Recife Mariners

Pense bem antes de dizer que futebol americano é “coisa de gringo”

Mariners faz estreia neste fim de semana. Foto: Tiago Giordani/Recife Mariners

“Futebol americano é coisa de gringo”. Se eu fosse você não tentaria essa afirmação mais. Isso porque o esporte se populariza a cada ano no Brasil, atraindo cada vez mais pessoas para os jogos. Um exemplo claro foi a final da Superliga Nordeste do ano passado, quando mais de sete mil pessoas foram para a Arena Pernambuco acompanhar a decisão entre Recife Mariners e João Pessoa Espectros. Foi o recorde de público da modalidade. Uma grande recompensa para a organização das equipes do campeonato, que deu exemplo de como organizar uma decisão, até mesmo para os nossos clubes de futebol.

E a Superliga volta à ativa neste fim de semana. Para abrir em grande estilo a competição, nada mais do que a reedição da final do ano passado logo na primeira rodada. Espectros e Mariners se enfrentam neste sábado, às 15h, no Almeidão, em João Pessoa. As duas equipes estão no Grupo Sul, que ainda conta com Sergipe Bravos e o Vitória Futebol Americano. Os dois melhores da chave passam para o mata-mata.

No grupo, o Norte, estão Ceará Caçadores, América Bulls, Ufersa Petroleiros e Recife Pirates. Os piratas fazem a estreia somente no dia 12 de julho, contra os Petroleiros.

Porém, mais do que o título, que é ótimo de se conquistar, lógico, as equipes buscam maior apoio e a popularização do futebol americano no Nordeste. A semente foi plantada e pelo andar da carruagem até agora tem tudo dar um bom produto em breve.

Jogo do Mariners deu aula ao futebol de como fazer uma grande festa para o torcedor

Se existe algo que o jogo de futebol americano entre Mariners e Espectros, nesse domingo, na Arena Pernambuco, ensinou é que o nosso futebol, o praticado com os pés, ainda tem muito a aprender no que diz respeito ao tratamento do produto para os principais clientes, que nos dois casos são os torcedores. Enquanto os Mariners conseguiram promover a partida com muita festa e ações de interação com a torcida, o futebol ainda rasteja e se apega ao que ocorre dentro das quatro linhas, quando na verdade tem potencial para ir muito além.

Organizadores do futebol americano souberam acolher bem o público na arena. Foto: Thiago Wagner/Blog do Torcedor

Organizadores do futebol americano souberam acolher bem o público na arena. Foto: Thiago Wagner/Blog do Torcedor

O principal argumento para esse tipo de pensamento é a própria Arena Pernambuco. No domingo, ela estava pronta para entreter o torcedor enquanto o jogo não rolava com ações que fizeram a torcida interagir e conhecer mais o esporte – que ainda não é tão conhecido da maioria do público em geral. Algo bem diferente do que acontece nas partidas do Náutico, por exemplo. Com o Timbu, as iniciativas são quase nulas no que diz respeito a esse aspecto. Sendo assim, não é nenhuma surpresa que os alvirrubros não tenham identificação com a arena. Só que o culpado não é o estádio de São Lourenço da Mata, mas o próprio clube, que parece não se empenhar para fazer o próprio público curtir a experiência da arena.

Entradas como a dos times de futebol americano são consideradas impossíveis nos futebol por causa do excesso de protocolo da CBF. Foto: Gabriel Siqueira/Recife Mariners

Entradas como a dos times de futebol americano são consideradas impossíveis nos futebol por causa do excesso de protocolo da CBF. Foto: Gabriel Siqueira/Recife Mariners

Como se isso não bastasse, ainda existe o protocolo da Confederação Brasileira de Futebol que engessa e impede qualquer tipo de festa maior. Entradas como as do futebol americano, com respeito às particularidades e interação com a torcida, são consideradas impossíveis nos dias de hoje no futebol. Uma pena, pois é possível fazer um belo espetáculo com organização e respeito às regras necessárias. Um fato não exclui o outro.

Festa não significa falta de organização nos eventos. Foto: Diego Nigro/JC Imagem

Festa não significa falta de organização nos eventos. Foto: Diego Nigro/JC Imagem

No fim das contas, a festa mesmo cabe aos próprios torcedores atualmente. Mas não deveria ser assim, principalmente para os clubes que querem captar mais sócios e torcedores. Faltam os atrativos que sobram no futebol americano. E olhe que estamos falando de um esporte considerado amador. Só que apesar da falta de profissionalismo, os organizadores do esporte com a bola oval conseguiram dar uma aula nos nosso dirigentes de futebol. A maioria deles, por sinal, parecem mais preocupados em reclamar das dificuldades do que em procurar alternativas para acolher bem o público. Seria bom que abrissem os olhos e observassem bem os bons exemplos que estão logo ao lado.

O Recife será Mariners neste domingo na Arena Pernambuco

Autor: Thiago Wagner

Equipe tem oito anos de existência. Foto: Thiago Wagner/Blog do Torcedor

O futebol pode ser americano, mas o coração está bem preso ao Recife. Vestindo azul e branco, cores predominantes nas bandeiras de Pernambuco e da sua capital, o Mariners entra em campo da Arena Pernambuco para o passo mais alto de sua história de oito anos de dedicação a um esporte não tão praticado no Brasil, é verdade. Só que a final contra o João Pessoa Espectros neste domingo, às 16h (horário local), também serve para que o time represente mais uma vez a própria cidade, o local onde tiveram a ideia de criar uma equipe de futebol americano, mesmo desafiando a lógica comum de um País praticamente voltado ao futebol. Mas amanhã, na decisão da Superliga Nordeste da modalidade, o Recife será Mariners no primeiro jogo de futebol americano em uma arena da Copa 2014.

