Sport 2×0 Ceara

Sport abre 2×0 sobre o Ceará e põe uma mão na taça

Autor: Wladmir Paulino

Com uma objetividade inversamente proporcional ao domínio territorial e posse de bola, o Sport abriu uma boa vantagem na final da Copa do Nordeste ao vencer o Ceará por 2×0 nesta quarta-feira (2), na Ilha do Retiro. O time rubro-negro pode perder por até um gol de diferença na próxima quarta (9), no Castelão e ainda assim conquistar o título. O Ceará precisa colocar três de vantagem. Se os 2×0 forem devolvidos, a decisão vai para os pênaltis.

O Sport tentou pressionar desde os primeiros minutos, mas quem o fez foi o Ceará. Marcando bem o meio de campo leonino, o time visitante conseguiu não só segurar o ímpeto dos donos da casa, como também chegar com perigo ao gol de Magrão. Na primeira, logo no segundo minuto, Magno Alves recebeu na entrada da área e tentou encobrir o goleiro leonino, que tocou na bola e a mandou a escanteio. Apenas 60 segundos depois foi a vez de Bill cabecear para Ferron cortar e Souza completar em cima de Renê.

Passados os sustos, os rubro-negros acordaram e começaram a fazer o que estavam acostumados desde que Eduardo Baptista assumiu o comando e não fizeram nos últimos três jogos pelo Campeonato Pernambucano: não dar espaço para o adversário pensar. E essa seria a única maneira de levar vantagem, já que a transição entre defesa e ataque dos leoninos nunca foi ao custo de muita troca de passe e sim de jogadas verticais e pressão na saída de bola.

Foi nessa pressão que saiu a primeira oportunidade de gol. Renê interceptou um passe lateral e tocou para Aílton, que entrava de frente para área. O camisa dez chutou para o chão e a bola saiu. O árbitro errou e marcou escanteio, este desperdiçado por Renê. Na segunda não teve jeito. Ananias desceu pela esquerda e lançou Neto Baiano. o artilheiro dominou no peito e tocou na saída de Luís Carlos para fazer 1×0.

Após o gol, a linha de marcação feita pelo trio ofensivo Érico/Neto/Ananias recuou para a linha divisória do gramado. Apesar de pelo menos meio campo livre – o defensivo – o jogo ficou truncado. Aconteceu o fenômeno que muitos técnicos chamam de ‘bola viva’, aquela que não vai de pé em pé. É um jogo mais de lançamentos, muitas disputas com faltas e sem oportunidades concretas de gol.

O problema para o Sport é que à medida que o tempo passava, o time rubro-negro recuava mais e mais. Chegou ao ponto de Érico Júnior assumir um posicionamento mais de lateral-direito do que atacante. Da mesma forma, Neto Baiano foi visto dando chutão para frente dentro da grande área pernambucana. Ressalta-se também a má jornada de Aílton. Além de pouco apresentar-se para o jogo, o camisa 10, quando o fazia, invariavelmente errava.

Só voltou a haver pressão dos donos da casa aos 33 minutos e o resultado foi instantâneo. Ananias arriscou um chute cruzado e Páscoa meteu a cabeça na bola, que foi para fora. Só que a resposta cearense foi na mesma moeda. De fora da área, Ricardinho mandou rasteiro e Magrão cedeu escanteio.

Veio o segundo tempo e o recuo do Sport manteve-se rigorosamente inalterado com um agravante: jogadores fora de posição, tendo como maior exemplo o centroavante Neto Baiano. O camisa 9 estava postado tão atrás que, na retomada da bola, era ele quem puxava, ou tentava puxar, os contra-ataques. Como seu forte não é o passe, a bola ia e voltava rápido demais. Há de se ressaltar que Neto compensava com uma dedicação leonina na marcação e ausência completa de Aílton.

O tempo foi passando e o defeito não era corrigido. O Ceará, que precisava de um gol, encurralou o time da Ilha em seu campo defensivo, mas esbarrou no bom trabalho da defesa, de longe o fundamento de destaque dos rubro-negros. O alvinegro trocou passes, dominou territorialmente mas tinha grande dificuldade para entrar na área. Bill conseguiu aos 18 mas chutou em cima de Magrão.

No sufoco, Eduardo Baptista tirou Érico Júnior. O Sport pouco produziu e seu lance mais importante no segundo tempo aconteceu aos 33, mas o protagonista foi um jogador adversário. O volante João Marcos fez falta em Rithely e tomou amarelo. Como já fora advertido antes, terminou expulso. Com mais espaço, o leão conseguiu sair da pressão e quase chegou ao gol graças à raça de Neto Baiano.

Aos 37, ele tentou o cruzamento da linha de fundo mas foi bloqueado. Michel apareceu e chutou em cima do atacante. A bola sobrou para Danilo em plenas condições de marcar, mas Luís Carlos foi no canto e defendeu. Na segunda tentativa, Danilo não jogou fora. Aos 40 minutos, Patric, que fazia uma partida bastante discreta em termos ofensivos, foi à frente e cruzou. Na linha de pequena área, o lateral e duble de atacante apareceu para completar para as redes.

Ficha do jogo:

Sport: Magrão; Patric, Ferron, Durval e Renê; Rodrigo Mancha, Ewerton Páscoa, Aílton (Rithely) e Érico Júnior (Danilo); Ananias (Sandrinho) e Neto Baiano. Técnico: Eduardo Baptista.

Ceará: Luis Carlos; Samuel, Sandro (Gabriel), Anderson e Vicente; João Marcos, Ricardinho, Rogerinho e Souza (Michel); Magno Alves (Assisinho) e Bill. Técnico: Sérgio Soares.

Local: Estádio Ilha do Retiro. Árbitro: Cláudio Francisco Lima (SE). Assistentes: Carlos Jorge Titara (AL) e Luis Carlos Camara (RN). Gols: Neto Baiano, aos dez do primeiro tempo. Danilo, aos 40 do segundo. Cartões amarelos: Renê, Sandro, Ferron e Bill. Expulsão: João Marcos.