Coração

Sopro cardíaco, com orientação, não impede a prática de atividades físicas

Por Paula Gabrielle Rio de Janeiro

Sopro cardíaco é um ruído produzido pela passagem do fluxo de sangue através das estruturas do coração. Ele pode ser fisiológico (sopro inocente), ou patológico, em decorrência de defeitos no coração. Nos adultos, predominam os sopros que aparecem como complicações de cardiopatias provocadas pela febre reumática ocorrida na infância, doença que também pode afetar o sistema nervoso central e o sistema osteoarticular. O sopro não é uma doença, mas sim um sinal de doença. O que preocupa não é o sopro em si, mas a doença que está causando o problema. Por exemplo, sopros causados por anemia ou febre desaparecem após o tratamento destes.

Durante o batimento cardíaco é gerado um ruído (“tum – tá”) produzido pela passagem do sangue pelas estruturas do coração chamadas de válvulas (parecidas à mãos postas que se abrem e fecham no ciclo cardíaco), direcionando o fluxo de sangue dentro do órgão. Quando existe algum defeito ou mesmo alguma pequena diferença na abertura ou fechamento dessas válvulas, o sangue produz um ruído semelhante ao do vento quando passa por um buraco (“fuuuuuuu”), daí o nome sopro cardíaco, que o médico ausculta com o estetoscópio. O sopro cardíaco não impede a prática de atividades fisicas, desde que sejam seguidas as orientações médicas.

CAUSAS

Não existe uma causa específica para o problema. Dependendo das características do sopro e da sua localização, o cardiologista bem treinado poderá suspeitar de alguma alteração de uma ou mais válvulas cardíacas. Elas poderão estar mais estreitas, obstruindo a passagem de determinada quantidade de sangue, ou mais abertas, não se fechando completamente e deixando escapar um pouco do sangue. Essas alterações podem ser discretas e o sopro pode ser considerado funcional ou benigno (comum em atletas de elite) ou de alguma cardiopatia consequente à febre reumática na infância, ou por endocardite bacteriana (infecção grave) da válvula, além de outras causas.

euatleta info componentes do coração (Foto: Editoria de Arte / EUATLETA.COM)

COMO EVITAR

Na verdade, não há uma maneira de evitar o sopro porque já aparece na formação do coração da pessoa. Após uma avaliação minuciosa, que compreende consulta especializada, eletrocardiograma, raio-x de tórax e ecocardiograma com doppler, define-se qual é o tipo do problema e se é possível a prática esportiva. Impõe-se aí o teste ergométrico com cardiologista para definir limites e a existência de algum risco na prática esportiva.

Sopro cardíaco: faça os exames e pratique exercícios com segurança

TRATAMENTO

Até os casos mais graves podem ser tratados com sucesso através de cirurgia, com abertura da válvula obstruída ou a troca por próteses metálicas ou cobertas por tecido biológico do coração do boi ou do porco. Também estão em fase de teste tratamentos por cateterismo, mas não há previsão de quando estarão disponíveis. Sopros benignos não precisam de tratamento algum.

RELATOS

“Corro como qualquer outra pessoa. A diferença é que eu me limito um pouco, prefiro não forçar e não exagerar. Quando sinto que estou fazendo muito esforço, diminuo o ritmo. Certa vez, fiz uma meia e preferi caminhar em alguns trechos”. Rodrigo Campo, São Paulo.

“Quando descobri que tinha sopro, fiquei assustada e com medo de praticar esportes. Com a orientação do meu cardiologista, tomei coragem e comecei correndo na academia. Hoje, eu pedalo e corro normalmente”. Camila Santana, Rio Grande do Sul.

PALAVRA DO ESPECIALISTA

“O tratamento bem feito pode liberar o paciente para corridas de rua, entretanto recomenda-se evitar esportes com risco de traumas e de contato corporal como futebol, basquete, lutas e etc. Enquanto para o ciclismo, existem restrições para quem utiliza regulamente de medicações anticoagulantes (afinam) do sangue”. Nabil Ghorayeb é cardiologista e especialista do EU ATLETA

* As informações da matéria são do médico cardiologista Nabil Ghorayeb.

Os benefícios que a corrida pode proporcionar à saúde do coração

Por Turibio Barros – São Paulo

A melhora do desempenho nas corridas de longa duração guarda estreita relação com a melhora da função de bomba do coração. O limite de aptidão aeróbica é definido pelo volume máximo de sangue que o coração á capaz de fazer circular por minuto, contemplando órgãos e tecidos e particularmente os músculos em exercício.

Corredores euatleta corrida (Foto: Getty Images)
A corrida é um exercício aeróbico e sua prática potencializa o transporte de oxigênio (Foto: Getty Images)

Este volume de sangue bombeado por minuto é definido como débito cardíaco máximo e representa o produto do número de batimentos cardíacos máximo pelo maior volume de sangue que o coração consegue ejetar em cada batimento (sístole).

Os benefícios do treinamento proporcionam ao coração do corredor aumentar o débito cardíaco máximo. Este efeito decorre da adaptação progressiva do coração aumentando gradualmente o volume ejetado em cada batimento. Esta adaptação torna o coração uma bomba mais eficiente, proporcionando também o efeito mais evidente constatado em indivíduos treinados que é a redução dos batimentos cardíacos.

Como aumenta o volume ejetado em cada batimento, para manter um determinado débito cardíaco, por exemplo correndo num ritmo submáximo, o coração ajusta um número de batimentos por minuto mais baixo. O mesmo efeito observamos durante o repouso, quando os batimentos cardíacos do indivíduo treinado chegam a ter reduções bastante significativas.

Na literatura científica encontramos relatos de atletas com ritmo cardíaco de repouso na faixa de 30 batimentos por minuto. Isto significa uma frequência menor que a metade do indivíduo sedentário, o que projeta um volume ejetado em cada sístole maior que o dobro do que ocorre no coração “destreinado”.

Esta adaptação significa um grande benefício para a saúde do coração, e além de proporcionar a melhora do desempenho, também acena com uma distância mais longa na expectativa de qualidade de vida e longevidade.

* As informações e opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do JrEsportes