Yaroslava Shvedova

Pernambucana Teliana Pereira faz história e dá ao Brasil um título de WTA após 27 anos

 Fred Figueiroa /Diario de Pernambuco

Teliana fez uma grande partida neste domingo, sem dar chances à adversária, melhor ranqueada

Não foi neste domingo que Teliana Pereira escreveu o seu nome na história do esporte brasileiro. Seu capítulo está aberto desde 2013, quando a pernambucana começou a resgatar o tênis feminino do país de um passado cada vez mais distante. É importante voltar um pouquinho no tempo e lembrar que, há dois anos, o simples fato de participar de um torneio WTA foi considerado um marco. No mesmo saibro de Bogotá, a número 1 do Brasil iniciou a sua transformação dentro do circuito – derrubando uma série de tabus que duravam oito, dez, vinte anos. Em 2013, a grande e supreendente campanha parou na semifinal. Um feito. O início de uma nova história.

Dois anos depois, uma outra Teliana voltou ao saibro colombiano. Mais experiente e consistente. Recuperada de uma lesão que a fez despencar no ranking desde o meio da temporada passada, a pernambucana – hoje apenas a 130ª do mundo – encaixou uma sequência de dez vitórias nas duas últimas semanas. Na anterior, conquistou o ITF de Medellin (uma espécie de “segunda divisão” do tênis feminino). Seguiu viagem para o WTA de Bogotá e manteve a linha de atuações sólidas. Cinco grande partidas. Cinco vitórias e o primeiro título na elite do esporte – depois de 22 taças conquistadas na série ITF. E, como sempre, Teliana quebrou mais um tabu. Desde 1988, quando Niege Dias conquistou o torneio em Barcelona, uma brasileira não era campeã na WTA.

A trajetóri1a até o título passou por nomes de peso no circuito. Jogadoras experientes, consolidadas no top 100 e com títulos importantes no currículo. Começando por ninguém menos que a italiana Francesca Schiavonte, campeã de Roland Garros em 2010. Passou ainda pela espanhola Lourdes Dominguez Lino, derrubou a favorita e cabeça de chave 1 do torneio, a ucraniana Elina Svitolina (27ª do mundo) por 7/6(7) 6/3 e – na grande final – se impôs diante de Yaroslava Shvedova, do Cazaquistão, 73ª do mundo.

“É um dia muito especial. O mais feliz de toda a minha vida”, disse Teliana ao receber o troféu. Foram as únicas palavras ditas antes das lágrimas desabarem. E, chorando, lembrou da séria lesão que comprometeu sua evolução no ano passado – depois de uma temporada histórica em que havia disputado os quatro torneios do Grand Slam.

Na atualização do ranking, nesta segunda-feira, Teliana deve retornar ao top 100. A pernambucana do pequeno povoado de Barra do Tapera, no agreste do Estado, segue para a temporada de torneios no saibro europeu, numa preparação para Roland Garros. E, como a lista do Grand Slam de Paris foi fechada na última semana, a brasileira precisará disputar o qualifying.