Paris

Teliana faz história em Paris

Fred Figueiroa – Diario de Pernambuco

Teliana Pereira, 25 anos. Uma pernambucana que transformou a história da sua vida na história do tênis feminino do país. Um verdadeiro conto de fadas que começa no pequeno povoado de Barra de Tapera, no agreste do estado, e ainda está longe do seu ponto final. Em seu caminho, Teliana reescreveu quase todas as páginas do esporte no Brasil. Derrubou tabus que atravessavam gerações e já pareciam inatingíveis. Foi onde nenhuma brasileira esteve sequer perto nas últimas duas décadas.

A maior parte dos brasileiros dormia quando Teliana entrou em quadra nesta terça-feira para a sua estreia na chave principal de Roland Garros. Só o fato de estar ali já tinha um peso histórico. Desde 1990, nenhuma outra tenista do país conseguiu disputar o torneio em Paris. Ano passado, a própria Teliana ficou no quase. Por uma desistência. Agora, 94ª do mundo, tinha ranking suficiente para entrar direto. E mais: diante da tailandesa Luksika Kumkhum, a pernambucana tinha pleno favoritismo para derrubar mais um tabu.

Foram muitos nos últimos dois anos. Nos últimos 20 anos, Teliana tornou-se a primeira tenista do país a disputar um torneio da WTA e a primeira a vencer uma partida. Marcas atingidas em Bogotá, no início de 2013, quando chegou até a semifinal. Em julho do ano passado, Teliana deu um passo maior e tornou-se a primeira brasileira no top 100 do tênis feminino mundial desde 1990 %u2013 quando Andrea Vieira – chegou a ser a 76ª no ranking em 1989. Em toda a história, a pernambucana foi apenas a 6ª brasileira a entrar na lista.Há exatos 25 anos uma tenista brasileira não vencia em Roland Garros

E desde então, ela se mantém entre as melhores do planeta. Em janeiro deste ano, disputou o seu primeiro torneio do Grand Slam (mais um tabu de 21 anos do tênis feminino nacional). No Australian Open, jogou muito contra a russa Anastasia Pavlyuchenkova, então 30ª do mundo. Teve chances inimagináveis de vencer, mas acabou derrotada no detalhe.

Nesta terça, a vitória que escapou em Melbourne veio em Paris. Depois de um péssimo início, quando chegou a estar perdendo o 1º set por 0/5, a pernambucana acordou. A reação não veio a tempo de salvar o set, perdido por 6/4, mas foi suficiente para atropelar a tailandesa Luksika Kumkhum no resto da partida. Um duplo 6/1 fechou a virada. Há exatos 25 anos uma tenista brasileira não vencia em Roland Garros. A última vez havia sido em 1989 quando a paulista Andrea Vieira e a gaúcha Niege Dias atingiram a terceira rodada.

Teliana terá essa mesma chance na quinta-feira quando enfrentará a romena e cabeça-de-chave, Sorana Cirstea. Foi justamente contra ela, então 27ª do mundo, que a número 1 do Brasil conseguiu a maior vitória da sua carreira, em abril deste ano, no WTA de Charleston, nos Estados Unidos.

Rafaela Silva garante único bronze do Brasil em Paris

O Brasil conquistou apenas uma medalha no primeiro dia de disputas do Grand Slam de Paris, um dos mais tradicionais e importantes torneios do calendário internacional do judô. Em sete categorias, nenhum brasileiro conseguiu passar à semifinal e apenas duas atletas chegaram à repescagem. Rafaela Silva salvou o dia com uma medalha de bronze.

Ela e Sarah Menezes estrearam em Paris um novo back number. A partir deste ano, os atuais campeões mundiais levam, na parte de trás do quimono, seus nomes e do país em vermelho. Já os campeões olímpicos têm seus nomes em dourado, distinguindo dos demais, que utilizam cor azul.

O dourado, porém, não deu sorte para Sarah Menezes, que perdeu logo na estreia para a jovem francesa Amandine Buchard, de apenas 18 anos. No ano passado as duas haviam se enfrentado em Paris, com vitória brasileira.

Rafaela Silva já teve um desempenho melhor e venceu uma tailandesa e uma canadense antes de perder da japonesa Anzu Yamamoto nas quartas de final, sofrendo a segunda derrota seguida (também perdeu em Tóquio, em dezembro) para a rival que venceu na final do Mundial. Na repescagem, venceu a portuguesa Telma Monteiro e ficou com o bronze ao ganhar da local Laetitia Blot.

Na categoria até 63kg, Mariana Silva venceu duas lutas até perder da francesa Anne Laure Bellard. Na repescagem, caiu para a japonesa Miki Tanaka. De resto, os resultados brasileiros foram muito ruins. Na mesma categoria, Katherine Campos perdeu na estreia, para a holandesa Anicka Van Emden.

Atletas juvenis, Flávia Gomes (até 57kg) e Jéssica Pereira (até 52kg) foram inscritas em Paris porque já estavam com a seleção sub-21 treinando na França. Flávia perdeu na segunda luta, enquanto a estreante Jéssica, vice-campeã mundial no sub-18, caiu logo no seu primeiro confronto.

No masculino, Felipe Kitadai (até 60kg) começou mal o ano, perdendo na estreia para o francês Vincent Limare. Na categoria até 73kg, Bruno Mendonça também foi eliminado logo na primeira luta, para um grego. Marcelo Contini até venceu um sérvio, mas depois perdeu do local Guillaume Chane.

No domingo vão ao tatame outros sete brasileiros: David Moura, Renan Nunes, Hugo Pessanha, Eduardo Santos, Maria Suelen Altheman, Nadia Merli e Maria Portela. Destaques da seleção, Mayra Aguiar, Victor Penalber, Leandro Guilheiro, Tiago Camilo e Charles Chibana estão machucados. Erika Miranda acabou de voltar de um intercâmbio na Rússia, enquanto Rafael Silva não foi a Paris porque retardou o início da temporada.

Fonte: Agência Estado