Nos olhos dos mais velhos, os fundadores e primeiros jogadores do time, talvez passe um filme da trajetória de amizades ao longo de todos esses anos. Foram treinamentos na areia da praia e em campos nada sofisticados como o da arena. No início também não havia equipamentos, considerados caros para qualquer assalariado. Para se ter uma ideia, o custo médio para se equipar um jogador de futebol americano chega aos mil reais. No caso do Mariners, cada um é responsável por si.

Material para praticar o esporte não é nada barato. Foto: Gabriel Siqueira/Recife Mariners

Material para praticar o esporte não é nada barato. Foto: Gabriel Siqueira/Recife Mariners

Mas foi da praia que surgiu a ideia do nome Mariners. Inspirados no Seattle Mariners, equipe de beisebol dos Estados Unidos, os amigos praticantes, e amantes, do futebol americano batizaram o récem-criado time de Recife Mariners. “A intenção é que tivesse algo a ver com praia já que a gente começou a atuar na areia. As cores também foram inspiradas na bandeira de Pernambuco”, diz Emerson Veloso, 34 anos, um dos fundadores da equipe.

Na trajetória até a Arena Pernambuco ficou muito suor e dedicação no caminho. Foram viagens custeadas do próprio bolso ao longo do Nordeste e o carimbo de falta em alguns eventos dos amigos e dos familiares. “Eu já deixei de sair para festas com os amigos porque tinha que treinar”, relembra Veloso.

Emerson Veloso (E) e o americano TL Edwards (D) representam um time que veste as cores da cidade. Foto: Thiago Wagner/Blog do Torcedor

Emerson Veloso (E) e o americano TL Edwards (D) representam um time que veste as cores da cidade. Foto: Thiago Wagner/Blog do Torcedor

Só que de tanta devoção ao esporte tem sua recompensa. E não estamos falando da final contra os Espectros neste domingo, mas da identificação dos fãs, que já fazem um número representativo nos jogos dos Mariners. Pela Superliga Nordeste, por exemplo, o Mariners chegou a colocar um público acima de duas mil pessoas nos Aflitos, onde a equipe vem mandando as partidas em parceria com o Náutico. Mais do que barulho, os torcedores demonstram carinho com os jogadores. “Certa vez a gente havia perdido uma partida das quartas de finais e veio um garoto pedindo autógrafo para mim nos vestiários. Nunca tinha dado um e fiquei emocionado”, conta Emerson puxando da memória mais lembranças da história do grupo.

Na campanha para chegar até a decisão da Superliga, o Recife Mariners contou com reforço estrangeiro do quarterback Drew Banks e do córner TL Edwards. Apesar de nunca terem pisado na capital pernambucano até então, a dupla traz o amor pelo futebol americano como língua universal para se entrosar com os brasileiros. “Vim porque eu o Drew (primeiro a chegar) me falou bem daqui. Queria uma oportunidade de fazer história. O único país que tinha ido fora os Estados Unidos havia sido o México. Estou aprendendo português e adorando os sucos que vocês têm. Gosto muito do de Maracujá”, brinca o norte-americano.

Equipe jogou nos Aflitos nesta edição da Superliga Nordeste. Foto: Gabriel Siqueira/Recife Mariners

Equipe jogou nos Aflitos nesta edição da Superliga Nordeste. Foto: Gabriel Siqueira/Recife Mariners

Caso vença a final deste domingo, o Mariners se classifica para a Brasil Bowl, uma espécie de Super Bowl nacional, contra o Coritiba, vencedor da Superliga Centro-Sul. A decisão será no Couto Pereira, no Paraná. A distância pode parecer um obstáculo, mas ao que parece nada é considerado impossível para os Mariners, principalmente quando o assunto é levar o nome do Recife para longe.

Recife Marines vence terceira partida na Superliga Nordeste de Futebol Americano

Foto: Gabriel Siqueira / Recife Mariners – Autor: Diego Perez

São Pedro é fã do Recife Mariners. Não é de hoje. Nesse domingo ele apareceu mais uma vez e mandou muita chuva no gramado dos Aflitos. Porém, nada que atrapalhasse os donos da casa. Um touchdown foi o suficiente para que o time recifense saísse vitorioso de campo e alcançasse a terceira vitória na competição.

A partida começou truncada e com várias trocas de posse de bola que não resultaram em pontos, até que o safety Johannes Hartem apareceu para mudar o panorama da partida. Em uma das poucas tentativas de passe da equipe de Mossoró, o atleta interceptou a bola e entregou a posse para o ataque liderado por Drew Banks. Na mesma campanha, Banks soube tirar seus coelhos da cartola e lançou uma bola incrível para o recebedor Matheus Camarotti marcar o primeiro e único touchdown da partida. A tentativa do ponto extra foi anulada duas vezes por conta de faltas e o Mariners tentou a conversão de dois pontos. Mais uma vez, Banks encontrou Camarotti e deu números finais a partida sem nem imaginar o que viria no segundo tempo.

A segunda etapa foi mais castigada ainda pela chuva e as equipes insistiram muito nas corridas e quando tinham a oportunidade de chutar um field goal, preferiam não arriscar. Apesar dos bons lances, nenhum dos dois times conseguiu marcar mais pontos e o lance que mais chamou a atenção foi a lesão de um dos árbitros, que paralisou a partida por alguns minutos.

O próximo compromisso do Mariners será no próximo dia 20 de setembro, quando a equipe visita o Ceará Caçadores em Fortaleza. O encontro entre invictos, pode definir o futuro das equipes na competição, já que ambos almejam passar em primeiro lugar de suas chaves. Já o Petroleiros recebe o América Bulls no Clássico do Rio Grande Norte.