França x Brasil

Dunga revê Deschamps em “estreia” contra algoz de técnicos brasileiros

Por Paris, França

Telê Santana, Zagallo, Emerson Leão e Carlos Alberto Parreira. Além de personagens históricos do futebol, esses quatro homens têm algo em comum: todos deixaram o cargo de técnico da seleção brasileira de forma melancólica, por implacáveis mãos e pés franceses. Os quatro foram vítimas de derrotas marcantes para a equipe que, nesta quinta-feira, Dunga terá pela frente pela primeira vez como treinador.

O gaúcho, é claro, não corre risco semelhante. Reassumiu a Seleção em agosto do ano passado e venceu os seis jogos que disputou até aqui. O que de pior pode acontecer para ele é ver sua invencibilidade, e a do time, pós-vexame na Copa do Mundo, irem por água abaixo diante de um dos rivais mais cruéis que o tempo colocou à frente do Brasil.

O histórico de Dunga contra a França, aliás, é pequeno, porém marcante. Foram dois jogos pela Seleção: o empate de 1 a 1 na Copa das Confederações de 1997 e a derrota contundente na final da Copa do Mundo seguinte, em 1998, por 3 a 0.

Dunga e Didier Deschamps brasil frança (Foto: Editoria de Arte)
Dunga e Didier Deschamps vão se enfrentar nesta quinta-feira, em Paris (Foto: Editoria de Arte)

Nesta quinta-feira, a partir das 17h (horário de Brasília), no mesmo Stade de France de 17 anos atrás, o comandante poderá conseguir sua primeira vitória sobre os Bleus. Mas será inevitável recordar-se daquela noite, sobretudo quando olhar para o outro banco de reservas e se deparar com Didier Deschamps, técnico da França.

Dunga x Deschamps capa Lequipe (Foto: Reprodução )
Dunga e Deschamps estamparam a capa do jornal francês L´equipe (Foto: Reprodução )

Na final de 98, os dois eram os capitães de suas equipes. Cumprimentaram-se, tiraram cara e coroa, trocaram mimos e participaram do jogo que terminou com a taça nas mãos do francês. Deschamps, por sinal, estava em campo na última vez que seu país perdeu em casa para o Brasil, os 2 a 0 de 1992 (gols de Raí e Luiz Henrique). Dunga não jogou. O “L’Equipe”, principal jornal esportivo do país, destaca em sua capa o reencontro dos dois.

– Ganhar e perder faz parte do futebol. O Brasil estava na segunda decisão seguida de Copa do Mundo. De uma final, sempre ficam na cabeça do jogador o estádio lotado, a festa, o estádio lotado, a adrenalina do jogo. Jogamos contra uma grande seleção. Quando se perde, geralmente fala-se dos erros, que acontecem, mas temos de enaltecer a forma como o adversário jogou. A França tinha uma grande seleção.

Zagallo, em vez de conquistar o penta da Seleção e o seu quinto título mundial, deixou o cargo com o amargo vice-campeonato. Foi substituído por Vanderlei Luxemburgo. Na década anterior, em 1986, Telê, conhecido por Mestre e pelo incentivo ao futebol bonito, viu a França vencer nos pênaltis em sua última partida. Carlos Alberto Silva entrou em seu lugar e, curiosamente, logo no seu primeiro jogo em 87, promoveu a estreia de um volante novato: Dunga.

Em 2001, Emerson Leão perdeu a semifinal da Copa das Confederações para a França por 2 a 1. E o ex-presidente Ricardo Teixeira decidiu ali que ele seria demitido. Ainda houve tempo de uma derrota para a Austrália na decisão do terceiro lugar. O técnico foi avisado em um telefonema que estava fora. Felipão assumiu e, no ano seguinte, conquistou o penta.

Dunga e Didier Deschamps brasil frança (Foto: Editoria de Arte)
Dunga levantou o caneco em 1994; Didier Deschamps, quatro anos depois, em 1998 (Foto: Editoria de Arte)

Por último, Carlos Alberto Parreira e a seleção do quadrado mágico – Kaká, Ronaldinho, Ronaldo e Adriano – naufragaram em 2006 diante de quem? Da França, claro, de Zidane, Henry e companhia.

Se nada tão trágico pode acontecer com Dunga neste amistoso, por outro lado, uma vitória, além de quebrar um tabu de 23 anos sem triunfos na casa do adversário, fortaleceria ainda mais a Seleção a caminho de disputar a Copa América, em junho.