Duda

Brasileira Duda Amorim é eleita a melhor jogadora de handebol do mundo

POR CLAUDIO NOGUEIRA

O handebol brasileiro continua em alta, no feminino. Atual campeã do mundo, após o título na Sérvia, em 2013, a seleção brasileira pode se orgulhar de contar com a melhor jogadora do planeta em 2014. A armadora esquerda Eduarda Duda Amorim foi eleita em votação popular via internet, organizada pela Federação Internacional de Handebol (FIH). A brasileira assegurou 35,2% dos votos. Na eleição masculina, o vitorioso, com 33% das indicações, foi o pentacampeão mundial pela França Nicola Karabatic.

Duda Amorim deixou a romena Cristina Neagu em segundo lugar, com 25,8%, e a norueguesa Heide Løke em terceiro, com 16,8%. Duda é a segunda brasileira eleita melhor do mundo no handebol. A outra foi Alexandra do Nascimento, que ganhou a premiação em 2012.

O processo eleitoral incluiu duas fases. Na primeira, um júri composto por experts e técnicos das cinco Seleções melhores colocadas no Mundial de 2013 indicou cinco atletas que concorreram em votação aberta para o público e a imprensa no site da entidade.

— É muito gostoso receber esse prêmio. Me sinto extremamente realizada. Desde que comecei minha carreira, sempre quis ser a melhor armadora esquerda e trabalhei muito para isso, mas a melhor do Mundo é algo que nunca sonhei — declarou a catarinense, que assim que soube da notícia, contou-a ao Dean Taleski, que está com ela em São Paulo (SP) para o tratamento da lesão no joelho sofrida pela atleta no ano passado. — Fico muito grata pelo apoio que o público brasileiro me deu durante esses dias. Foi uma mobilização geral. Fico muito feliz por ver o reconhecimento pelo meu trabalho.

Segundo a armadora esquerda, o prestígio do handebol brasileiro cresce ainda mais, em especial no feminino:

— É mais um passo. A Alexandra já conquistou o título primeiro. É uma excelente jogadora. Acho que com isso, nós acabamos servindo um pouco de exemplo. Abre caminho pro esporte ser ainda mais popular no país. Traz muita coisa positiva. O handebol brasileiro está se fortificando cada vez mais lá fora. Isso ajuda, traz mais respeito. Antes, muitas equipes nos subestimavam. Agora não. Isso é muito bom porque temos muito mais jogos de nível e as atletas brasileiras também ganham com isso.

Duda começou a jogar com 11 anos no Colégio Barão do Rio Branco, de onde foi para o time do Metodista/São Bernardo em 2002, terminando em segundo lugar na Liga Nacional. Em fevereiro de 2006, ela se transferiu para a Europa, para o Kometal Skopje, da Macfedônia. Após ter colecionado três títulos nacionais naquele país, ela semudou para o handebol da Hungria, em que foi defender o Győri Audi ETO KC, a partir de fevereiro de 2009. Por esta equipe, ganhou as edições das Ligas de Campeões da Europa de 2013 e do ano passado, além de ter sido eleita a melhor armadora esquerda da Europa, também em 2014.

Pela seleção brasileira, ajudou na conquista dos ouros nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio, e de 2011, em Guadalajara. Foi também aos Jogos Olímpicos de Pequim-2008, quando a equipe verde e amarela terminou em nono, e aos de Londres-2012, nos quais a seleção nacional foi eliminada nas quartas de final pela Noruega, que se tornaria campeã. Em 2013, quando o Brasil foi campeão mundial feminino, ela foi eleita a melhor jogadora do campeonato.

Receber o prêmio pela segunda vez, é algo com importância enorme para o handebol brasileiro, conforme afirmou o presidente da confederação brasileira deste esporte, Manoel Luiz Oliveira:

— Essa premiação significa muito para o handebol no Brasil. Vem para coroar mais uma vez uma fase muito próspera para o nosso esporte. A Duda é uma atleta excepcional, extremamente dedicada e de um imenso talento. Fico também muito grato pelo apoio do público que a elegeu.

