Betinho cabeceou por cima do goleiro Patativa. Depois de muito esforço, o Santa empatava. Detalhe: antes de Leo bater o pênalti, dois jogadores tricolores já estavam dentro da área. A partida deveria pegar fogo, já que Central naquele momento, estava eliminado porque o Salgueiro vencia o Porto. Mas não foi isso que se viu. O Central tentou ir de qualquer jeito e não dava jeito em nada.

Somente nos cinco minutos finais, os alvinegros tentaram um abafa. O Santa se defendia com todo mundo, menos Leo Gamalho. O Central teve duas cobranças de faltas e desperdiçou.

Ficha de jogo

Central: Juninho; Adriano, Lúcio, Allyson e Jean Batista; Diego Teles, Luiz Fernando (Tallys), Danilo Pires (Édson Di) e Jailton; Danilo Lins e Erivelton (Fernando Pires). Técnico: Humberto Santos

Santa Cruz: Tiago Cardoso; Nininho, Leandro Souza, Renan Fonseca e Zeca; Sandro Manoel, Memo, Jefferson Maranhão (Renatinho) e Raul (Adílson); Flávio Caça-Rato (Betinho) e Léo Gamalho. Técnico: Vica

Campeonato Pernambucano (10° rodada, hexagonal do título). Local: Luiz Lacerda (Caruaru). Árbitro: Luiz Cláudio Sobral. Assistentes: Albert Junior e Ricardo Chianca. Gols: Erivélton, aos 15 do primeiro tempo. Betinho, aos 22 do segundo. Cartões amarelos: Jean Batista e Flávio Caça Rato.