Náutico 1×1 CRB

Náutico empata e vê o G4 cada vez mais longe

Autor: Alvaro Filho

Foto: Diego Nigro/JC Imagem

 Por Álvaro Filho, editor do Blog do Torcedor

O Náutico tropeçou nas próprias limitações e, em vez de se aproximar (ou até entrar) no G4, terminou a 36ª rodada mais distante, ao empatar por 1×1 com o CRB, neste sábado (14), na Arena Pernambuco. Agora, a diferença para o Santa Cruz (61 pontos), que venceu o Botafogo por 3×0 no Engenhão, são de quatro pontos, restando seis em disputa. Matematicamente, o Timbu ainda respira. Mas “com ajuda de aparelhos”.

O Náutico, em sexto, com 57 pontos, agora enfrenta o Bahia, sábado (21), 16h30 (do Recife) no Arruda e o CRB pega o Sampaio Corrêa, em Maceió, no mesmo dia e horário.

O JOGO

A “palavra-chave” do jogo parecia ser Guilherme Biteco, mas o meia que mesmo não fazendo muita coisa fazia a diferença não entrou em campo. Nem foi opção no banco. A saída do técnico Gilmar Dal Pozzo foi mexer novamente no meio-campo, agora tirando Marino (que substituía o também contundido João Ananias) e promovendo o retorno de William Magrão. Para dar mais mobilidade ao setor, Dakson também reapareceu.

Com essa formação, o Náutico foi o mais do mesmo que na partida insossa contra o Macaé. Cercou, apertou, mas não finalizou. Uma sensação de domínio que era realmente só isso, uma sensação. O CRB, sem o artilheiro Zé Carlos e sem preocupações, estava na dele, esperando o erro do adversário para tentar alguma coisa.

E o erro apareceu.

Aos 23 de jogo, num ataque despretensioso, a bola foi mal rechaçada da zaga alvirrubra. E o lateral Pery, aproveitando a bobeira da defesa, não quis nem saber. Chutou forte e rasteiro. Sem chances para Júlio César.

Substituto de Biteco, Dakson tentou fazer a sua parte. Logo após o gol, cobrou uma falta frontal à área com muito perigo, exigindo uma defesa plástica do goleiro. Aos 29, o meia aproveitou o pivô de Daniel Morais e queimou de fora da área. Juliano deu rebote, mas faltou qualidade para Gastón aproveitar.

O esforço de Dakson foi recompensado. Em mais uma jogada individual, aos 37 minutos, ele travou com o defensor. Escanteio. Na cobrança do próprio Dakson, o zagueiro Ronaldo Alves, que já havia marcado contra o Macaé, empatou o jogo numa cabeçada fulminante.

O que parecia uma reação do Náutico não se concretizou nos minutos finais do primeiro tempo. O CRB parecia mais disposto a marcar e exerceu uma pressão. Após uma cobrança de escanteio, aos 47, o argentino Cañete lançou Glaydson na área, que chutou cruzado, perigosamente.

As equipes voltaram com as mesmas formações  e o jogo também seguiu a mesma dinâmica. O CRB não se intimidava e procurava surpreender e o Náutico se arriscando quando podia. E mesmo assim, sem pressionar, o Timbu teve chance de virar, com Bérgson, que recebeu bola de Daniel Morais, em mais um pivô do camisa 9, mas chutou errado, torto, para a linha de fundo.

Logo depois, Bérgson teria nova chance. Dessa vez, executou o movimento corretamente, escorando mais uma cobrança perigosa de escanteio de Bérgson. A bola raspou a trave.

O Náutico apertava. Mas precisava apertar ainda mais.

Sendo assim, o técnico Gilmar Dal Pozzo colocou um mais um atacante em campo, Douglas, que já foi o “homem gol” alvirrubro, mas se apagou no meio da temporada. Falando em se apagar, quem saiu foi o meia Hiltinho, uma pálida figura em campo.

A retirada de um meia logo se mostrou uma aposta errada de Dal Pozzo. Com Dakson voltando à equipe, era natural que não aguentasse o jogo todo. Aos 25, já com cãibras, ele foi substituído pelo atacante Renato, o quarto em campo, com o Alvirrubro sem meias.

Era a tática do desespero.

Desespero que evitou a virada, aos 29, quando após uma sequência de escanteios, a bola sobrou na área, pedindo para ser chutada. Bérgson e Fabiano Eller foram nela. Ao mesmo tempo. Um acabou atrapalhando o outro.

Sem articulação no meio-campo, o Náutico decidiu pelo “esquema” do abafa, cedendo espaço para o CRB contra-atacar, sempre com muito perigo. A rigor, foi o goleiro Júlio César que fez as melhores defesas no terço final do segundo tempo.

A estratégia que tinha tudo para não funcionar realmente não funcionou e o desespero alvirrubro não se traduziu em gols.

E o indesejado empate acabou sendo inevitável.

FICHA TÉCNICA

NÁUTICO

Júlio César; Rafael Pereira (Fillipe Soutto), Ronaldo Alves, Fabiano Eller e Gastón Filgueira; William Magrão, Hiltinho (Douglas), Dakson (Renato) e Jackson Caucaia; Daniel Morais e Bérgson. Técnico: Gilmar Dal Pozzo.

CRB

Juliano; Bocão, Diego Jussian, Audálio e Pery; Josa, Olíveio e Cañete (Wellington Saci); Leandro Brasília (Clebinho), Glaydson Almeida e Maxwell (Jônata). Técnico: Mazola Júnior.

Local: Arena Pernambuco. Cartões amarelo: Rafael Pereira, Josa, Cañete, Olívio e Jônata.  Gols: Pery, Ronaldo Alves (23 e 37 do 1º). Árbitro: Francisco de Paula dos Santos Silva Neto (RS). Assistentes: Cleriston Clay Barreto Rios (Fifa/ SE) e Rafael da Silva Alves (Asp./Fifa/RS). Público: 8.006 torcedores.