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Duda voa no último salto e conquista o inédito bicampeonato mundial

O olhar estava fixo. Mauro Vinícius da Silva, o Duda, sabia que se acertasse a tábua de impulsão poderia subir ao pódio no último voo do salto em distância. Assim como na eliminatória, teria de ser na raça, na emoção. Ele nem se importou com o barulho na Ergo Arena para a final dos 60m rasos masculina que ocorria ao mesmo tempo e foi perfeito. Duda vibrou com um grande voo e explodiu em euforia quando o placar mostrou a marca de 8,28m. O brasileiro só teve de esperar três adversários saltarem para confirmar: é bicampeão mundial em pista coberta. Em Sopot, neste sábado, Duda voltou ao topo do mundo.

Desta vez, uma vitória inquestionável. Os principais saltadores estavam em ação também, não era um campeonato esvaziado como o de Istambul, em 2012. Nem o atual campeão mundial ao ar livre, o russo Aleksandr Menkov, nem o chinês Jinzhe Li, que liderava até a última rodada. O campeão mundial do salto em distância é brasileiro, que igualou o recorde nacional indoor.

O chinês Li levou a prata, com a marca de 8,23m. O sueco Michel Tornéus completou o pódio, com a marca de 8,21m.

– Eu e o Tornéus, o sueco que é meu amigo, ficamos esperando. O chinês foi para uns 8,50m, mas queimou. Sabia que o potencial dele é grande, ele é muito técnico. Sabia que todos na final poderia vencer. Passei em sétimo e venci. O Tornéus que me disse que eu ganhei, não tinha visto que o chinês queimou. Nós atletas temos a mania de dizer que não caiu a ficha, não posso dizer isso porque sou bicampeão mundial. Isso sim. Desculpem pelos palavrões que soltei na comemoração, saiu. (risos) Só amanhã vou entender o que está acontecendo. Poderia falar mil coisas, mas sei que Deus sempre é justo. Tive uma lesão, mas trabalhamos muito. Não existe campeão sem dedicação. Nunca poderia deixar de agradecer. Sou suspeito para falar. O atletismo me descobriu com 17 anos. Tem de ter calma, porque do contrário vêm lesões e erros, só não vêm resultados. A concentração total. Igualei o meu melhor. Saio o cara mais feliz do mundo por ter igualado o recorde nacional – disse.

Mauro Vinicius Duda Salto em Distãncia (Foto: Reuters)
Duda comemora o segundo título mundial em pista coberta (Foto: Reuters)

Salto a salto

Duda foi o último a iniciar seus saltos, e foi bem. Como disse depois da eliminatória, queria aumentar a cada voo a marca de 8,02m da classificatória. O movimento bem encaixado lhe deu a marca de 8,06m e o segundo lugar na primeira rodada, atrás apenas do chinês Jinzhe Li, que abriu a prova com 8,19m.

Só que Duda também previu que precisaria de mais de 8,10m para subir ao pódio. Na segunda rodada, ele aproveitou bem a tábua de impulsão, mas só conseguiu a marca de 7,94m e caiu para a quinta posição. Ele queimou na rodada seguinte, mas continuava a sete centímetros do pódio, enquanto o chinês abriu vantagem (8,23m), seguido de perto do sueco Michel Tornéus (8,21m).

Na quarta tentativa, Duda saltou a 13cm do limite, mas ainda assim conseguiu a marca de 8,04m. Ele precisava apenas acertar a tábua de impulsão, então ele arriscou e queimou mais uma vez.

Mauro Duda Salto em Distãncia (Foto: Reuters)
No último salto, Duda assegura a medalha de ouro (Foto: Reuters)

Assim como na eliminatória, Duda teria de buscar um último voo perfeito. Ele já está acostumado com essa pressão. Nem se importou com o barulho da final dos 60m rasos masculino, correu concentrado para um voo de 8,28m. Ele explodiu e secou os rivais. O sueco Tornéus ficou apenas nos 8,10m, enquanto o chinês Li e o grego Louis Tsátoumas, pressionados, queimaram. O ouro novamente é do Brasil.